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Estudo do processo oxidativo avançado como uma alternativa tecnológica e eficaz no tratamento de efl

Autoras: Gabriela Costa e Fernanda Cangerana




Resumo:


Por muito tempo, pouco se ouviu falar no que o impacto da poluição ambiental poderia causar nos seres vivos, especificamente em humanos. Tal fato tem relação ao pouco conhecimento que se tinha na época em que o homem sai do paleolítico e adota o estilo sedentário de vida, aldeando-se e consequentemente focalizando seus dejetos num só local, aumentando seu número numa proporção tal que a natureza já não era mais capaz de absorver tudo o que era derivado de suas atividades. Até que se chega a um ponto onde essa não absorção, por parte da natureza, resulta em doenças endêmicas, como o caso da cólera de John Snow. Preocupações ambientais surgem por conta destes e outros diversos acontecimentos que afetaram a vida humana no decorrer dos séculos, e hoje, soluções novas vêm sendo constantemente estudadas e desenvolvidas, com o objetivo de otimizar os processos do tratamento do bem mais essencial – e finito – para a vida na terra: a água. Este artigo objetiva estudar, dentre outros assuntos, os processos oxidativos avançados (POA) como uma alternativa eficaz no tratamento de efluentes, trazendo um breve histórico do avanço da humanidade, bem como um estudo de caso sobre a aplicação de POA para tratamento de chorume – em escala laboratorial.


Introdução:


É impossível iniciar qualquer tema sobre tratamento de efluentes, com suas técnicas atuais, convencionais ou avançadas, sem antes fazer uma breve menção ao histórico do saneamento básico da humanidade. A importância do tema não é exclusividade da civilização atual, mas vem de milhares de anos, antes mesmo do início da contagem de tempo da era Cristã. No início da formação dos grupos sociais, ou seja, da sociedade, vivia-se na era paleolítica, onde existia a chamada economia recoletora: o homem vivia daquilo que colhia ou recolhia – o que a natureza oferecia era usado para a sua subsistência. Esse tipo de economia resultou no nomadismo, onde o grupo de pessoas se instalava em um local, e por lá permanecia durante o tempo em que lhe era confortável, ou seja, até que algum fator ocorresse para sua estadia se tornar incômoda e provocar sua retirada (ROCHA et al, 2009). Esses fatores poderiam estar relacionados à escassez de comida, ao excesso de detritos, ao surgimento de perigos ou doenças. Logo, conclui-se que neste período o ser humano era muito ativo, e consumia somente o que era necessário, além de poluir em pequenas quantidades, já que os únicos poluentes gerados eram restos de alimentos e as necessidades básicas, como fezes e urina. Portanto, devido à quantidade de resíduos gerados ser relativamente baixa em relação à capacidade de “consumo” por parte do ambiente, o equilíbrio ambiental praticamente manteve-se intacto durante esse início da humanidade (ROCHA et al, 2009). Quando algumas técnicas como o cultivo agrícola e a capacidade de domesticar alguns tipos de animais começaram a ser desenvolvidas, a sociedade inicia um estilo de vida antes desconhecido, o homem adota a pastorícia, domina técnicas de controle do nascimento das plantas, utiliza cerâmica para desenvolvimento de novas ferramentas, conhece a tecelagem e por fim, este conforto extingue quase que completamente o nomadismo outrora praticado, o que resulta no início as primeiras colônias de pessoas (as primitivas cidades), sendo justamente este o primeiro passo para o início da contaminação em massa, por parte do homem ao ambiente. Nesse período houve a concentração das poluições em locais únicos, derivados do aldeamento humano, forçando uma evolução das engenharias civil e hidráulica, e então sistemas de coleta de esgoto e captação/distribuição de água, bem avançados para à época. Data por volta de 4500 a.C. os primeiros sistemas de distribuição de água, irrigação e drenagem na Mesopotâmia e no Egito (ROCHA et al, 2009). As represas datam de 2900 a.C. também no Egito, e aquedutos a cerca de 700 a.C. em Jerusalém (ROCHA et al, 2009). Houve também uma preocupação com a higiene, por conta dos detritos gerados pelos moradores das cidades, então as engenharias civil e hidráulica começaram a trabalhar em sistemas para esgotamento dos efluentes gerados.

Grandes sistemas foram criados, principalmente na antiga Roma e Grécia, com a criação de latrinas comunitárias com sistemas de água corrente que levavam os dejetos para os locais de escoamento conhecidos como Cloacas Máximas de Roma, que eram grandes dutos de pedra construídos abaixo da terra e permitiam que os dejetos escoassem até os rios (ROCHA et al, 2009). A evolução tecnológica para as construções de saneamento básico avançou de forma intensa nessa época, juntamente com isso a percepção de higiene da população, visto que doenças eram causadas pelo acúmulo de dejetos e águas paradas e poluídas, fazendo com que se levantassem diversas considerações a respeito do surgimento das enfermidades, causadas por vírus e bactérias. Tais considerações influenciaram muito a criação das tecnologias de esgotamento dos efluentes gerados nas casas e nos centros comunitários das cidades. Depois surgiu um período obscuro para as ciências e para a saúde da humanidade, compreendido entre 400 e 1400 a.C., e denominado como Idade Média (ROCHA et al, 2009). Crises endêmicas ocorreram em todo mundo medieval, e eram agravadas cada vez mais pela falta de higiene. A igreja proibia diversos hábitos, porque eram condenados como pecado, e então uma estagnação tecnológica ocorreu: diversos cientistas caçados e mortos pela inquisição promovida pela Igreja. O crescimento populacional foi intenso, por isso, a geração de resíduos sólidos e líquidos cresceu imensamente, e tais resíduos não eram destinados corretamente, mas sim jogados nas ruas, porões e locais públicos, onde permaneciam, gerando quantidades imensas de detritos que emitiam gases com odor forte e característico. Também serviam de alimentos para animais transmissores de doenças como ratos, por exemplo. Durante este período uma terrível doença acometeu a Europa medieval, conhecida como a peste negra ou peste bubônica, que é originária da Ásia Central. Essa doença chegou a Europa por intemédio de ratos que continham pulgas em seus corpos e transportavam a bactéria causadora da doença. Devido à falta da higiene da população, as pessoas eram picadas por esses animais e contraiam uma doença mortal, que extinguiu cerca de 60 milhões de pessoas por toda a Europa (PAULINO, 2007). Durante essa ocorrência em meio ao desespero de toda a população, medidas de coletas e remoção de todos os detritos começaram a ser realizadas, a fim de tentar conter a doença. Então, a tecnologia de destinação de efluentes começou a se desenvolver novamente e as medidas de higiene foram retomadas. Seguiram as recomendações dos cientistas. No século XVII, a ideia estabelecida com base na teoria miasmática de Thomas Sydenham e Giovanni Lancisi, onde as doenças eram originadas dos odores das matérias orgânicas podres contidas no solo e águas contaminadas, vem ao encontro do estudo de John Snow sobre a epidemia de cólera em Londres, retardando, por aproximadamente 20 anos a aceitação de suas ideias que relacionavam o consumo da água contaminada pelas fezes dos doentes ao surto da doença na época.

Então, somente após a chegada da era industrial, século XVIII, que a intensa poluição das águas, ar e solo provocou o início de uma série de estudos relacionados ao tratamento dos efluentes gerados das atividades antrópicas (ROCHA et al, 2009). A fim de evitar que ocorresse o abandono das cidades ou a detenção do progresso. As autoridades constataram que a poluição antrópica era a grande causadora das doenças e da diminuição dos recursos naturais, tão necessários para a vida e para o progresso humano, industrial e tecnológico. Por isso, foi necessário dar início às primeiras formas de tratamento e destinação aos efluentes de forma efetiva. Foi em Londres, no ano de 1829, que a primeira estação de tratamento de água utilizando filtros de areia, que retiravam 99% dos contaminantes da água surgiram. Em 1887, na Alemanha, surge o primeiro sistema mecânico de tratamento de esgoto doméstico. O cloro, em 1902, passou a ser utilizado como agente de desinfecção (ROCHA et al, 2009). Com toda a preocupação causada pelos efluentes gerados no mundo, a evolução dos tratamentos até os métodos convencionais, o surgimento de leis para controle dos descartes de resíduos líquidos, sólidos e gasosos, tornam cada vez mais rigorosos os sistemas de controle para o destino dos residuais. No Brasil, assim como todo o resto do mundo, doenças ocorreram ao longo dos diversos períodos, contudo, como teve sua colonização após as eras mais trágicas do mundo, surgiram durante este período, os sistemas de tratamento e distribuição de água, apesar de inadequados, já eram instalados e preparados para as colônias. No entanto, no Brasil, ainda, permanece com precárias condições de saneamento básico: 75% de toda a população abastecida com a coleta de esgoto (MACEDO, 2007), e apenas 36% do esgoto coletado é tratado adequadamente (COMIM, 2013). Contudo, os processos são estudados e melhorados, hoje 40% do esgoto coletado é tratado no Brasil, estudos antigos previam que em 2015, o país teria 85% de seu esgoto tratado, porém, tal fato já se considerava de improvável acontecimento, visto que o investimento neste setor não é dos maiores. Este artigo vem apresentar um breve resumo do avanço do Brasil no quesito ambiental, bem como apresentar métodos avançados para o tratamento de água, que apresentam um maior rendimento em relação ao processo comum, que será brevemente descrito a seguir.



Leia o estudo completo: estudo-do-processo-oxidativo-avancado-como-uma-alternativa-tecnologica-e-eficaz-no-tratamento-de-efluentes



Fonte: Portal Tratamento de Água

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