As mulheres nas gestões das águas

 

O mundo de regras masculinas se reflete no acesso da mulher aos direitos, sendo que as dificuldades nesse acesso apresentam-se mais resistentes e duradouras nas esferas constituídas por recursos disputados no mercado mundial a exemplo dos recursos hídricos, que vem se mostrando como palco de lutas no campo dos recursos naturais. Nessa luta, as mulheres, culturalmente gestoras do uso dos recursos hídricos referentes às necessidades básicas, particularmente da espécie humana, muito recentemente conquistaram alguns direitos de participação na gestão desses recursos hídricos, o que representa um feito importantíssimo. Sua efetivação, no entanto, parece bastante permeada por indefinições, fragilidades e contradições de ordem prática. Se as mulheres, principalmente as trabalhadoras rurais, podem ser membros de associações e conselhos gestores de água, as condições em que ocorre a participação são essencialmente desfavoráveis no aspecto das relações de poder entre os membros definidores da gestão.

 

 

Se é fato que as mulheres, particularmente as rurais, são interlocutoras da água para o consumo humano e a reprodução da vida privada, cabe indagar como elas estão, do mesmo modo que seus correspondentes masculinos, interferindo nas decisões referentes a gestão da água? Como têm contribuído para criar condições ergonômicas favoráveis à sua realidade de usuária, por exemplo, da cisterna? As tecnologias utilizadas em fontes de água para o consumo humano estão em sintonia com a diferença física das mulheres? A sua opinião é considerada numa comissão formada por grandes proprietários rurais que desenvolvem a agricultura demandadora de água remanejável? Os canais de informações a que esses agentes têm acesso são semelhantes aos de um industrial ou grande proprietário que compõe a mesa de negociação, num Comitê de Bacias, por exemplo? Ao participarem de tais Comitês, qual a qualidade dessa participação? Como os Comitês têm chamado as mulheres a participar? Que contribuição elas têm levado aos Comitês de Bacias onde podem se fazer representar? Como elas têm protagonizado no âmbito da política de água. Hoje as mulheres desempenham um papel central no fornecimento, gestão e proteção da agua.

 

Desde a mais instruída das mulheres até a mais carente em termos econômicos, todas, de certo modo, mesmo sem a percepção pontual, em algum momento de suas vidas vão prescindir do maior esclarecimento do papel da mulher na sociedade e a importância da comprometida gestão das águas. Mas o certo é que são os homens que ocupam os espaços participativos para gestão das águas e tomam as decisões finais. Para que a participação não seja considerada extensão das tarefas domésticas, ou, assuma função instrumental, é basilar que as mulheres façam parte das instâncias decisórias. Quando os programas de desenvolvimento não se refiram às mulheres explicitamente, eles contribuem para reforçar a invisibilização das mulheres rurais como produtoras e como sujeitos políticos.

 

As mulheres formam papel principal na provisão, gerenciamento e proteção da água. Este papel de pivô, que as mulheres desempenham como provedoras e usuárias da água e guardiãs do ambiente diário, não tem sido refletido na estrutura institucional para o desenvolvimento e gerenciamento dos recursos hídricos. A aceitação e implementação deste princípio exigem políticas positivas para atender às necessidades específicas das mulheres equipando e capacitando-as para participar em todos os níveis dos programas de recursos hídricos, incluindo tomada de decisões e implementação de modo definido por elas próprias”.

 

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