Hidro diplomacia: Uma ideia nova para amenizar velho conflitos

24/04/2017

Esta é uma expressão  nova que sugere cooperação e não conflito na mediação de interesses internacionais que envolvem água.
 

A água é o mais básico de todos os direitos humanos e um elemento central para os assuntos globais e para a agenda de desenvolvimento, tendo implicações na paz e na segurança internacionais. Segundo a ONU a escassez de água deveria gerar cooperação e não conflito. A Organização das Nações Unidas diz que a comunidade internacional precisa se preparar para a nova era da “hidro diplomacia”, à medida que a escassez de água ameaça mergulhar o mundo em um período de tensão geopolítica.

 

A primeira pessoa a empregar esta expressão foi   Jan Kenneth Eliasson, diplomata sueco que foi vice-secretário-geral das Nações Unidas e que deixou o cargo em 2016. Por quase um quarto de século, Eliasson tornou-se um incansável   defensor do direito à água e  saneamento para todos.

 

De acordo com dados da ONU  1,8 bilhões de pessoas bebem água contaminada em todo o mundo; 2,4 bilhões de pessoas carecem de saneamento melhorado. Nos clubes dos países pobres, 90% do esgoto não tratado é lançado em rios, lagos e áreas costeiras. Estima-se que 800 a 900 crianças menores de cinco anos morrem diariamente de doenças diarreicas.

 

No meio dessa desigualdade e exclusão pela água,  não há como  se desenhar uma  linha nítida entre paz, segurança, desenvolvimento e direitos humanos sem passar pelos recursos hídricos. De acordo com Eliassar  “em todo o mundo, a escassez de água pode se tornar um motivo de conflito. As secas são a condução de pessoas do campo para as cidades, aumentar as pressões crescentes sobre a água, que pode levar à instabilidade. Um longo período de seca e suas consequências pode ter sido um dos fatores por trás da guerra na Síria”, avalia ele. E completa: “Secas ainda reduzem a produção agrícola o que pode levar ao aumento dos preços no mercado. Quando os preços de alimentos básicos sobem, agitação civil pode seguir. Facilmente água torna-se uma fonte de conflito quando  há desiguladade na sua distribuição. “

 

Neste viés algumas organizações internacionais já se movimentam tentando criar uma rede de competências e cooperações entre as nações, buscando negociações diplomáticas ao invés  de -  e na tentativa de evitar – conflitos.   Entre estas instituições internacionais está a UNESCO, através do PHI (Programa Hidrológico Internacional) e o WWC (World Water Council),  a RELOC (REDE LATINO-AMERICANA DE ORGANISMOS DE BACIAS) e RIOB (REDE INTERNACIONAL DE ORGANISMOS DE BACIAS), entre outros.   

 

No Brasil instituições também estão atentas para este novo movimento diplomático, como por exemplo, a ANA – Agência Nacional de Águas – e a REBOB (REDE BRASIL DE ORGANISMOS DE BACIAS). 


A BUSCA DE ALTERNATIVAS PARA CONFLITOS E INTERESSES DIVERGENTES EM TORNO DA ÁGUA SERÁ  UM DOS TEMAS DEBATIDOS NO 8º FÓRUM MUNDIAL DAS ÁGUAS,  QUE ACONTECE EM BRASÍLIA EM 2018.

 

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