Pesquisa: Poluição altera PH da água e ameaça vida marinha

19/10/2017

Conduzida por 250 cientistas durante oito anos, pesquisa aponta que criaturas marinhas em estágio inicial de desenvolvimento devem ser as mais prejudicadas.

 

A estrela do mar é uma das espécies mais afetadas pela mudança do PH marinho.

Toda a vida marinha será afetada por causa das emissões de gás carbônico, que vêm elevando a acidez dos oceanos no mundo, revela um novo estudo. A pesquisa, que durou oito anos, foi conduzida por mais de 250 cientistas. Os resultados apontam que criaturas marinhas em estágio inicial de desenvolvimento devem ser as mais prejudicadas pelas mudanças. O estudo foi conduzido em laboratório e também nos mares do Norte, Báltico, no Oceano Ártico e na Papua Nova Guiné.

 

Um exemplo é o bacalhau. Segundo os cientistas, com a acidificação dos oceanos, 25% dos filhotes chegariam à fase adulta - no pior cenário, apenas 12% sobreviveriam. As constatações foram feitas pelo projeto Bioacid, liderado pela Alemanha. O resumo das principais descobertas do estudo será apresentado a negociadores do clima em novembro, numa cúpula em Bonn, na Alemanha.

 

Plataforma de testes no mar. (Foto: BBCBrasil.com)

Mas nem todas as espécies estão ameaçadas. Os impactos biológicos da acidificação dos oceanos, explicam os cientistas, podem beneficiar diretamente alguns animais. Ainda assim, mesmo esses podem ser afetados com as alterações na cadeia alimentar marinha.

 

Esse processo de acidificação tende a se agravar com mudanças climáticas, poluição, desenvolvimento urbano no litoral, uso de fertilizantes agrícolas e pesca predatória.

 

O nível de acidez está aumentando porque, à medida que o dióxido de carbono de combustíveis fósseis se dissolve na água do mar, produz ácido carbônico e reduz o pH da água. O pH médio identificado na superfície da água caiu de 8,2 para 8,1, o que representa um aumento na acidez de cerca de 26%.

 

O estudo foi liderado pelo professor Ulf Riebesell, do Centro Helmholtz de Pesquisas Oceânicas (Geomar) em Kiel,  na  Alemanha. Considerado uma das maiores autoridades do mundo no assunto, ele tem mantido a cautela ao falar sobre efeitos da acidificação. Mesmo assim ele disse que todos os grupos marinhos serão afetados pelas mudanças químicas, ainda que em diferentes níveis. "Corais de águas aquecidas são geralmente mais sensíveis do que corais de água fria. Já os moluscos e os caracóis são mais sensíveis do que os crustáceos", explicou o especialista.

 

"Também identificamos que essas mudanças geram maior impacto em filhotes do que em adultos", completou. Desde 2009, pesquisadores que trabalham no programa Bioacid têm estudado como espécies marinhas estão sendo afetadas pela acidificação em diferentes fases da vida e seu impacto na cadeia alimentar. Também tentam verificar se há como reduzir os efeitos pela adaptação evolutiva da fauna e flora.

 

Um resumo de mais de 350 publicações acadêmicas sobre os efeitos da acidificação - que será apresentado no próximo mês - revelou que quase metade da fauna marinha testada reagiu de forma negativa ao aumento, ainda que moderado, da concentração do dióxido de carbono.

 

Entre as espécies ainda em crescimento no Atlântico, bacalhau, mexilhão-azul, estrela-do-mar, ouriço e borboleta-marinha aparecem como as mais afetadas pela mudança no pH da água.


Fonte: BBC

 

 

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