Blog da REBOB

Hidro diplomacia: Uma ideia nova para amenizar velho conflitos

Esta é uma expressão nova que sugere cooperação e não conflito na mediação de interesses internacionais que envolvem água.

A água é o mais básico de todos os direitos humanos e um elemento central para os assuntos globais e para a agenda de desenvolvimento, tendo implicações na paz e na segurança internacionais. Segundo a ONU a escassez de água deveria gerar cooperação e não conflito. A Organização das Nações Unidas diz que a comunidade internacional precisa se preparar para a nova era da “hidro diplomacia”, à medida que a escassez de água ameaça mergulhar o mundo em um período de tensão geopolítica.


A primeira pessoa a empregar esta expressão foi Jan Kenneth Eliasson, diplomata sueco que foi vice-secretário-geral das Nações Unidas e que deixou o cargo em 2016. Por quase um quarto de século, Eliasson tornou-se um incansável defensor do direito à água e saneamento para todos.


De acordo com dados da ONU 1,8 bilhões de pessoas bebem água contaminada em todo o mundo; 2,4 bilhões de pessoas carecem de saneamento melhorado. Nos clubes dos países pobres, 90% do esgoto não tratado é lançado em rios, lagos e áreas costeiras. Estima-se que 800 a 900 crianças menores de cinco anos morrem diariamente de doenças diarreicas.


No meio dessa desigualdade e exclusão pela água, não há como se desenhar uma linha nítida entre paz, segurança, desenvolvimento e direitos humanos sem passar pelos recursos hídricos. De acordo com Eliassar “em todo o mundo, a escassez de água pode se tornar um motivo de conflito. As secas são a condução de pessoas do campo para as cidades, aumentar as pressões crescentes sobre a água, que pode levar à instabilidade. Um longo período de seca e suas consequências pode ter sido um dos fatores por trás da guerra na Síria”, avalia ele. E completa: “Secas ainda reduzem a produção agrícola o que pode levar ao aumento dos preços no mercado. Quando os preços de alimentos básicos sobem, agitação civil pode seguir. Facilmente água torna-se uma fonte de conflito quando há desiguladade na sua distribuição. “


Neste viés algumas organizações internacionais já se movimentam tentando criar uma rede de competências e cooperações entre as nações, buscando negociações diplomáticas ao invés de - e na tentativa de evitar – conflitos. Entre estas instituições internacionais está a UNESCO, através do PHI (Programa Hidrológico Internacional) e o WWC (World Water Council), a RELOC (REDE LATINO-AMERICANA DE ORGANISMOS DE BACIAS) e RIOB (REDE INTERNACIONAL DE ORGANISMOS DE BACIAS), entre outros.


No Brasil instituições também estão atentas para este novo movimento diplomático, como por exemplo, a ANA – Agência Nacional de Águas – e a REBOB (REDE BRASIL DE ORGANISMOS DE BACIAS).

A BUSCA DE ALTERNATIVAS PARA CONFLITOS E INTERESSES DIVERGENTES EM TORNO DA ÁGUA SERÁ UM DOS TEMAS DEBATIDOS NO 8º FÓRUM MUNDIAL DAS ÁGUAS, QUE ACONTECE EM BRASÍLIA EM 2018.


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