Seminário no Peru abordou a gestão da água em bacias transfronteiriças e mudanças climáticas

02/09/2015

O seminário ‘La Gestion del Agua em Cuencas Transfonterizas en el contexto de Cambio Climático’ promovido pelo IRAGER (parceiro do ECO CUENCAS), entre os dias 27 e 28 de agosto, em Piura, Peru, reuniu especialistas em gestão dos recursos hídricos de diversas entidades. O Irager é uma plataforma de Piura que reúne instituições do Estado e da sociedade civil, o trabalho da instituição, está centrado, sobretudo, em contribuir com a gestão dos recursos hídricos das bacias dos rios Piura e Catamayo-Chira.

 

Durante dois dias técnicos do Peru, Brasil e França realizaram exposições em Piura (Peru). Representando a Agência das Bacias PCJ estiveram presentes o diretor administrativo e financeiro, Ivens de Oliveira, e o coordenador de sistema de informações, Eduardo Cuoco Léo, que realizou uma exposição sobre a governança da água e uso de mecanismos de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) nas Bacias PCJ.

 

Destaque entre as presenças internacionais, Nicolas Bourlon, engenheiro ecólogo, doutor em ecologia, consultor do Office Internacional de l’eau, faz uma análise sobre o seminário e as questões pertinentes à gestão dos recursos hídricos na Europa e na América Latina. Segundo ele, são poucos os países que possuem mecanismos de cobrança para financiar obras de interesse geral nas bacias e, apenas Brasil e França (Guiana Francesa, Guadalupe e Martinica) têm Comitês de Bacia com poder deliberativo, ou seja, que aprovam orçamentos e Agências de Água ou de Bacias, como a Agência das Bacias PCJ ou o Office de l’Eau de Guyane, que financiam obras.

 

“Outra constatação é o valor baixo dos valores arrecadados com a cobrança pelo uso da água e a necessidade de incorporar ações de adaptação às mudanças climáticas nos planos de bacias para prevenir ou mitigar o impacto de eventos extremos”, disse Nicolas.

 

Sobre o Projeto Cuencas, que atua sobre o estudo e gestão de bacias hidrográficas no Brasil, Colômbia, Peru e Equador, Nicolas afirmou: “O projeto é uma oportunidade de fazer o balanço da implantação de organismos de bacias em quatro países da América do Sul que tiveram avanços importantes nos últimos anos na implantação de sistemas de gestão”, disse. “Foram selecionados projetos-pilotos para demonstrar, de maneira prática, a relevância dos mecanismos redistributivos para uma gestão integrada dos recursos hídricos e uma melhor resiliência. Esses mecanismos redistributivos são, por exemplo, a cobrança pelo uso da água ou o pagamento pela proteção da cobertura vegetal, os chamados PSA, que contribuem para manutenção da oferta de água, em qualidade e quantidade, para a sociedade, os Fundos de Água. Vale ressaltar que o formato do projeto é inovador, pois as atividades do projeto são realizadas pelas instituições parceiras. É um projeto participativo, com coordenação do Office, e as ações e estudos devem ser realizados localmente por profissionais das bacias, como é o caso nas bacias francesas, por exemplo.


Previsto para ter duração de três anos, o Projeto Cuencas deverá sistematizar e divulgar as boas práticas identificadas nas bacias piloto e nas bacias parceiras Europeias (França, bacia do Arno na Itália, Bacia do Júcar na Espanha) e no âmbito da REBOB, RELOC e RIOB no que diz respeito, à resiliência e implementação de mecanismos redistributivos para que a sua possível aplicação por outros organismos de bacia da América Latina, no Caribe e na Europa. Espera-se apresentar resultados e recomendações no 8° Fórum Mundial da Água, que será realizado em Brasília em 2018.

 

 

Para mais informações: www.agenciapcj.org.br

Please reload

Criatividade Coletiva - Inteligência de Marketing para Eventos