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Pantanal – Geologia, Relevo e Solos


Paisagem do Pantanal. Fonte: Agraer.


O Pantanal é uma das maiores planícies de sedimentação do mundo, além da mais recente em termos de formação geológica do país, pertencente a Era Cenozoica (período quaternário).


Sua planície, levemente ondulada, pontilhada por raros morros isolados e rica em depressões rasas, têm seus limites marcados por variados sistemas de elevações, como chapadas, serras e maciços. É cortado por grande quantidade de rios, todos pertencentes à Bacia do Rio Paraguai.



Por esta característica majoritária de planície inundável e formação de solo oriundo de processos erosivos – conhecido como lixiviação, ou seja, a “lavagem” pela chuva da camada superficial do solo – comportamento natural do bioma, a matéria orgânica se decompõem de forma lenta, o que torna o solo pouco fértil e com baixa aptidão agrícola.


Além disso, este regime de inundação natural, intensifica a formação de solos com bastante sódio e magnésio – em alguns casos – e baixa retenção de nutrientes devido as características mais arenosas.


Em um equilíbrio maravilhoso da natureza, apesar da grande variedade de características do bioma, a vegetação estabelecida no pantanal é totalmente adaptada, com sua estrutura e fisiologia capaz de driblar a saturação hídrica do solo e a baixa disponibilidade de nutrientes.


Características por altitude


Nas regiões altas do entorno, muitas delas de origem sedimentar ou formadas por rochas solúveis e friáveis, continuamente erodidas pela ação do vento e das águas, fornecem grande quantidade de sedimentos que são depositados na planície, em um processo contínuo de entulhamento. Formam-se assim terrenos de aluvião, muito permeáveis, de composição argilo-arenosa.


Nas regiões de altitude intermediária, onde o solo é arenoso e ácido e a água é retida apenas no sub-solo, encontra-se vegetação típica de cerrado.


Os elementos predominantes neste tipo de formação são as árvores de porte médio, de casca grossa, folhas recobertas por pelos ou cera e raízes muito profundas. Elas se distribuem não muito próximo umas das outras, entremeadas de arbustos e plantas rasteiras, representadas por inúmeras espécies de ervas e gramíneas.


Na época da seca, como proteção contra a dessecação, muitas árvores e arbustos perdem totalmente os ramos e folhas. Outros limitam-se a derrubar as folhas, mas os ramos persistem e podem florescer. Este fenômeno é uma estratégia de defesa que algumas plantas – conhecidas como caducifólias – possuem para economizar água durante a estiagem.


Neste período, é comum a prática de queimadas nas fazendas, para limpar o campo das partes secas da vegetação. Realizada de maneira controlada e sustentável, a queimada não é de todo prejudicial, como seria em outros ambientes, pois estimula o rebrotamento de muitas plantas do cerrado. No entanto, se o fogo se alastrar repentinamente por outras áreas, o controle se torna muito difícil, causando impactos significativos, além de um grande prejuízo em todo o ecossistema.


Em regiões mais baixas e úmidas, onde as gramíneas predominam, encontram-se os campos limpos, conhecidos como pastagens naturais, que servem de alimento para herbívoros da região e são comumente ocupados para criação de gado.


Em pequenas elevações, quando o solo é rico, encontram-se capões de mato formados por árvores de porte elevado, como aroeira, imbiruçu, angico, ipê. Durante as chuvas, a maioria dos campos limpos é inundada, mas os capões permanecem secos.


Margeando os rios, encontram-se as matas-ciliares ou matas-galeria, com larguras variáveis. São formadas por árvores de grande e médio porte, intercalados por arbustos e ricas em trepadeiras ou lianas. Entre as espécies arbóreas mais comuns nessas matas estão o tucum, o jenipapo, o cambará e o pau-de-novato.


Mata ciliar no Pantanal. Fonte: Pescaria Mato Grosso do Sul.


Esta variedade em termos de relevo, influência por processos erosivos e características pluviais, propiciaram a formação de determinados tipos de solo. De acordo com a Embrapa, os solos mais comuns na região são o planossolo, espodossolo e o gleissolo. De forma geral são solos pouco profundos, mais pobres em termos de fertilidade e ácidos.


Usos do solo


Um dos principais usos do solo na região do Pantanal é a agropecuária, em virtude da alta ocorrência de pastagens naturais, o que facilita o desenvolvimento da atividade.


Travessia do gado no Pantanal. Imagem: Manoel Fernandez de Souza. Fonte: Embrapa.

Conforme o avanço da prática, a introdução de espécies gramíneas exóticas como as braquiárias, alteraram significativamente as paisagens de algumas regiões, além de inibirem o desenvolvimento de espécies arbóreas nativas.


Em termos de agricultura, devido a formação de solo pouco férteis e ácidos, sua ocorrência é mais restrita e em muitos casos com a necessidade do uso de insumos químicos agrícolas, para aumentar o aporte de nutrientes no solo. Em menores proporções, as áreas são utilizadas para a agricultura de subsistência da população local.


Maria Beatriz Ayello Leite

Redação Ambientebrasil


Fonte: Ambiente Brasil

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