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Uma equipe de pesquisadores está desenvolvendo painéis solares que também produzem água potável

Pode parecer chocante, mas é verdade: 783 milhões de pessoas ao redor do mundo não têm acesso a água potável. Apesar de nosso planeta ter uma quantidade quase infinita de água, a maior parte dela está em nossos oceanos, cheia de sal. Embora seja possível dessalinizar parte dessa água, o processo tem um alto custo e usa muita energia.


Pensando nisso, um novo projeto de pesquisa da Universidade de Ciência e Tecnologia Rei Abdullah (Thuwal, Arábia Saudita), publicado na Nature, desenvolveu um painel solar que funciona como um purificador de água, bombeando a água do oceano e a tornando potável, ao mesmo tempo que não causa gasto de energia para uma casa ou edifício.



Como isso é possível?


Tudo começa com um painel solar comum, que só pode transformar cerca de 20% da energia em eletricidade, enquanto perde os outros 80% para o ar, em forma de calor. Até então, esse calor era considerado um desperdício, mas o sistema desenvolvido pelos pesquisadores usa esse calor para purificar a água.


O calor ambiente é direcionado para um sistema de tubos bombeados com água do mar. Uma vez aquecida, a água do mar evapora através de várias membranas de vidro de quartzo fibroso, que purifica a água, filtrando-a através de tubos minúsculos. Ao mesmo tempo, camadas condutoras dentro dos tubos continuam a recapturar o calor, para alimentar o processo de evaporação de novo e de novo.


Segundo Peng Wang, um dos pesquisadores, o protótipo ainda tem muito espaço para melhorias de eficiência, mas pode gerar quantidades significativas de água limpa e dessalinizada. Cada metro quadrado de painéis solares é capaz de produzir 1,64 litro de água por cada hora. Assim, uma casa com 180m2 de painéis solares no telhado poderia produzir 23 litros de água potável por hora.


Para o pesquisador, a ideia do projeto não é a substituir as usinas de dessalinização em larga escala, mas sim para fornecer água potável em escala descentralizada em áreas com densidade populacional baixa a média.”


A tecnologia desenvolvida por Wang e sua equipe ainda precisará ser otimizada em pesquisas futuras antes que possa ser aplicada em larga escala, mas, considerando que 40% da população mundial vive perto de uma costa, não há dúvidas de que essa é mais uma ideia que pode trazer resultados grande impacto para o planeta e melhorar a vida um número gigante de pessoas que vivem ao redor dele.



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