Flora Aquática

02/05/2016

Conheça cinco curiosidades sobre o mundo das plantas que vivem sobre rios e lagos, ou mesmo, embaixo deles

 

Cristiane Mendonça

 

 Vitória-régia: planta aquática que suporta até 40 quilos bem distribuídos pela folha - Imagem: Dollarphotoclub

 

 

No mês de março, em que se celebra o “Dia Mundial da Água”, a Ecológico fez uma viagem pelo universo das plantas aquáticas, tipos de vegetação que adornam lagoas e rios e colaboram para o equilíbrio dos ecossistemas. E que, devido à ação humana, podem se tornar um sinal de desequilíbrio ambiental e contaminar corpos hídricos. Ficou curioso? Então saiba mais, a seguir, sobre as plantas que podem desempenhar o papel de mocinhas e vilãs da natureza:

 

Quem são elas?

 

Plantas aquáticas são vegetações adaptadas ao meio hídrico e classificadas pelos pesquisadores como macrófitas (macro = grande, fita = planta). Pelo fato de constituírem um grupo amplo de variações, essas plantas recebem sete diferentes classificações conforme seu modo de vida, que podem designar vegetais que habitam desde brejos até ambientes totalmente submersos. Esse grupo inclui desde macroalgas até plantas com folhas que podem atingir 2,5 m de diâmetro e suportar até 40 kg bem distribuídos, como avitória-régia (Victoria amazonica).

 

Flor-de-lótus

 

Uma das plantas aquáticas mais conhecidas no mundo é a flor-de-lótus (Nelumbo nucifera). Seu hábitat natural são os pântanos, onde ela cresce se nutrindo das águas permeadas por lodo e lama. Mas, ainda que “sua morada” possa parecer um ambiente inóspito, a flor-de-lótus cresce bela e imponente. Outra curiosidade interessante sobre esta espécie é que todas as noites sua flor se fecha e ela submerge, voltando apenas no dia seguinte, tão bonita quanto no dia anterior. Tudo porque ela possui micro-organismos que repelem a sujeira. Características que fizeram da flor um símbolo, principalmente, das religiões orientais, que veem na espécie uma metáfora do progresso da condição humana ao superar as adversidades.

 

Imagem: Sixtybolts

 

Beleza interior

 

Não tão bela como a flor-de-lótus, porém bem mais comum em terras brasileiras, é a taboa (Typha Domingensis). A planta é perene. Possui uma espiga marrom e seu caule cilíndrico pode atingir até três metros de altura. Seu crescimento desordenado pode representar risco de desequilíbrio, já que é capaz de abafar outras plantas e reduzir as áreas abertas de espelhos d’água. Ainda assim, é um vegetal que tem grande capacidade de absorver metais pesados, podendo servir para limpeza de águas contaminadas. Sua fibra é durável e resistente, sendo utilizada como matéria-prima no artesanato de bolsas, caixas e até móveis.

 

Imagem: Marco Rossink/Domínio Público

 

Salve o buriti!

 

buriti (Mauritia flexuosa), reverenciado nas obras do escritor mineiro Guimarães Rosa, é também classificado como uma planta aquática. A palmeira, comum no Cerrado, cresce apenas em regiões úmidas - as veredas - e sua presença indica que a água é de boa qualidade. Infelizmente, a palmeira está incluída na lista de espécies ameaçadas de extinção, já que seu hábitat vem sofrendo com a crise hídrica e a expansão desordenada da agricultura. Mesmo ameaçado, do buriti tudo se aproveita: seus frutos são utilizados na culinária e na obtenção de óleos, tanto para indústria de cosméticos quanto na medicina natural, além do uso da madeira para construção de móveis. 

 

 Imagem: Thiago Fernandes

 

Indicadores biológicos

 

Sabe aqueles rios cujas águas parecem estar literalmente verdes? Ou ainda outros completamente cobertos por aguapés (Eichhornia crassipes)? Esse fenômeno é chamado de “eutrofização”. Trata-se de um processo de multiplicação de plantas, comum em corpos d'água sem tanta movimentação, como lagos e represas. Quando as plantas aquáticas crescem de forma desordenada, elas indicam dois problemas: o primeiro é que a quantidade de nutrientes como nitrogênio e fósforo, comuns em esgotos domésticos, estão altas. O segundo é que ao formar uma cortina verde sobre a superfície, elas impedem a passagem de luz e a realização da fotossíntese. Assim, o nível de oxigênio diminui, causando a morte da biodiversidade aquática, como os peixes. Péssimo sinal!

 

Imagem: Hans Hillewaert

 

Fonte: http://www.revistaecologico.com.br/materia.php?id=99&secao=1719&mat=1968

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