Monitoramento de fármacos em água superficial e efluente de estação de tratamento de esgoto no município de Dracena/SP

10/07/2020

Autora: Bruna Ragassi

 

 

 

Resumo

 

A qualidade da água é um assunto de crescente preocupação, especialmente devido à presença de fármacos que contaminam o ambiente aquático. Muitos compostos têm sido detectados em efluentes de estações de tratamento de esgoto (ETEs) e águas superficiais em todo o mundo. A ocorrência de fármacos no ambiente pode apresentar efeitos adversos aos ecossistemas aquáticos. O objetivo desse estudo foi avaliar a presença e a concentração dos fármacos diclofenaco, ibuprofeno e naproxeno durante março de 2017 a fevereiro de 2018 em 7 pontos de amostragem, sendo 5 pontos no Córrego das Marrecas – SP e 2 pontos na ETE do município de Dracena – SP. Em cada ponto do córrego foi mensurada a concentração de oxigênio dissolvido (OD), pH, temperatura e sólidos totais dissolvidos (SDT) com auxílio de uma Sonda Multiparamétrica Aquaread AP 2000. Para a identificação dos fármacos, as amostras foram preparadas por microextração líquido – líquido dispersiva e analisadas por cromatografia líquida de alta eficiência. Foi realizada uma análise descritiva para avaliação dos resultados de média, desvio padrão e coeficiente de variação dos parâmetros físico-químicos. Uma matriz de correlação foi aplicada para avaliar a interação entre os parâmetros físico-químicos da água e os fármacos dois a dois. Os três fármacos foram detectados em todos os pontos da ETE e do córrego. A maior concentração do diclofenaco (0,458 mg.L-1 ) foi registrada no ponto de lançamento do efluente da ETE no mês de março. Nesse ponto foi verificada a maior concentração de ibuprofeno (0,120 mg.L-1 ), porém no mês de maio. O naproxeno apresentou a maior concentração (0,040 mg.L-1 ) no mês de abril na nascente do Córrego das Marrecas e a jusante da ETE. Os parâmetros que apresentaram uma correlação significativa foram: ibuprofeno x temperatura, quanto maior a temperatura, menor a concentração de ibuprofeno. Oxigênio dissolvido x sólidos totais dissolvidos, quanto maior os STD, menor a concentração de OD. Oxigênio dissolvido x temperatura, quanto maior a temperatura menor o OD. Mudanças e melhorias devem ser realizadas para que a remoção desses compostos seja total, amenizando a transferência dessas substâncias para os ambientes aquáticos e diminuindo seus riscos para a saúde humana e para o meio ambiente.

Introdução

 

A qualidade da água é um assunto de crescente preocupação, principalmente devido à presença de contaminantes emergentes que atingem o ambiente aquático (IDE et al., 2017). No grupo dos contaminantes emergentes tem sido dada especial atenção aos fármacos, os quais são permanentemente liberados no meio ambiente, por meio das águas cinzas (derivadas dos chuveiros, lavatórios e lavanderias), águas negras (excretas de indivíduos que podem conter medicamentos) e descarte, nas instalações sanitárias, de medicamentos não usados ou com prazos de validade expirados (AQUINO; BRAUDT; CHERNICHARO, 2013).

 

Após a administração (oral, dérmica ou parenteral), os fármacos são parcialmente metabolizados e excretados na urina e fezes e, consequentemente, entram nas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) por meio do esgoto (TAMBOSI, 2008). Uma vez nas ETEs, os fármacos e respectivos metabolitos podem ser degradados, parcialmente degradados ou resistir aos processos de tratamento, permanecendo inalterados (BILA; DEZOTTI, 2003). Os fármacos podem ser degradados por meio de processos bióticos (filtros biológicos) e abióticos (oxidação, hidrólise ou fotólise) (GAFFNEY et al., 2014), além de remoção por processos físico-químicos, diferentes transformações podem ocorrer com os fármacos, podendo haver a formação de produtos de degradação, com comportamento ambiental e características ecotoxicológicas distintas do composto original (SECONDES et al., 2014).

 

As ETEs normalmente utilizam processos biológicos como principal tecnologia e, em poucos casos, utilizam técnicas complementares de tratamento (AQUINO; BRAUDT; CHERNICHARO, 2013). Como consequência dessa baixa eficiência de remoção pela maioria das ETEs, muitas dessas substâncias são lançadas com os efluentes nos meios receptores hídricos e disseminadas pelos meios aquáticos (MIRANDA, 2014).

 

A contaminação do meio ambiente por produtos farmacêuticos ocorre a partir de fontes antropogênicas pontuais, que contemplam uma única fonte identificável que se origina em locais isolados, como lixiviado de aterros sanitários e emissários de efluentes, bem como por fontes difusas que podem ocorrer de forma discreta por extensas áreas e que apresentam maior potencial de atenuação natural pelo ambiente receptor devido às menores concentrações, como exemplo vazamentos de esgotos (BISOGNIN; WOLFF; CARISSIMI, 2018).

 

Estudos mostram que, mesmo em concentrações extremamente baixas (ng.L – 1 ), os fármacos podem promover alterações no sistema endócrino dos organismos aquáticos desencadeando efeitos adversos como a interferência no crescimento, desenvolvimento e/ou reprodução desses organismos (BARCELÓ; PETROVIC, 2008; CUNHA et al., 2017).

 

Tendo em vista que os produtos farmacêuticos são originalmente fabricados para causar efeitos biológicos específicos (KÜMMERER, 2009) e que ainda não há regulamentação abrangente para concentrações no meio ambiente (GARZACAMPOS et al., 2016), esses compostos têm despertado crescente preocupação entre pesquisadores devido à sua ocorrência, persistência e potencial ecotoxicológico no meio ambiente e à saúde dos seres humanos (BISOGNIN; WOLFF; CARISSIMI, 2018).

 

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Fonte: Portal Tratamento de Água

 

 

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