Parceiros do Descoberto definem ações estratégicas para a conservação da bacia

01/03/2019

 

Evitar a conversão de áreas rurais em urbana, adotar políticas públicas para a permanência do produtor no campo e inserir custos de conservação na tarifa de água foram as principais estratégias definidas para o Plano de Conservação da Bacia do Alto Descoberto, no 1° Workshop sobre o tema. O encontro, realizado na sede da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) reuniu instituições ambientais dos governos Federal, Distrital e de Goiás, além de organizações não governamentais e representantes da sociedade civil, todos parceiros no desenvolvimento de projetos de preservação ambiental para garantir a segurança hídrica da bacia.

 

 

A discussão partiu de estudo apresentado pela TNC (The Nature Conservancy) sobre a situação socioeconômica do Descoberto e o mapeamento do uso do solo.

 

O levantamento identificou o adensamento da expansão urbana na região. “A agropecuária  está sendo pressionada pela valorização do solo", alerta Eduardo Audibert, da Greentec, responsável pelo estudo. “A expansão urbana acaba gerando a supressão da água que é produzida na região, porque a compactação do solo acaba gerando a degradação. O processo é extremamente negativo em uma área de abastecimento de água do DF”, observa.

 

O mapeamento do solo confirma o aumento de áreas impermeabilizadas, decorrentes do crescimento populacional. Segundo Eileen Acosta, da TNC,  35% da área já foram atingidas.  “As áreas impermeabilizadas não permitem que a água entre no solo, no período das chuvas. O solo é uma esponja natural de armazenamento. Ele é recarregado no período chuvoso para disponibilizar a água no período da seca”, afirma.

 

Na avaliação dos técnicos, a situação exige ações urgentes de intervenção para a recuperação das áreas de recarga, com boas práticas de agricultura, restauração florestal e recuperação de áreas de proteção permanente, hoje degradadas. “Sem as práticas de conservação, o solo é carregado pela chuva e levado para o reservatório, que perderá a vida útil se ficar assoreado”, ressalta Eileen. 

 

A construção de um plano de conservação de bacias exige custo. Para financiá-lo,  o consenso é de que a conta deve ser dividida por todos, incluindo o usuário doméstico.  “Se o cidadão não tiver água disponível na torneira, certamente vai perceber que essa cobrança tem valor para ele”, resume Cláudio Klemz, técnico da TNC. “Se a gestão dos mananciais passar a ser considerada no saneamento como um custo operacional, isso significará mitigação de risco para o futuro”.

 

Para o gerente Nacional de Águas da TNC Brasil, Samuel Barreto, o estudo apresentado é a primeira etapa no processo de discussão e implementação de ações. Ele defende o envolvimento de outros órgãos, como os relacionados à questão fundiária, e destaca que a união de esforços é o caminho para um acordo de cooperação de implementação do Programa Produtor de Água do Descoberto, nos moldes do que já existe hoje na Bacia do Pipiripau.

 

Fonte: Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa)

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