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Gestão compartilhada da água é destaque na abertura do 8º Fórum Mundial da Água

A abertura foi realizada pelo Presidente da República Michel Temer que participou da cerimônia de abertura do Fórum Mundial das Águas no Itamaraty, juntamente com autoridades do Brasil e de outros países.

O Governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, relembrou que pela primeira vez o Fórum Mundial das Águas acontece no hemisfério sul, e que nos dois primeiros dias de atividades na Vila Cidadã, mais de 25 mil pessoas visitaram o espaço e participaram das atividades programadas. Destacou também as obras em desenvolvimento para enfrentamento da crise hídrica. Finalizando, afirmou que O Fórum Mundial das Águas deve deixar um legado para esta e para as futuras gerações.

Benedito Braga, presidente do Conselho Mundial da Água, que também discursou do Itamaraty, iniciou sua fala a agradecendo a todos os envolvidos para a realização do Fórum desde a sua idealização. Outros pontos destacado: os desafios da gestão compartilhada de aquíferos transfronteiriços; a necessidade de incentivo ao diálogo para melhorar a governança e mais vontade política para colocar a água no cerne das decisões políticas; o financiamento de ações para a segurança hídrica; e a necessidade de um pensamento adaptativo em relação às mudanças climáticas.

Na abertura, a mestre de cerimônias, Rosana Jatobá, lembrou que o Brasil possui cerca de 13% da dos recursos hídricos do mundo, e também a necessidade de avançar muito ainda em questões de desperdício da água tratada, a questão do saneamento básico que é inexistente em 43% dos lares de nosso país. Sendo preciso também preservar as nascentes, rios lagos e oceanos, e “este é portanto o lugar certo para nós estabelecermos nosso compromissos e avançar nestas questões”. Compartilhando Água é o tema central dessa edição do Fórum Mundial das Águas que reúne em Brasília representantes de governos, academia, sociedade civil, empresas públicas e privadas e organizações não governamentais de todo o mundo.



O maior evento global de discussão sobre a água, é realizado pela primeira vez no hemisfério Sul. Sendo, portanto, um espaço de diálogo, troca de experiências e de boas práticas relacionadas ao uso da água, este recursos considerada pela ONU um direito fundamental da humanidade.


Após esses discursos, a apresentação da Academia de Músicos Brasília marcou o início da cerimônia no local oficial do evento, realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.

Ricardo Andrade, o diretor de Gestão da Agência Nacional das Águas (ANA) e secretário-executivo do fórum, emocionado, lembrou a trajetória dos preparativos para o evento que tiveram início em 2011. Destacou também a inovação foi a plataforma de consulta “Sua Voz”, no qual mais de 300 mil pessoas ajudaram no desenvolvimento de definição do temas.


Loïc Fauchon, presidente honorário do Conselho Mundial da Água, destacou a necessidade de proteção dos recursos hídricos e a importância de implantar os objetivos do fórum. “Nossos recursos naturais não estão protegidos e a água é um recursos escasso em quantidade e em qualidade”, disse. “E nós queremos oferecer segurança hídrica para o mundo, estabelecer um equilíbrio para termos água hoje e no futuro”. “Nossa responsabilidade é assegurar a disponibilidade de água para todos os lugares”, disse. “O mundo está em crises, crises políticas, diplomáticas, militares e, principalmente, crises de alimentação, saneamento e ambientais, muitas delas relacionadas à escassez de água. Os desastres naturais estão se tornando cada vez mais maiores e bilhões de pessoas estão sofrendo por isso, ao passo que a urbanização está crescendo e a pobreza se espalhando. As populações estão clamando por acessos a serviços públicos básicos”, argumentou.


O gerente de Infraestrutura e Meio Ambiente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), José Agustín Aguerre, destacou a necessidade de fortalecer as estruturas e a articulação entre ela na América Latina e Caribe para a segurança hídrica. Sendo preciso também, uma mudança de comportamento para que as pessoas usem a água melhor, no que tange o acesso em quantidade e qualidade satisfatória, e “não precisamos descansar enquanto não mudarmos este cenário.


Pedro Domaniczky, diretor da Itaipu Binacional, destacou a inciativa de Brasil e Paraguai que, há 45 anos, dividem a Usina de Itaipu. “Dois países-irmãos que viram não apenas um rio que divide, mas um rio que une dois países, para gerar conhecimento e, principalmente, sustentabilidade”, disse. Afirmou também que os grandes atores nas ações de desenvolvimento sustentável não são apenas os governos, mas também as comunidades. “As pessoas precisam passar de ser meros observadores e serem protagonistas”, principalmente com o envolvimento dos jovens e mulheres, ainda mais neste contexto de mudanças climáticas. “Precisamos tomar uma atitude participativa, forte e dinâmica para contribuir com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, encerrou ele.


O diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Erik Solheim, afirmou que o evento lida com o paradoxo, “desenvolvimento e meio ambiente devem caminhar junto. Destacou que a china deve abraçar esta causa; a experiência da Índia em desenvolver ações para a geração de energia limpa. Outro exemplo, é que a Etiópia era vista anteriormente, como um país de pobreza extrema, mas que atualmente o país está se desenvolvimento utilizando tecnologias limpas. Neste sentido, “nós precisamos fornecer tecnologias para o mundo, para que esses avanços possam acontecer em qualquer lugar no planeta terra. “Nós devemos adotar a plataforma do “Yes, We Can”, afirmou Erik. Ou seja, todos devem trabalhar juntos, adotando esforços combinados, entre empresas e corporações; para solucionar os problemas do planeta. “É preciso mudar a mentalidade com relação ao planeta terra, a natureza, e por este recurso tão precioso que é a água. Temos que lidar com esta questão de maneira muito série como os problemas como o descarte de resíduos plásticos, que esta matando os animais marinhos, por exemplos. E finalizou afirmando que precisamos cuidar melhor da natureza, no espírito do “Yes, We CAN”.


O presidente-executivo da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Venilton Tadini, em sua fala, ressaltou a necessidade de incentivar o processo de inovação e investimento, tendo em vista que atualmente apenas 0,2% do PIB é revertido para o saneamento. O Fórum Mundial das Águas reúnem diversos atores, para troca de experiências e “exercemos o nosso poder de cidadania e mostrarmos ao mundo a abrangência do evento e qual é o rumo que esse país deve tomar daqui para frente. Para finalizar elencou a necessidade de: ampliar o consciente, aumentar os investimentos em preservação; universalizar o acesso de saneamento básico, dentre outros.


Para Paulo Salles, diretor-presidente da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa), a cidadania é a marca desta edição do Fórum Mundial da Água. Destacou algumas inovações com o Vila Cidadã; e “pela primeira vez teremos um painel de alto nível” sobre a interação das águas terrestres e as águas oceânicas , enfim, “o mar chega ao fórum mundial das águas”. Destacou também a presença de mais de 300 autoridade locais e regionais; a incorporação de juízes e parlamentares neste debate. O processo regional também foi muito rico, “temos seis regiões do mundo que estão representadas”, outra conquista também foi o Fórum Cidadão. Todos esses processos nos reforçam a certeza de que o mundo precisa estar unido e conversando para superação das dificuldades. A água, afirmou Paulo, ecoa o “nosso próprio ser, nós somos água e tudo que fazemos utilizamos usa água”. A palavra compartilhamento, possuiu muitas vertentes, entre elas a de responsabilidade sobre a água, e não existe compartilhamento sem diálogo. No dialogar é necessário falar, saber ouvir, saber oferecer, saber receber e saber dar e compartilhar. Temos como perspectiva alguns legados tangíveis e intangíveis, como um futuro para as crianças, e inspirar nelas a vontade de também contribuir para a gestão das águas. E finalmente, “a água tem que se tornar prioridade nas políticas publicas”, destacou ele.



Ao final da cerimônia, os Correios lançaram o selo comemorativo do 8º Fórum Mundial das Águas.



Matéria produzida por Fernanda Matos

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