Sumário da água

Blog da REBOB

Fotografias da Gestão das águas


Figura: Panorâmica no XXI Encob. Fonte: acervo Encob


“Retratos de Governanças das Águas no Brasil” é uma série que tem como objetivo contribuir para os estudos sobre a participação e oferecer informações que possam apontar aspectos importantes da capacidade inclusiva dos membros dos organismos colegiados de gestão das águas, tendo como premissa que uma “boa” governança é fundamental para alcançar a segurança hídrica.


A série integra o projeto de pesquisa ‘Governança dos Recursos Hídricos’, coordenado por pesquisadores do Centro de Pós-Graduação e Pesquisas em Administração da Universidade Federal de Minas Gerais. O projeto iniciado em 2015, foi contemplado com financiamento pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA), via Programa Pró-Recursos Hídricos - Chamada n° 16/2017.


Trata-se de uma pesquisa exploratória e descritiva na qual procurou-se, descrever a característica dos atores que participam da gestão dos recursos hídricos, com vista a identificar: quem são os atores que participam dos processos de formulação das políticas das águas no nível de bacias hidrográficas, como os representantes percebem o seu envolvimento no processo decisório, e visão sobre o funcionamento dos organismos colegiados, atualização do número de comitês criados e em funcionamento, seu o número de membros conforme regimentos internos e a quantidade de membros ativos, além de outras muitas questões.


Retratos ou Fotografias são registros momentâneos. Fotografias são efemeridades, não mostram movimentos ou enredos. Este trabalho também é momentâneo, não mostra a evolução da gestão das águas e o processo de formação dos comitês de bacia em nosso país, mas, como toda fotografia, é um registro que, no futuro, colocada ao lado de outras, pode contribuir para mostrar a passagem do tempo e as mudanças ocorridas neste decurso.


Além disso, é importante lembrar que as fotografias são registros obtidos das interações entre quem registra e quem é registrado. Parte da beleza de uma fotografia depende da cena a ser capturada ou das pessoas que serão retratadas, ou seja, sua disposição de serem capturadas, sua abertura e empatia com o fotógrafo. Sendo, portanto, imperioso, agradecer aos muitos representantes pelo tempo dedicado para responder o questionário de pesquisa, e as muitas observações fornecidas.


Por ser uma interação, o resultado final de uma fotografia também depende das escolhas de quem faz o registro. Ao fotógrafo, assim, como ao pesquisador, cabem as escolhas de como mostrar o universo observado, como se recriassem o mundo (ou a cena) através da realidade estética.

Uma fotografia é a combinação de uma série de elementos na qual a composição tem como objetivo buscar uma forma de tornar a imagem mais atrativa aos olhos do público, buscando um melhor posicionamento do modelo ou da paisagem dentro do quadro.


Pode-se, ainda, falar sobre a luz e qual ponto deve ser iluminado e a relação com o ambiente; o posicionamento da câmera e a distância focal (qual distância manter ao fotografar um retrato, considerando que essa distância pode causar distorções na imagem de acordo com seu ângulo, o que não é muito indicado ao fotografar rostos).


Um exemplo de escolhas diz respeito à profundidade de campo, ou seja, o ponto em que objetos dentro do enquadramento da sua imagem estão em foco. Um dos efeitos causados pelo ajuste da profundidade de campo é o retrato que mantém somente a pessoa focada e todo o fundo borrado, dando mais nitidez ao assunto principal.


No caso de uma fotografia panorâmica, toda a imagem é focada e, assim, pode-se captar o grupo todo, mas teremos pouca nitidez sobre cada um. A foto a seguir, foi tirada com uma lente grande angular, que permite capturar e fazer registros em 180º, porém, pode causar leve distorção na imagem.


Em resumo, o olhar do fotógrafo cria a fotografia a partir das escolhas empreendidas. A escolha empreendida para a série Retratos de Governanças das Águas no Brasil assemelha-se a uma fotografia panorâmica, tendo em vista que busca mostrar o todo, como um conjunto, mas que acaba perdendo nitidez de olhar para cada indivíduo e cada comitê de forma plena.


A participação dos representantes é um fator crítico e princípio fundamental para a gestão e governanças das águas, tendo em vista a possibilidade de melhorar a qualidade das decisões, dar legitimidade à gestão, melhorar as relações entre os atores envolvidos. Assim, as fotografias, mesmo que estáticas, podem ser vistas como registro do momento pontual que estamos, pode ser estímulo que a partir do que é ‘visto’ busca-se a mudança, a alteração e o aperfeiçoamento, por fim, como memória, informações que resistiram ao tempo.

Para além das analogias aos aspectos metodológicos, as fotografias são para mim uma paixão. Foi também uma importante e intensa oportunidade de me conectar ao mundo da gestão das águas, quando pude colaborar na produção de conteúdo para o 8º Fórum Mundial das Águas e dois Encontros Nacionais de Comitês de Bacias Hidrográficas.

A série "Retratos de Governanças das Águas", com 32 e-books, e as publicações sobre Água e Gênero estão disponíveis, gratuitamente, em algumas plataformas de compartilhamento, dentre elas:

Fernanda Matos - Professora, Pesquisadora (NEOS/UFMG), Consultora Técnica, Editora colaboradora da seção REBOB Mulher fcmatosbh@gmail.com

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