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Solo: corpo natural da superfície terrestre



O ser humano usa o solo para diversos propósitos: cultivo de plantas, criação de animais, construção de edifícios, disposição de rejeitos sólidos e líquidos como esgoto e até de forma cerimonial como nos enterros dos entes queridos. Fato é que o solo é muito maltratado, sendo constantemente poluído e negligenciado.


O solo não tem finalidade apenas para os seres humanos. Ele é abrigo para seres microscópicos e grandes seres e uma vez que é alterado por alguma atividade humana, todos esses seres são impactados, perdendo suas casas e sendo ceifados. Devido a isso, é importante conhecer o solo e seus constituintes para garantir sua preservação e garantir um ambiente equilibrado para o ser humano e os demais seres vivos. Portanto, este artigo pretende explicar de forma simples sobre os horizontes do solo e como seu entendimento auxilia na compreensão do comportamento de um poluente em suas camadas.


Todo mundo, instintivamente sabe o que é o solo, afinal, o ser humano é um ser que apesar de cosmopolita, é terrestre. Apoiando em Meurer (2004), o solo pode ser entendido como um corpo natural da superfície terrestre que tem em sua constituição materiais orgânicos e inorgânicos resultante da interação entre vários fatores de formação através do tempo, como clima, organismos vivos, material de origem e relevo.


O solo é dividido em camadas, devido ao seu contato com as intempéries e os seres vivos, sendo que essas camadas, na literatura científica, são chamadas de horizontes, que podem ser 5 distintos. É importante observar que essas 5 camadas podem ou não ser observadas em um solo, ou seja, o solo pode ter formado todas ou apenas algumas delas. Ademais, vê-las bem definidas conforme a Figura 1 pode ser quase impossível. Assim, o solo pode possuir o horizonte O ou H, A, E, B e C além da rocha (Meurer, 2004).



Resumidamente, o horizonte O é o orgânico, predominando a matéria orgânica e, em condições de má drenagem, esse horizonte é denominado H. No horizonte A, encontra-se matéria orgânica decomposta e material mineral. O horizonte E é onde ocorre a eluviação, ou seja, há arraste da argila contendo substâncias adsorvidas para os horizontes inferiores, tendo maior concentração de resíduos de areia. O horizonte B é um horizonte de acúmulo ou iluvial, predominando argila, ferro e alumínio. Já o horizonte C contém mineral formado por material não consolidado, com composição químico-física similar a rocha de origem que, por fim, é a última camada, sendo um mineral coeso que deu, ou não, origem ao solo que está acima dela (Meurer, 2004).


E por que entender os perfis que o solo pode ter? A sua importância advém do fato de que entender os perfis do solo e os seus constituintes ajuda a entender qual será o comportamento dos poluentes no solo. Por exemplo, considere diesel infiltrado no solo por um tanque subterrâneo de um posto de combustível sem manutenção que apresenta rachaduras (realidade muito comum no Brasil!). Como é sabido, o diesel é uma substância orgânica, pois apresenta em sua constituição uma cadeia de carbono e hidrogênio. Por ser uma substância orgânica, o diesel fará ligações com as substâncias orgânicas presentes no solo, ou seja, sua matéria orgânica. Portanto, ao saber a constituição do solo, será possível prever qual a extensão que a pluma de contaminação terá no mesmo e o seu comportamento nos extratos do solo.


É importante ter consciência do potencial de contaminação que as substâncias podem ter sobre o solo, pois, na prática, o ser humano não percebe como esse recurso é finito e não renovável, já que, como a Agência Europeia do Ambiente, conhecida pela sigla inglesa EEA, esclarece, dependendo do clima, o solo pode levar cerca de 500 anos para que 2,5 cm dele seja formado (EEA, 2008). Assim, é importante ter consciência e conhecimento sobre esse recurso tão negligenciado, mas de suma importância para as atividades humanas e existência de outros seres vivos.


Por fim, para aqueles que têm interesse em conhecer melhor sobre o solo e suas propriedades e características fica a indicação do livro de Meurer listado nas referências.


Referências:

AGÊNCIA EUROPEIA DO AMBIENTE - EEA. Soil degradation. In:______.Environmental issues. Copenhagen: European Environment Agency, 2008. cap. 3, p. 183-202.

MEURER, Egon José. Fundamentos de química do solo. Porto Alegre: Genesis, 2ª ed., 2004.


Miriam Soares


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