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Toras de eucalipto ressuscitam rio no Espírito Santo

Técnica é utilizada pela 1ª vez no Brasil e faz com que a quantidade de peixes do rio Mangaraí aumente em 80% em um ano. Troncos colocados no rio reduzem velocidade das águas, aumenta infiltração e retém sedimentos.


Pesquisadores foram buscar no Reio Unido a tecnologia que utiliza a própria natureza para revitalizar rios que utiliza a própria natureza como instrumento e que foi muito bem sucedida aplicada aos afluentes do rio Tâmisa. O projeto consiste em colocar troncos de árvores, fortemente amarrados em vários pontos do rio formando redutos. A estrutura consegue reduzir a velocidade da água, o que permite uma maior infiltração no lençol freático. Esta técnica está sendo usada pela primeira vez na América Latina e Brasil é o país pioneiro. O alvo do projeto foi o Mangaraí, um dos principais afluentes da margem direita do rio Santa Maria da Vitória, que abastece Vitória, a capital do Estado e fica em Santa Leopoldina, região serrana do ES.


A utilização de troncos de eucalipto – amarrados com cabos de aço em forma de redutos - está ajudando a trazer mais vida para o rio e já deu resultados: aumentou em 80% a quantidade de peixes. O diferencial do projeto é utilizar a natureza para recuperar a própria natureza. Os resultados começaram a aparecer quase um ano após o início do projeto Renaturalize, em um trecho de 200 metros do Rio Mangaraí.


Outra vantagem, além de oxigenar a água, é que os troncos também ajudam a reter os sedimentos que descem o rio e que assoreiam não só o afluente, mas também o rio principal. Os troncos conseguem segurar este material. Em um ponto do Rio Mangaraí, em dez meses foram retiradas 67 toneladas de sedimentos. A cientista ambiental Carolina Pinto explica a importância dos troncos. "O desmatamento provoca a perda das curvas naturais do rio. Os troncos são elementos naturais que trazem os meandros do rio de volta”, explicou.


O projeto também permitiu um aumento da biodiversidade no rio. Nos remansos formados pelos troncos ficam acumuladas folhas e, com o tempo, um lodo se forma no local. Tudo isso se transforma em alimentos para a fauna, que aproveita o local para se recuperar da correnteza. Antes da técnica, o fundo do rio era todo homogêneo, o que é nocivo, é como se fosse uma floresta de uma espécie só, então poucos animais sobreviviam nesse ambiente. Com a madeira, formam-se lugares com ramas, cascalho, o que cria maior heterogeneidade, e logo, maior biodiversidade.

Projeto é também educacional


Os técnicos envolveram a comunidade ribeirinha, explicando o processo e os ensinando a fazer a amarração da madeira. As crianças também participaram e frequentemente fazem visitas para aprender os benefícios desta técnica. A intenção é que as crianças sejam agentes dessa mudança e, no futuro, ajudem a cuidar do rio.


Espírito Santo dá o exemplo

O secretário de Meio Ambiente do Espírito Santo, Aladim Cerqueira, afirma que o projeto pode ser estendido a outros rios capixabas. De acordo com ele, “o que foi feito em 200 metros do rio trouxe resultados muito bons, em um projeto de baixo custo”. Ainda segundo Aladim, começam a ser implantados no início do próximo ano outros projetos, com recursos do estado e do banco mundial. Dentre eles a construção de 200 quilômetros de estradas pavimentadas com um tipo de pavimentação que não lança sedimentos nos rios.


Também serão construídas 12 mil caixas secas e reflorestados mil hectares. Haverá a construção de fossas para evitar o lançamento de esgoto no rio e o treinamento dos produtores em manejo sustentável do solo. Haverá ainda uma gestão do cadastro ambiental rural.


No Espírito Santo, o projeto ReNaturalize aplicado ao rio Mangaraí foi conduzido pela Aplysia – Soluções Ambientais, que adotou a mesma filosofia de casos bem sucedidos na Inglaterra. Para tanto, foram mobilizados a comunidade quilombola, ribeirinha do Rio Mangaraí, a CESAN (que capta e trata a água de abastecimento da Grande Vitória), a Agência Estadual de recursos Hídricos (AGERH ) com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do ES – FAPES/FINEP.


A busca de soluções sustentáveis para recuperação de recursos hídricos será um dos temas abordados durante o 8º Fórum Mundial das Águas, que acontece em março de 2018 no Brasil.

A Rede Brasil de Organismos de Bacias Hidrográficas - REBOB é uma entidade sem fins lucrativos constituída na forma jurídicos de Associação Civil, formada por associações e consórcios de municípios, associações de usuários, comitês de bacia e outras organizações afins, estabelecidas em âmbito de bacias hidrográficas.

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