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O que são os Contaminantes Emergentes (CE)?


Cada vez há mais interesse nos chamados Contaminantes Emergentes (CE), cuja presença no meio ambiente pode causar danos ao mesmo e à saúde humana. Os CEs podem ser encontrados em fontes de abastecimento de água, águas subterrâneas e até mesmo na água potável. Dentre eles pode-se destacar os produtos farmacêuticos, anticoncepcionais, cafeína, hormônios, fragrâncias, produtos de beleza, protetor solar, remédios, pesticidas e drogas ilícitas.


Os contaminantes emergentes são ainda pouco conhecidos em relação a sua presença, impacto e tratamento (GIL et al., 2012). Segundo o professor Eduardo Bessa Azevedo, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP, o Brasil ainda não possui uma legislação que determine quantidades seguras desses contaminantes na água. O Professor ainda enfatiza que “são substâncias encontradas em pequenas concentrações, mas que, se consumidas por anos, podem trazer algum risco” (Jornal da USP, 2019).

Consequências


De acordo com um estudo realizado pelo pesquisador Marco Gomes (Embrapa Meio Ambiente, 2018) os CEs se caracterizam por interferir no sistema endócrino (responsável pela produção de hormônios masculino e feminino), como é o exemplo da cafeína, fármacos, sucralose, nanomateriais e subprodutos de tratamento de água. O pesquisador ainda salienta que outro agravante são os subprodutos gerados pela alteração das moléculas originais (metabólicos), estes podem ser mais tóxicos e difíceis de serem detectados ou identificados e isto está bastante associado aos desafios da agricultura em relação ao comportamento de agrotóxicos no meio ambiente.


O lançamento não controlado de fármacos nos mananciais hídricos podem ocasionar o desenvolvimento de microorganismos resistentes a antibióticos e causar diversos riscos. Se ingerida essa água, muitos “compostos químicos são capazes de interferir no metabolismo, entre eles, destacam-se os que estão presentes em hormônios, anti-inflamatórios, antidepressivos, hidrocarbonetos poliaromáticos e pesticidas” (Jornal da USP, 2019).


Além disso, estes compostos têm causado sérios problemas à fauna aquática, podem causar a feminização de peixes, alteração no desenvolvimento de moluscos e decréscimo de fertilidade em aves (Alves Filho, 2015).


O Jornal da Unicamp publicou uma matéria em 2015 intitulada “O perigo dos Emergentes” o qual o Professor e Pesquisador Wilson Jardim disse que o Brasil apresenta de 100 a 10.000 vezes mais desses compostos nos corpos hídricos e água tratada se comparado com países da Europa.

Mas o que podemos fazer?


O estilo de vida da população tem grande influência na proliferação dos CEs na água, uma vez que o alto consumo de medicamentos (parte do remédio que tomamos não é metabolizada pelo nosso organismo, sendo eliminada via urina, fezes ou suor e também contribuem para o aumento dos CEs), descuido em relação ao descarte de remédios (despejar produtos vencidos em pias e vasos sanitários, por exemplo), elevado consumo de produtos de higiene e beleza, surfactantes, etc, faz com que o esgoto doméstico seja uma das principais vias de acesso destes compostos no meio ambiente.


Mudança de hábito é essencial para o controle dos CEs no meio ambiente, o professor Eduardo Bessa Azevedo (Jornal da USP, 2019) diz que comportamentos que colaborem para a conservação dos recursos naturais devem começar dentro de nossas casas. O Professor Fábio Kummrow em uma entrevista concedida ao Programa POMPA do Instituto Água Sustentável menciona que não existe o jogar fora, pois, na verdade, tudo o que descartamos sempre irá para algum lugar e isso pode gerar graves consequências. Pense se a sua pequena ação não está prejudicando o meio ambiente e mude seus hábitos, você sozinho pode sim fazer muita coisa em prol da conservação da água e do meio ambiente.


Assista a entrevista do Professor Fábio Kummrow onde ele explica com mais detalhes questões relacionadas a toxicologia ambiental e CEs. A entrevista vai ao ar nesta sexta-feira, 21/08, às 18:00.


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Fonte: IAS

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