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Monitor de Secas indica aumento das áreas com seca em sete estados e redução em outros quatro

Mapa do Monitor mais atual aponta aumento das áreas com seca na Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro e Tocantins em comparação a junho. Redução das áreas com o fenômeno aconteceu em Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Demais estados do Monitor e o DF registraram estabilidade.


Nesta quarta-feira, 19 de agosto, está disponível o Mapa do Monitor de Secas de julho. Sete estados registraram aumento das áreas com seca em relação a junho, devido às poucas chuvas do último mês: Bahia, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro e Tocantins. Em outros quatro estados, o fenômeno teve redução: Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. No Distrito Federal, Ceará, Goiás e Sergipe a parcela do território com o fenômeno se manteve estável. Em termos de severidade, a seca não registrou mudanças significativas entre junho e julho nas 16 unidades da Federação monitoradas.


Além disso, Mato Grosso do Sul passa a integrar o Monitor de Secas a partir deste mês, o que dá ao estado melhores condições para se preparar para a mitigação dos impactos da seca e antecipar ações de resposta. De acordo com o Mapa do Monitor de julho, Mato Grosso do Sul registra seca em todo seu território com os graus moderado (51,28%), grave (47,44%) e extremo (1,28%), sendo o único estado a ter o fenômeno em todo seu território em julho. O percentual da área com seca grave no estado é o maior entre as unidades da Federação participantes do Monitor.



No estado o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (IMASUL) e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (SEMAGRO) atuarão no Monitor.


Julho é um mês historicamente seco na maior parte do Sudeste e do Nordeste, no Distrito Federal, em Goiás e em Tocantins. Em muitos desses locais, as chuvas são inferiores a 20mm, como no Piauí, Tocantins, Goiás, DF, grande parte do Ceará e de Minas Gerais, centro-sul do Maranhão, oeste da Paraíba e de Pernambuco, centro-oeste da Bahia e norte de Mato Grosso do Sul. Por outro lado, julho é considerado período chuvoso no litoral leste do Nordeste, na faixa que se estende desde o Rio Grande do Norte até a Bahia, com valores de precipitação mensal acima de 200mm.


As maiores precipitações registradas em julho, acima de 300mm, aconteceram no litoral da Paraíba. Totais mensais acima de 150mm foram observados em boa parte do litoral leste do Nordeste. Em grande parte das unidades da Federação em que julho é um dos meses mais secos do ano, houve ausência de chuvas ou acumulados inferiores a 2mm. As chuvas acompanharam a média de julho no Piauí, Tocantins e Goiás; além de grande parte da Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba e Pernambuco. A anomalia negativa de precipitações mais expressiva foi registrada no litoral e na Zona da Mata de Pernambuco.


O Monitor realiza o acompanhamento contínuo do grau de severidade das secas no Brasil com base em indicadores do fenômeno e nos impactos causados em curto e/ou longo prazo. Os impactos de curto prazo são para déficits de precipitações recentes até seis meses. Acima desse período, os impactos são de longo prazo. Essa ferramenta vem sendo utilizada para auxiliar a execução de políticas públicas de combate à seca e pode ser acessada tanto pelo site monitordesecas.ana.gov.br quanto pelo aplicativo Monitor de Secas, disponível gratuitamente para dispositivos móveis com os sistemas Android e iOS.


Com uma presença cada vez mais nacional, o Monitor abrange quatro das cinco regiões do Brasil, o que inclui os nove estados do Nordeste mais Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Tocantins, Goiás, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul. Os três estados da região Sul – Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina – já receberam treinamento e iniciaram a etapa de testes para entrar no Monitor, o que já pode acontecer nos próximos meses.

Situação por estado


Alagoas


Em Alagoas, as chuvas de julho foram abaixo da média na porção leste e de normal a acima da média na parte oeste. As precipitações acima da média melhoraram os indicadores de seca que apontaram para um recuo da seca fraca na porção central que faz divisa com Pernambuco, sendo que os impactos são somente de longo prazo. Em julho, Alagoas registrou a maior área sem registro de seca (70,78%) desde novembro de 2017, quando 75,08% do território alagoano vivenciou o fenômeno.


Bahia


Na Bahia, houve grande variabilidade nas chuvas observadas nas diferentes regiões do estado. A área com seca total subiu levemente de 75,78% para 77,05% entre junho e julho. No extremo sul, surgiu uma área de seca fraca na divisa com o Espírito Santo em decorrência das precipitações abaixo da média nos últimos meses. Já no norte da Bahia, onde as chuvas foram acima da média e houve melhora nos indicadores, aconteceu um discreto recuo das secas fraca e moderada, o que resultou no aumento da área sem seca. Os impactos são de curto prazo no litoral sul e de longo prazo nas demais áreas.


Ceará


No Ceará, não houve alteração no cenário de seca em julho em relação ao mês anterior, apesar das chuvas registradas em julho terem ficado ligeiramente acima da média no centro-norte do estado. A área sem seca permanece no patamar de 79,1% do estado, mantendo a melhor condição do fenômeno no Ceará desde o início do Monitor de Secas em julho de 2014. Indicadores de seca, especialmente os relacionados ao escoamento superficial, reforçam a presença da área de seca fraca, cujos impactos são de longo prazo.


Distrito Federal


No Distrito Federal, julho é um mês típico de estiagem. O DF, porém, ainda não apresenta resultados visíveis nos indicadores de seca e a condição sem seca, já registrada em junho, permanece. Dentre as 16 unidades da Federação acompanhadas pelo Monitor, o Distrito Federal foi a única sem registro do fenômeno em julho.


Espírito Santo


No Espírito Santo, houve avanço da seca fraca até a parte central do Estado, onde as chuvas foram ligeiramente abaixo da normalidade em julho e os indicadores de seca de curto prazo apresentaram piora. Os impactos permanecem de curto prazo. Entre junho e julho, a área com seca fraca teve um forte aumento de 25,64% para 58,94% do território capixaba.


Goiás


Em Goiás, julho é um dos meses mais secos do ano. Os indicadores apontam piora na severidade da seca na região sudeste do estado, na divisa com o Triângulo Mineiro, onde a seca passou de moderada para grave. Assim como em junho, somente 6,64% do território goiano ficou sem registro de seca no último mês. O fenômeno é fraco, moderado, grave e extremo em respectivamente 23,09%, 45,24%, 24,98% e 0,05% da área. Os impactos são de curto e longo prazo no sul, e de longo prazo no restante do estado.


Maranhão


No Maranhão, chuvas ligeiramente abaixo da média em julho (na parte norte) e no acumulado do trimestre (norte, centro e oeste) provocaram o surgimento de novas áreas de seca fraca sobre o estado, caracterizadas agora por impactos de curto prazo. Entre junho e julho, a área com seca fraca subiu significativamente de 29,2% para 53,65%. Os impactos são de curto prazo no norte e oeste (novas regiões com seca) e de curto e longo prazo no centro do Maranhão.


Mato Grosso do Sul


Em Mato Grosso do Sul, as chuvas de julho ficaram abaixo da média sobretudo no extremo sul. Os indicadores apontam para seca moderada em boa parte do Pantanal e sudoeste do estado. No norte e leste predomina a seca grave, enquanto no nordeste sul-mato-grossense há uma área de seca extrema na divisa com São Paulo e Minas Gerais. Os impactos são de curto e longo prazo em todo o estado, que é o único do Mapa de julho a ter 100% de seu território com seca e a unidade da Federação com maior percentual de seca grave: 47,44%.


Minas Gerais


Minas Gerais apresenta baixa média de chuvas em julho com valores inferiores a 50mm. As precipitações observadas no último mês acompanharam a média histórica na maior parte do estado, com exceção da porção nordeste (Vale do Jequitinhonha) e na divisa com o Rio de Janeiro. Com base nos indicadores de seca, foi verificado um avanço da seca moderada no sul de Minas, assim como da seca grave no Triângulo Mineiro (oeste). Também houve redução na intensidade da seca – de moderada para fraca – na porção nordeste, onde as chuvas foram acima da média. Entre junho e julho, houve um leve aumento da área com seca de 51,53% para 53,92%. O estado também é o que registra maior área com seca extrema em julho: 2,92%. Não houve alteração nas linhas de impacto sobre o Estado.


Paraíba


Na Paraíba, as chuvas em julho variaram de normal (parte oeste) a ligeiramente acima da média (porção leste). Com precipitações de até 100mm acima da média, houve melhora nos indicadores de seca que levaram ao recuo da seca fraca em parte do Agreste e da Mata. Entre junho e julho, houve um aumento significativo da área sem seca no estado, que saltou de 60,37% para 74,18%. Esta é a melhor situação da Paraíba desde o início do Monitor de Secas em julho de 2014. Na área onde permanecem as condições de seca, os impactos agora são de curto e longo prazo.


Pernambuco


Em Pernambuco, houve chuvas abaixo da média inferiores a 100mm na região leste (zona da mata e litoral), que favoreceram a manutenção da área com seca fraca. Já na divisa com Alagoas, houve redução da área de seca fraca em função das precipitações acima da média, que refletiram melhora nos indicadores. Entre junho e julho, houve um aumento da área sem seca de 56,62% para 62,32% – melhor situação de Pernambuco desde o início do Monitor de Secas em julho de 2014. Os impactos são de curto e longo prazo na seca no leste do estado e somente de longo prazo nas demais áreas.


Piauí


Em julho, o Piauí registrou chuvas em torno da média. Apesar disso, houve um pequeno avanço das secas fraca e moderada na porção central do estado com base nos indicadores de seca de curto prazo. O Piauí registrou um leve aumento da área total com seca, que passou de 43,68% para 47,76% entre junho e julho. Nesta área e no extremo sul, os impactos agora são de curto e longo prazo. Nas demais áreas do estado que apresentam seca, os impactos são somente de longo prazo.


Rio de Janeiro


No Rio de Janeiro, julho é um mês típico de estiagem. Apesar das chuvas observadas terem sido em torno do normal, o acumulado no trimestre apresenta desvios negativos mais expressivos que sugerem o avanço da seca fraca em direção ao norte fluminense quase até a divisa com o Espírito Santo. Entre junho e julho, as áreas com seca fraca quase dobraram no Rio de Janeiro, saltando de 50,11% para 93,79% do total. Os impactos permanecem de curto prazo.


Rio Grande do Norte


No Rio Grande do Norte, as chuvas observadas em julho foram dentro ou acima da média, principalmente na porção leste. O histórico de precipitações acima da média nos últimos meses explica a extinção da área de seca fraca que atuava em parte do centro e Agreste Potiguar. Entre junho e julho, o estado teve um aumento significativo da área sem seca, que saltou de 73,23% para 96,87% do território. Esta é a melhor situação do Rio Grande do Norte desde o início do Monitor de Secas em julho de 2014.


Sergipe


Em Sergipe, apesar das chuvas observadas esse mês terem ficado abaixo da média histórica na porção norte e acima da média no sul, os indicadores não apontaram mudanças na condição de seca fraca. Assim, os impactos continuam de longo prazo. As áreas com seca fraca (42,4%) e sem o fenômeno (57,6%) seguem iguais às registradas em junho em território sergipano.


Tocantins


Tocantins registrou pouquíssimas chuvas em julho, como é esperado pela climatologia. Com base nos indicadores de seca, houve um leve avanço da seca moderada no sul do estado, onde os impactos são de longo prazo. Por outro lado, houve o surgimento de uma área com seca fraca no extremo norte, com impactos somente de curto prazo. Entre junho e julho, as áreas com seca subiram levemente de 86,19% para 91,06% do território tocantinense. Enquanto as áreas com seca moderada recuaram de 58,26% para 54,39% nos últimos dois meses, as porções com seca fraca avançaram de 24,09% para 32,82%.

O Monitor de Secas


O Monitor de Secas é coordenado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), com o apoio da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME), e desenvolvido conjuntamente com diversas instituições estaduais e federais ligadas às áreas de clima e recursos hídricos, que atuam na autoria e validação dos mapas. Por meio da ferramenta é possível comparar a evolução das secas nos 15 estados e no Distrito Federal a cada mês vencido.


O projeto tem como principal produto o Mapa do Monitor, construído mensalmente a partir da colaboração dos estados integrantes do projeto e de uma rede de instituições parceiras que assumem diferentes papéis na rotina de sua elaboração.


Em operação desde 2014, o Monitor de Secas iniciou suas atividades pelo Nordeste, historicamente a região mais afetada por esse tipo de fenômeno climático. No fim de 2018, com a metodologia já consolidada e entendendo que todas as regiões do País são afetadas em maior ou menor grau por secas, foi iniciada a expansão da ferramenta para incluir outras regiões. O primeiro estado de fora do Nordeste a entrar foi Minas Gerais em novembro de 2018. O Espírito Santo foi o próximo a aderir em junho de 2019. Em 2020, passaram a integrar o Mapa do Monitor: Tocantins (janeiro), Rio de Janeiro (junho), Goiás (julho), Distrito Federal (julho) e Mato Grosso do Sul (agosto).


A metodologia do Monitor de Secas foi baseada no modelo de acompanhamento de secas dos Estados Unidos e do México. O cronograma de atividades inclui as fases de coleta de dados, cálculo dos indicadores de seca, traçado dos rascunhos do Mapa pela equipe de autoria, validação dos estados envolvidos e divulgação da versão final do Mapa do Monitor, que indica uma seca relativa – as categorias de seca em uma determinada área são estabelecidas em relação ao próprio histórico da região – ou a ausência do fenômeno.



Assessoria de Comunicação Social (ASCOM)

Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)

(61) 2109-5495/5103/5129

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