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Mesmo com chuva, Salvador pode adotar racionamento de água

Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) pode adotar revezamento de distribuição de água (na fórmula três dias com água e um sem), caso não chova nos mananciais que abastecem a capital baiana.


Mesmo com muita chuva, a capital da Bahia corre o risco de viver um racionamento de água planejado. A Embasa – concessionária do setor - explica que as chuvas não foram satisfatórias na região dos mananciais que atendem Salvador e que caso essa situação não melhore o esquema adotado pela empresa será um dia sem água para três dias com água. A confirmação desta situação foi feita por Carlos Ramirez, diretor da concessionária responsável pelas operações da Região Metropolitana.


Esta seria a primeira vez em 46 anos que a Embasa considera a possibilidade de um esquema de racionamento de água em Salvador. A Empresa acredita que, caso a medida seja adotada, devem sofrer o impacto as famílias que moram em residências construídas sem planejamento e que em áreas nobres, em domicílios que contam com reservatório adequado, a falta de abastecimento por um dia não deve ser sentida.


O racionamento pode soar estranho para alguns moradores de Salvador, uma vez que muitos bairros da capital chegam a ter problemas com excesso de chuvas no dia-a-dia. Estes problemas se refletem, principalmente, no trânsito, que fica mais difícil sempre que chove. O que a população desconhece é que nos mananciais no entorno da cidade, de onde vem a água consumida na Capital, a chuva foi bem escassa, mantendo os reservatórios em níveis instáveis.


Nas regiões de Simões Filho, Mata de São João e Conceição de Jacuípe, de onde vem grande parte da água, há previsão de chuva para as próximas semanas. Os técnicos da Embasa acompanham atentos os indícios da meteorologia para começarem – ou não – a programar o racionamento.


A barragem de Pedra do Cavalo, responsável por cerca de 60% do abastecimento de Salvador, está com 62,88% da sua capacidade total de acumulação. O restante do sistema é abastecido pelas barragens de Joanes I (atualmente com 85,18% de sua capacidade total), Joanes II (36,63%), com menor contribuição dos reservatórios de Ipitanga I (41,81%) e Ipitanga II (30,91%). Salvador conta ainda com a barragem de Santa Helena que, no ponto de captação atual, situado no rio Jacumirim, encontra-se com 59,96% da sua capacidade total.


Quando considerado o volume útil, calculado entre o nível máximo e o nível de captação da água, os reservatórios apresentam atualmente os seguintes percentuais de armazenamento: Pedra do Cavalo (22,85%), Joanes I (68%), Joanes II (8,08%), Ipitanga I (20,09%), Ipitanga II (30,62%) e Santa Helena (10,65%).


Além de monitorar os reservatórios, a Embasa comunica uma série de investimentos em obras estruturantes; de acordo com a concessionária foram investidos cerca de R$ 108 milhões com duplicação da capacidade de adutoras e construção de poços artesianos. Ainda há o anúncio de investimentos de R$ 168 milhões para duplicar a transposição da barragem de Santa Helena para o Joanes II. Esta obra específica tem previsão de elevar a produção de água em 50% da demanda atual.


Moradores de Salvador correm o risco de enfrentar racionamento de água.


O consumo consciente, a escassez de água e as mudanças climáticas serão temas pertinentes aos debates no 8º Fórum Mundial de Águas, que acontece em Brasília em 2018.

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