Cataratas do Iguaçu registram menor fluxo devido à seca

24/04/2020

A estiagem que atinge grande parte do Sul do Brasil também afeta uma das 7 maravilhas naturais do planeta, as Cataratas do Iguaçu. Grande parte de suas famosas quedas d’água secaram diante da falta de chuvas, criando um cenário desolador.

 

 

Paredões rochosos ficam expostos e quedas d’água desaparecem em meio a seca no Parque Nacional do Iguaçu. Créditos da imagem: Cassiano Rolim/RPC.

As Cataratas do Iguaçu, uma das 7 maravilhas naturais do planeta, tiveram sua vazão drasticamente reduzida devido a seca que assola grande parte do Sul do Brasil, criando um cenário desolador, principalmente para aqueles que já presenciaram suas impressionantes e magníficas quedas d’água!

 

Pelas medições da Companhia Paranaense de Energia (Copel), no dia 05/04 o Rio Iguaçu registrou a menor vazão de 2020 nas Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, no valor de 259 mil litros de água por segundo, que representa somente 17% da vazão normal, de 1.5 milhão. Este volume está bem próximo da última grande seca que ocorreu em julho de 2006, quando a vazão chegou a 245 mil litros de água por segundo.

 

Das 275 quedas d’água que compõe as Cataratas do Iguaçu, a grande maioria está seca, e as quedas maiores, como a famosa Garganta do Diabo, estão com um fluxo bem abaixo do normal. Sem as quedas d’água os paredões rochosos ficaram expostos, mudando completamente o cenário da região.

 

 

 

De acordo com uma nota do Governo do Estado do Paraná, o estado vive a pior estiagem desde que o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) começou a monitorar as condições do tempo em 1997. O levantamento feito pelo Simepar indica que 9 das maiores cidades paranaenses tiveram chuvas bem abaixo da média entre junho de 2019 e março de 2020.

 

Para o conjunto de municípios de Curitiba, Ponta Grossa, Guarapuava, Maringá, Londrina, Cascavel, Guaratuba, Umuarama e Foz do Iguaçu, houve uma redução média de 33% na precipitação. Em Curitiba a situação é ainda pior, a redução de chuvas para este período foi de 43%. O último mês de março foi o mais seco desde 1998 na capital paranaense, que só registrou 12 mm de chuva, muito abaixo dos 127 mm esperados. A falta de chuvas na região de Curitiba acaba afetando a vazão das Cataratas do Iguaçu, já que é onde o Rio Iguaçu nasce.

 

A estiagem também afetou o Rio Paraná, o segundo maior rio da América do Sul, em Foz do Iguaçu. O rio, que é o principal responsável pela geração de energia na Itaipu Binacional, está com seu volume 42% abaixo do normal. Na primeira semana de abril a vazão do Rio Paraná, acima da hidrelétrica, era de 6.7 milhões de litros por segundo, o menor fluxo de água dos últimos 8 anos, segundo a Itaipu Binacional.

 

 

Estiagem no Sul do Brasil

 

A estiagem não é uma situação vivida somente pelo estado do Paraná, mas por toda a Região Sul do Brasil. No início desse mês o estado de Santa Catarina já tinha 27 municípios em estado crítico de abastecimento de água devido a seca, a maioria deles no oeste do estado, onde a situação é mais crítica.

 

No Rio Grande do Sul mais de 200 municípios decretaram situação de emergência devido à seca. O estado tem registrado volumes de chuva abaixo do normal desde dezembro do ano passado, o que tem prejudicado a importante produção agrícola da região. Na capital gaúcha, Porto Alegre, só foram registrados 22.9 mm de chuva no mês de março, 75% abaixo da média histórica do mês.

 

Por Paola Bueno: Meteorologista formada pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP), no ano de 2015, e atualmente mestranda no programa de Meteorologia no mesmo instituto. Nos meus anos de experiência em Meteorologia adquiri amplo conhecimento na área computacional, de análise de dados e na elaboração de previsões de tempo e clima, sempre engajada e determinada em desenvolver novas pesquisas e elaborar produtos meteorológicos que contribuam diretamente com o desenvolvimento científico, a preservação ambiental e a sociedade em geral.

 

Fonte: Tempo.com

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