Toras de eucalipto ressuscitam rio no Espírito Santo

24/04/2017

Técnica  é utilizada pela 1ª vez no Brasil  e faz  com que a quantidade de peixes  do rio Mangaraí aumente  em 80% em um ano. Troncos colocados no rio  reduzem velocidade das águas,  aumenta infiltração e retém sedimentos.

 

 

Pesquisadores foram  buscar no Reio Unido  a  tecnologia  que utiliza  a própria natureza para revitalizar rios  que utiliza a própria natureza como instrumento e que foi muito bem sucedida aplicada aos afluentes do rio Tâmisa.  O projeto  consiste em colocar  troncos de árvores, fortemente amarrados  em vários pontos do rio  formando redutos. A estrutura consegue reduzir a velocidade da água, o que permite uma maior infiltração no lençol freático. Esta técnica está sendo usada pela primeira vez na América Latina e Brasil é o país pioneiro.  O alvo do projeto foi o Mangaraí, um dos principais afluentes da margem direita  do rio Santa Maria da Vitória, que abastece  Vitória, a capital do Estado e fica em Santa Leopoldina, região serrana do ES.

 

 A utilização de troncos de eucalipto – amarrados com cabos de aço em forma de redutos -  está ajudando a trazer mais vida para o rio e já deu resultados: aumentou em 80% a quantidade de peixes. O diferencial do projeto é utilizar a natureza para recuperar a própria natureza.  Os resultados começaram a aparecer quase um ano após o início do projeto Renaturalize, em um trecho de 200 metros do Rio Mangaraí.

 

Outra vantagem, além de oxigenar a água, é que os troncos também ajudam a reter os sedimentos que descem o rio e que assoreiam não só o afluente, mas também o rio principal. Os troncos conseguem segurar este material. Em um ponto do Rio Mangaraí, em dez meses foram retiradas 67 toneladas de sedimentos. A cientista ambiental Carolina Pinto explica a importância dos troncos. "O desmatamento provoca a perda das curvas naturais do rio. Os troncos são elementos naturais que trazem os meandros do rio de volta”, explicou.

 

O projeto também permitiu um aumento da biodiversidade no rio. Nos remansos formados pelos troncos ficam acumuladas folhas e, com o tempo, um lodo se forma no local. Tudo isso se transforma em alimentos para a fauna, que aproveita o local para se recuperar da correnteza.  Antes da técnica, o fundo do rio era todo homogêneo, o que é nocivo, é como se fosse uma floresta de uma espécie só, então poucos animais sobreviviam nesse ambiente. Com a madeira, formam-se lugares com ramas, cascalho, o que cria maior heterogeneidade, e logo, maior biodiversidade.

 

Projeto é também  educacional

 

Os técnicos  envolveram a comunidade ribeirinha, explicando o processo e os ensinando a fazer a amarração da madeira. As crianças também participaram e frequentemente fazem visitas para aprender os benefícios desta técnica. A intenção é que as crianças sejam agentes dessa mudança e, no futuro,  ajudem a cuidar  do rio.

 

Espírito Santo dá o exemplo
 

O secretário de Meio Ambiente do Espírito Santo, Aladim Cerqueira, afirma que o projeto pode ser estendido a outros rios capixabas. De acordo com ele, “o  que foi feito em 200 metros do rio trouxe resultados muito bons, em um projeto de baixo custo”.  Ainda segundo Aladim,  começam a ser implantados no início do próximo ano outros projetos, com recursos do estado e do banco mundial. Dentre eles a construção de 200 quilômetros de estradas pavimentadas com um tipo de pavimentação que não lança sedimentos nos rios.

 

Também serão construídas 12 mil caixas secas e reflorestados mil hectares. Haverá a construção de fossas para evitar o lançamento de esgoto no rio e o treinamento dos produtores em manejo sustentável do solo. Haverá ainda uma gestão do cadastro ambiental rural.

 

No Espírito Santo,  o projeto ReNaturalize aplicado ao  rio Mangaraí  foi  conduzido pela Aplysia – Soluções Ambientais, que adotou a mesma filosofia de casos bem sucedidos na Inglaterra.  Para tanto, foram mobilizados  a comunidade quilombola, ribeirinha do Rio Mangaraí, a CESAN (que capta e trata a água de abastecimento da Grande Vitória), a Agência Estadual de recursos Hídricos  (AGERH ) com  apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do ES – FAPES/FINEP.

 

A busca de soluções sustentáveis para recuperação de recursos hídricos será um dos temas abordados durante o 8º Fórum Mundial das Águas, que acontece em março de 2018 no Brasil.

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