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Sumário da água

Blog da REBOB

Com revitalização da Orla, canal do Rio Matinhos vira refúgio para biguás e garças


Os biguás encontraram um lugar calmo e propício para a alimentação na região do Rio Matinhos Foto: Consórcio DTA/Acquaplan


A fauna do Litoral do Paraná ganhou novos pontos para descanso e alimentação com a restruturação da Orla de Matinhos por parte do Governo do Estado. Se tornou comum encontrar na desembocadura do canal do Rio Matinhos, onde foram construídos os guias de correntes, agrupamentos de aves aquáticas da espécie Nannopterum brasilianus, conhecidas popularmente como biguá ou mergulhão, e também uma variedade de garças, da família Ardeidae.


Segundo especialistas, a estrutura marítima foi responsável por deixar as águas da região mais calmas, propícias para as aves. O projeto de reestruturação do balneário funciona para proteger a costa oceânica da força das ondas, das cheias da maré e para facilitar o escoamento das águas pluviais para o mar, com auxílio da macrodrenagem, diminuindo os casos de enchentes no município.


“A estrutura instalada no Rio Matinhos é a mais alongada e curva entre os guias de correntes (são 327 metros de extensão), semelhante ao formato da letra J. Esse equipamento minimiza o impacto das ondas que prevalecem de Sul para o Norte, tornando as águas mais calmas e fortalecendo o repouso desses animais”, explica José Luiz Scroccaro, diretor de Saneamento Ambiental e Recursos Hídricos do Instituto Água e Terra (IAT), autarquia estadual responsável pela obra.


“Além disso, há uma disponibilidade farta de pequenos peixes que ficam no encontro da água salgada com a doce, facilitando a busca por alimento dessas aves”, acrescenta.


CARACTERÍSTICAS – Os biguás procuram locais tranquilos e protegidos à beira da água para o repouso do grupo, secagem e limpeza da plumagem. Eles se alimentam de pequenos vertebrados e invertebrados e utilizam os ambientes rasos para obter maior sucesso durante o chamado “forrageamento”, denominação para o comportamento de procurar recursos alimentares na natureza.


As garças vivem aos bandos, frequentam rios, lagoas, praias marítimas ou manguezais de pouca salinidade, e se alimentam principalmente de peixes, sapos e outros animais aquáticos, espécies em abundância no Litoral.


Com as condições estruturais adequadas, a presença de um grande número destas aves na região, no encontro do Rio Matinhos com o mar, pode ser considerada normal, visto que se trata de uma das espécies mais comuns e abundantes nos ambientes costeiros do Brasil.


“O nosso monitoramento sempre avistou biguás pelo município, entretanto, no Rio Matinhos, com este número de indivíduos agrupados, foi a primeira vez. Então, a partir de agora, esse local terá uma atenção especial”, destaca Thelma Scolaro, oceanógrafa e gestora da equipe técnica do Consórcio DTA/Acquaplan, responsável pelos programas de monitoramento ambiental durante a execução da revitalização da Orla de Matinhos.

EXEMPLOS – Esse não é o primeiro exemplo de impacto da obra no ecossistema local. Estudo realizado pelo Consórcio DTA/Acquaplan mostra que foram avistados 56 grupos de botos-cinzas (SotaliaGuianensis) e toninhas (Pontoporiablaenvillei), espécies que correm risco de extinção, além de outros animais costeiros.


Já as corujas-buraqueiras (Athene cunicularia) e caranguejos maria-farinha (Ocypode quadrataforam atraídos pela engorda da faixa de areia e o replantio da restinga. Maria-farinha são crustáceos amarelos que se alimentam de tatuíras, mariscos, insetos e outros animais mortos trazidos pela maré. As corujas-buraqueiras, por sua vez, são conhecidas por cavar buracos no meio da vegetação das dunas para construir ninhos.

OBRA – A primeira fase da Orla de Matinhos está 92,8% concluída e deve ser entregue no segundo semestre deste ano. O investimento do Governo do Estado é de R$ 354,4 milhões ao longo de uma extensão de 6,3 quilômetros, entre o Morro do Boi e o Balneário Flórida.


A intervenção inclui a execução de serviços de engorda da faixa de areia por meio de aterro hidráulico, estruturas marítimas semirrígidas, canais de macrodrenagem e redes de microdrenagem. Além do sistema de drenagem, as obras contemplam a melhoria da pavimentação asfáltica e recuperação de vias urbanas.


Em uma segunda etapa, ainda sem previsão para ter início, será recuperado o trecho de 1,7 quilômetro entre os balneários Flórida e Saint Etienne.





Fonte: INSTITUTO ÁGUA E TERRA

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