ANA participa de painel sobre água e Convenções do Rio durante Fórum de Alto Nível da ONU
- há 1 hora
- 3 min de leitura

A diretora interina da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Ana Paula Fioreze, participou nesta terça-feira (7) do evento paralelo "Water at the Heart of the Rio Conventions: From Commitments to Action" ("A água no centro das Convenções do Rio: dos compromissos à ação"), realizado durante o Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável (HLPF) 2026, na sede das Nações Unidas, em Nova York.
O encontro é copromovido pelo governo do Reino dos Países Baixos e pelo Instituto Internacional da Água de Estocolmo (SIWI). A proposta é discutir como a gestão da água pode servir de ponto de entrada para acelerar a implementação das três Convenções do Rio — sobre Diversidade Biológica, Mudança do Clima e Combate à Desertificação —, hoje tratadas de forma fragmentada entre diferentes instituições e fontes de financiamento.
Contribuição brasileira
Em sua apresentação, Ana Paula destacou que a água conecta não apenas as três Convenções do Rio, mas também setores como agricultura, energia, biodiversidade, saneamento, saúde, cidades, segurança alimentar e redução de risco de desastres.
Um dos pontos abordados foi a Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), em vigor desde 1997, que instituiu no Brasil um modelo de gestão descentralizado e participativo, baseado em bacias hidrográficas e com a participação do governo federal, estados, municípios, comitês de bacia, usuários da água, comunidade científica e sociedade civil. Fioreze mencionou ainda o Pacto Nacional pela Gestão das Águas, iniciativa que reúne os governadores de todos os estados brasileiros em torno de metas de fortalecimento da governança hídrica.
Outro eixo da apresentação foi o papel da água na adaptação climática. Fioreze citou o capítulo de recursos hídricos do Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima, elaborado conjuntamente pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela ANA, destacando que, assim como o carbono é a métrica da mitigação, a água é a linguagem da adaptação. A diretora reforçou que fortalecer a gestão dos recursos hídricos amplia a capacidade de adaptação e a resiliência de diferentes setores diante dos impactos das mudanças climáticas.
Fioreze também destacou a importância da informação hídrica como infraestrutura essencial para a resiliência climática, além de mencionar o histórico de cooperação da ANA com países vizinhos em bacias transfronteiriças, como a Amazônica e a do Prata, para intercâmbio de dados hidrológicos, monitoramento, estudos e capacitação técnica.
Por fim, a apresentação chamou a atenção para a necessidade de analisar os indicadores do ODS 6 (água potável e saneamento) em escalas mais detalhadas — por município, bacia hidrográfica, assentamentos informais, populações indígenas e quilombolas, raça e gênero —, já que médias nacionais tendem a ocultar desigualdades relevantes no acesso à água e ao saneamento. Ao concluir sua participação, Fioreze apontou que a água não deve ser tratada como um setor isolado, mas como o elemento que conecta clima, natureza e desenvolvimento, sendo fundamental para promover adaptação, justiça climática e desenvolvimento sustentável.
Além da diretora da ANA, o painel contou com representantes de governos e de organismos internacionais ligados às áreas de água, clima e desastres, com abertura e mediação de representantes do governo dos Países Baixos e das Nações Unidas.
Sobre o evento
O evento paralelo integra a programação do HLPF 2026, fórum da ONU dedicado ao acompanhamento e revisão da Agenda 2030, com foco nos ODS 6, 7, 9, 11 e 17.
A ANA atua como ponto focal nacional para 7 dos 11 indicadores do ODS 6 e disponibiliza publicações técnicas e painel de monitoramento sobre o tema em seu site: www.gov.br/ana/pt-br/centrais-de-conteudos/publicacoes/ods6.
Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)



Comentários