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Uso racional da água e seu reuso são pautas de roda de diálogo no XXIV Encob

Nesta quarta-feira, terceiro dia da 24a edição do Encontro de Comitês de Bacias Hidrográficas (Encob), a discussão no palco principal do evento abordou os caminhos para o uso racional da água e seu reuso por usuários. Entre os debatedores, Deivid Lucas de Oliveira, especialista em Gestão de Recursos Hídricos e membro do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) refletiu sobre os benefícios do reuso tanto para usuários da água quanto para as bacias hidrográficas em geral. O XXIV Encob acontece em Foz do Iguaçu, entre os dias 22 e 26 de agosto.


TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social - Fotos: Leonardo Ramos
TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social - Fotos: Leonardo Ramos

Deivid, representando a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) iniciou sua fala afirmando haver uma mudança de cultura de uso da água por parte do setor industrial. Segundo ele, o setor tinha como prática “sempre solicitar uma vazão de outorga acima do necessário, talvez para garantir uma ampliação futura ou por conta da morosidade do processo de regularização de outorga. Essa cultura tem mudado nos últimos anos: temos conseguido levar ao usuário de ponta a necessidade do balanço hídrico, bem como a prática do reuso para garantir a vazão necessária.”


Ele lembrou que um dos mecanismos mais eficientes para garantir junto aos usuários o uso racional da água é a cobrança pelo uso. Para ele, a cobrança é um dos fatores que auxiliam os usuários a solicitar apenas a vazão necessária. “O uso racional é uma das diretrizes da cobrança. Uma pergunta que tem sido feita no âmbito dos comitês de bacias é: qual o real valor da água? Como usuário da indústria, digo com tranquilidade que o real valor da água é imensurável.” Para ele, esse valor não se restringe ao instrumento de cobrança. “O foco da cobrança é o uso racional. Às vezes se critica que, no início da cobrança pelo uso da água, as outorgas são retificadas e a vazão outorgada diminui. Mas isso é ótimo, isso significa gestão e uso racional, que é o nosso principal objetivo”, pontuou.


Além disso, ele defendeu que o reuso da água seja voluntário e apoiado por incentivos. A razão disso é que nem todo tipo de indústria pode se valer de água de reuso. “Não é possível que o reuso seja obrigatório, como costumamos ouvir em algumas discussões, uma vez que numa indústria siderúrgica é possível utilizar água de reuso, mas, para a indústria alimentícia, por exemplo, isso já não é possível, pois o Ministério da Saúde exige que o setor utilize água potável, inviabilizando o reuso”, conta. Deivid revelou que há a prévia de um estudo em análise colaborativa da FIEMG, da CNI e do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) para diagnosticar o real potencial de reuso no território de Minas Gerais, o que possibilitaria uma gestão integrada da água entre os diversos setores das indústrias.


“Ao incentivar o reuso por parte dos usuários, os comitês de bacias ganham com a disponibilidade hídrica. Há o desafio da disponibilidade de recursos, tanto dos usuários quanto dos comitês de bacias no sentido de apoiar e investir nas práticas do reuso da água, assim como paira uma certa insegurança de ambas as partes sobre como colocar isso em prática, mas tanto o poder público quanto a sociedade civil só têm a ganhar com a disponibilidade hídrica nas bacias que o reuso das águas permite”, finalizou.


Sobre o Encob


O XXIV Encob tem como tema principal “Gestão da água: Responsabilidade de todos”. Entre 22 e 26 de agosto de 2022, os CBHs se encontram em Foz do Iguaçu (PR) para discutir os próximos passos dos comitês de bacias de todo o território nacional e compartilhar os sucessos e reveses na implantação de políticas públicas que dizem respeito à gestão das águas e do desenvolvimento sustentável.


O Encob reúne anualmente membros dos Comitês de Bacias Hidrográficas brasileiros com o objetivo de integrar os organismos e segmentos que compõem o Sistema Nacional de Gerenciamento dos Recursos Hídricos de forma participativa e descentralizada, visando cenários presentes e futuros de otimização das ações de preservação da qualidade e quantidade de nossas águas.


Assessoria de Comunicação do CBHSF:

TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social

*Texto: Leonardo Ramos

*Fotos: Leonardo Ramos

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