Março: mês das mulheres e das águas.

A importância de se envolver as mulheres na gestão das águas é um fato internacionalmente reconhecido, e que a cada ano ganha mais ênfase ao reafirmar, a incorporação da perspectiva de gênero no sentido de um maior envolvimento de representantes do grupo feminino na tomada de decisões públicas relacionadas ao uso deste liquido vital. A água está presente em todas as fases da vida e é o elemento de transformação e força motriz do planeta. Sem água não há geração de vida, cujo caminho está ligado intimamente à mulher. 

 

Essa prerrogativa de inclusão das mulheres na gestão das águas surgiu na Conferência das Nações Unidas de Marel Plata (1977), e posteriormente aparece nas declarações da Década Internacional de Água Potável e a Saneamento (1981-1990); a Conferência Internacional sobre Água e Meio Ambiente, em Dublin (1992), que reconhece explicitamente o trabalho fundamental das mulheres na provisão, gestão e proteção da água. Também se faz referência ao envolvimento das mulheres na gestão da água na Agenda 21 (parágrafo 18), e no Plano de Implementação de Joanesburgo (seção 4). Além disso, com a declaração da Década Internacional para a Ação "Água, Fonte de Vida" 2005-2015, apelava à participação e o envolvimento das mulheres nos esforços de desenvolvimento relacionados com a água.

 

Entretanto, apesar das recomendações mencionadas, as mulheres ainda são vozes pouco ouvidas nas políticas públicas. Em uma pesquisa de doutorado, realizada pelo NEOS - Núcleo de Estudos Organizacionais e Sociedade (CEPEAD /UFMG) sobre o Perfil dos representantes membros Comitês de Bacias Hidrográficas no Brasil, dados apontaram que a composição destes organismos é predominantemente masculina. Tendo em vista que o percentual dos homens (69%) é mais que o dobro das mulheres (31%) que participaram da pesquisa.

 

Neste sentido, o REBOB Mulher, acredito eu, pode contribuir para criar pontes ao contar histórias e experiências da presença da mulher para gestão e conservação das águas, especialmente em nosso país. E ao nos aproximarmos que reverbere nossas vozes, que amplifiquem nossas falas pela água, e pela vida.

 

Finalizando, lembro com saudades, o caso de uma grande mulher: Maria Lúcia Brito.

Ela era membro do Conselho Estadual de Recursos Hídricos, representando as comunidades tradicionais, e membro do Fórum Baiano de Comitês de Bacias Hidrográficas, representando o comitê do Leste.

 

Mais conhecida, como Mãe Lúcia, carismática e receptiva, era pertencente a uma comunidade de terreiro, moradora de Itabuna, Sul da Bahia. Ela iniciou seu trabalho na gestão das águas em 2010 (até 2019+), e como ela disse: “comecei a participar, e essa gestão das águas nos encantou” e a “experiência tem sido muito boa, é uma luta constante, mas vamos tentando melhorar... é uma luta aguerrida”, a população está doente; o gado está morrendo. “é uma luta constante, pela melhoria do meu povo, pela inclusão do povo de terreiro na sociedade”.

 

Dentre os muitos ensinamentos, fica a saudade e lembrança eterna dela. Neste dia e para sempre.

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