Francisco Teixeira aposta no planejamento para salvar recursos hídricos

05/07/2019

 Em seminário no Correio, Secretário de Recursos Hídricos do Ceará defendeu que haja ampliação, operação e manutenção da estrutura hídrica de forma planejada

 

"Gestão de água não é sobre gerir o recurso hídrico existente, mas está associada à ampliação, operação e manutenção da estrutura hídrica de forma planejada. Do contrário, há o risco de se ter falta de água”, disse o Secretário de Recursos Hídricos do Ceará, Francisco José Coelho Teixeira em seminário promovido pelo Correio Braziliense e pela Agência Reguladora de águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa).

 

Segundo ele, a escassez hídrica pode se dar por três motivos: irregularidade espacial e temporal das precipitações (déficit hídrico natural), pela expansão urbana e da fronteira agrícola, e por degradação ambiental. Para que isso não aconteça, é necessário pensar em uma política de gestão de recursos hídricos baseada em alguns pilares, que incluem um arcabouço legal e institucional, planos de ampliação, operação e manutenção da infraestrutura hídrica e de segurança de barragens, gestão eficiente da oferta e demanda de água com alocação eficiente de recursos hídricos, controle de perdas e atividades econômicas com uso menos intensivo da água.

 

Segundo ele, é preciso pensar em atitudes de diminuição do uso da água, por exemplo, na agricultura. "Hoje o discurso precisa ser o de redução de utilização de recursos hídricos. Por exemplo, escolher culturas que possuam um uso menos intensivo de água. Substituir a cultura de grand plantation por uma cultura de cultivos protegidos", disse. Ele citou a plantação de banana como um exemplo, que poderia ser substituída pela plantação de caju, ou de pitaya, que demandam menos água.

 

"A banana consome 9mm de água, enquanto o caju consome 1,5mm. É preciso pensar sobre essas substituições. Hortaliças, por exemplo, muitas vezes 4, 5 hectares de plantação de hortaliças equivalem a centenas e centenas de hectares de grama", explicou. Além disso, ele sugeriu trocar a irrigação tradicional por uma irrigação complementar.

 

Teixeira falou também do papel de outorga, cobrança e fiscalização das políticas de águas e explicou que é preciso trabalhar em alguns eixos, como a ampliação de estruturas hídricas, monitoramento qualitativo e quantitativo com o desenvolvimento de mais estudos e projetos.

 

Sobre esse último tema, ele falou da necessidade de investir em previsão de condições climáticas e órgãos de meteorologia. Segundo ele, todas essas ações conjuntas oferecem um aumento na garantia de recursos hídricos para o presente e para o futuro.

 

 

Correio Brasiliense

 

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