Comitê ataca reclassificação da bacia do Tibagi/PR

29/06/2015

 

(imagem - http://www.panoramio.com/photo/18165413)

 

 

Órgão vê responsabilidade da Sanepar no reenquadramento para a classe 4; decisão sai em agosto
 

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Tibagi realizou reunião no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), em Londrina, para discutir o enquadramento dos afluentes do Tibagi proposto pelo Instituto das Águas, que previa a classificação de trechos dos rios em classe 4, quando os corpos d’água podem receber maior volume de detritos e dejetos. A polêmica surgiu após o comitê voltar atrás na proposta inicial e defender a manutenção da classificação dos rios para no máximo em nível 3.


A reunião foi caracterizada por atritos entre o presidente do comitê, Galdino Andrade, e o gerente geral da Sanepar no Norte do Paraná, Sérgio Bahls, que divergiram sobre o enquadramento dos afluentes, realizado pela última vez em 1991. O encontro terminou sem uma decisão, o que deve ocorrer em nova reunião agendada para o dia 25 de agosto, novamente no Iapar. 


O presidente do comitê explicou que a classificação trata da qualidade da água e comparou o nível 4 com rios de São Paulo, como o Tietê e Pinheiros. Além disso, ele criticou o tratamento de esgoto realizado pela Sanepar. "É um absurdo transformar rios de classes 2 e 3 em 4, pois temos uma empresa que faz o tratamento de esgoto na bacia do Tibagi de maneira ineficiente e libera em torno de 50% da carga orgânica nestes rios", contestou Andrade, que também afirmou que a Sanepar pode ser beneficiada pelo novo enquadramento. "Ao invés de se adequar, a empresa quer o rebaixamento da classificação dos rios para não ser multada", acusou. 


Questionado sobre o motivo do comitê voltar atrás na discussão após aceitar a proposta do Instituto das Águas, Andrade admitiu que houve um erro de avaliação. "Na reunião passada, por falta de conhecimento e até inocência, nós aprovamos essa questão da classe 4. Depois disso, especialistas na área me alertaram do risco e perigo deste enquadramento. Por isso, estamos fazendo todo esse movimento para que a classe 4 seja eliminada da bacia do Tibagi", respondeu. 


O gerente geral da Sanepar esclareceu que o enquadramento não diz respeito ao Tibagi, mas aos afluentes no tratamento de esgoto e sustentou que, atualmente, não existe corpo hídrico adequado para receber os efluentes devido ao crescimento das cidades. "Nós precisamos discutir qual a solução para as maiores cidades, como Londrina. Se você analisar, a Grande São Paulo tem 49 municípios e o Tietê é o que recebe tudo. Nós não estamos falando que o Tibagi vai ser como o Tietê, mas de pequenos rios e riachos que recebem efluentes de esgotos. Esses pequenos corpos receptores precisam ser discutidos", comentou Bahls. 


Além da quarta posição no tratamento de esgoto no Brasil, o gerente informou que a Sanepar investe R$ 50 milhões em obras nas estações de tratamento Norte e Sul para melhorar a eficiência do serviço. Ainda de acordo com ele, 100% do esgoto é tratado com metas progressivas para atender a população. 

 

Ministério Público


A promotora de Defesa do Meio Ambiente, Solange Vicentin, disse que a Secretaria Estadual já emitiu parecer dizendo que o enquadramento não poderia ser feito e adiantou que o Ministério Público pode avaliar a situação, caso a reclassificação seja realizada nos rios de Londrina. "Esperamos que o comitê avalie bem essa questão e não aceite essa proposta para preservação dos recursos hídricos no Estado", cobrou.

 

Rafael Fantin

Para mais informações: http://www.folhaweb.com.br/

 

 

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