Brasil, Peru e Bolívia olham além das fronteiras para melhorar a interação entre homem e natureza na Amazônia

10/04/2016

 

Mobilização quer garantir a conservação da bacia do rio Acre, uma área de mais de 310 mil quilômetros quadrados que conecta os três países (© WWF-Brasil/Kennedy Souza)

 

 

Organizações do Brasil, Peru e Bolívia acabam de dar mais um passo para tentar organizar o uso dos territórios e do recursos naturais de uma área de cerca de 310 mil quilômetros quadrados na bacia do Rio Acre, que conecta os três países amazônicos.
 
Pesquisadores, representantes dos governos e da sociedade civil desses países se reuniram em Rio Branco (AC) no mês passado para conhecer e treinar o uso de uma ferramenta que vai  ajudar a mapear os serviços ambientais providos pela floresta, entre os quais, o fornecimento de água potável e ar puro, o sequestro de carbono, a polinização e a regulação do clima.
 
Para isso, os especialistas utilizarão modelos existentes nos softwaresInVEST e RIOS, capazes de possível calcular como  as interferências humanas no ecossistema podem afetar a oferta de  tais serviços. A ferramenta também permite gerar cenários futuros e apoiar a gestão territorial e ambiental e a tomada de decisões estratégicas para as localidades. Tudo para melhorar o uso dos recursos naturais da bacia.
 
Validação
 
O desafio agora é consolidar os mapas de uso e cobertura do solo, relacionando-os com os serviços ecossistêmicos. “A oficina é parte fundamental para validar o zoneamento junto às autoridades nacionais peruanas”, explica Javier Ricardo Castro trabalha na Gerência Regional de Planejamento da Província de Madre de Díos, no Peru.
 
Os gestores das Secretarias Estaduais de Produção, do Instituto de Meio Ambiente e do Instituto de Mudanças Climáticas do Acre, parceiros do trabalho do WWF na Amazônia, além de servidores da Embrapa Acre e da Universidade Federal do Acre (Ufac) representaram o Brasil durante o encontro. Do lado peruano, vieram os secretários de Meio Ambiente da província e de alguns municípios de Madre de Díos. Da Bolívia, havia pesquisadores das universidades de Pando e Cochabamba.
 
Os escritórios WWF de Brasil, Peru e Bolívia participaram como facilitadores e organizadores do evento. A Universidade de Stanford, a Universidade de Minnesota e a The Nature Conservacy (TNC) apoiaram a iniciativa. 
 
Para o diretor geral da Embrapa Acre, Eufran do Amaral, as ferramentas que estão sendo testadas serão úteis no ordenamento dos Territórios Indígenas do Acre, assim como para o trabalho de valoração dos serviços ambientais. “A ferramenta também poderá contribuir para o inventário estadual de emissão de gases de efeito estufa do Acre”, disse.
 
Planejamento futuro
 
O trabalho terá continuidade com uma nova oficina no início de Maio, em que os participantes compartilharão dados, informações e resultados da aplicação dos softwares em suas regiões. Em seguida, darão início ao planejamento integrado.
 
 
“Nosso objetivo é pensar o uso da terra nessa região para as próximas três décadas. Queremos um plano de ação que considere o trabalho colaborativo trinacional, disse o analista de conservação do WWF-Brasil, Kennedy Souza.
 
Políticas públicas
 
A diretora do Instituto de Mudanças Climáticas (IMC) do Acre, Magaly Medeiros, ressaltou a importância política da ação entre os países. “A iniciativa liderada pelo WWF não integra apenas dados científicos, mas também as políticas públicas”, afirmou.
 
André Dias, coordenador da Estratégia de Combate ao Desmatamento e de Incentivo à Economia Florestal da Iniciativa Amazônia Viva da Rede WWF reforçou que a intenção é fortalecer capacidades técnicas de atores sociais do Brasil, Peru e Bolívia, com apresentação de novas ferramentas do uso do solo.
 
 “Considerar os serviços ecossistêmicos na formulação de políticas e gestão da terra pode economizar custos futuros para os municípios, pode melhorar economias locais, a qualidade de vida e garantir meios de subsistência às populações locais”, afirmou.

 

Para mais informações: www.wwf.org.br

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