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As consequências das chuvas de verão na Bacia do Rio Doce


A Bacia Hidrográfica do Rio Doce situa-se na região Sudeste, entre os paralelos 17°45′ e 21°15′ S e os meridianos 39°30′ e 43°45′ W, integrando a região hidrográfica do Atlântico Sudeste. Essa Bacia, com uma área de drenagem de aproximadamente 86.854 km², dos quais 86% pertencem ao Estado de Minas Gerais e o restante ao Espírito Santo, abrange um total de 228 municípios.


As enchentes são eventos naturais dos rios e, ocorrem através da elevação das águas de forma lenta e previsível, mantendo-se elevadas por algum tempo e escoando gradualmente. Estão relacionadas a períodos prolongados de chuvas, atingindo principalmente as grandes bacias.


Ao longo do tempo, percebe-se que a região apresenta cada vez mais enchentes, principalmente no período das chuvas convectivas ou chuvas de convecção, popularmente denominadas chuvas de verão, que, em geral, são intensas e têm curta duração – alguns minutos, com precipitações acima de 250 mm, além desses eventos, tivemos em janeiro deste ano de 03/01 até 13/01, chuvas constantes que acabaram ocasionando enchentes nas cidades, de Ponte Nova, Nova Era, Antônio Dias, Cel. Fabriciano, Governador Valadares, Colatina e Linhares, entre outras.


Vários fatores contribuem para os problemas relacionados as enchentes. Um dos principais é a ocupação irregular ou desordenada do espaço geográfico do rio, áreas de inundação de um rio que, esporadicamente, transborda. Com a ocupação irregular dessas áreas – muitas vezes causada pela ausência de planejamento adequado as pessoas estão sujeitas à ocorrência de inundações.


Outro fator que contribui para o rio transbordar são os assoreamentos no seu leito, causados principalmente pela retirada da vegetação que compõe as matas ciliares nas margens e em seu entorno intensificando assim esse processo, pois as matas teriam a função de reter parte dos sedimentos que vão para o leito, como também a falta de manejo do solo, feita inadequadamente. Isso demonstra a necessidade de melhorarmos a nossa interação ao meio ambiente (água, solo e ar) e também o processo de conscientização ambiental.


Desta forma, podemos, sim, afirmar que as mudanças climáticas, somadas às ações do homem, já citadas, são as principais causas de enchentes na bacia do rio Doce. Tais efeitos podem levar o rio Doce, num futuro próximo, a uma situação ainda mais crítica.


Nesse cenário, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce (CBH-Doce), junto aos CBHs de rios afluentes mineiros e capixabas, por meio da Associação Pró – Gestão das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (AGEVAP/AGEDOCE) – Filial Governador Valadares/MG, mantém projetos que visam amenizar o impacto ambiental na Bacia do Rio Doce. Como exemplo, podemos citar: Iniciativa Rio Vivo, Projetos de Segurança Hídrica e a tecnologia do Sistema Integrado de Gestão das Águas (SIGA Doce).


A Iniciativa Rio Vivo, cuja referência são Programas: de Controle das Atividades Geradoras de Sedimentos (P12), de Recomposição de APPs e Nascentes (P42) e de Expansão do Saneamento Rural (P52).


No contexto geral, a iniciativa procura melhorar a quantidade de água através de recuperação de nascentes e qualidade de água, com ações que visam o tratamento de esgotos domésticos no meio rural e a construção de barraginhas que contribuem para a contenção de sedimentos, minimizando os efeitos do assoreamento dos rios.


Os Projetos de Segurança Hídrica, que preveem a construção de obras de infraestrutura hídrica para regularização e combate às enchentes.


Já o SIGA Doce, é uma ferramenta que disponibiliza dados em tempo real e, por meio de softwares específicos, auxilia na produção de informações essenciais capazes de auxiliar na prevenção e redução dos efeitos das cheias e em ações de apoio às Defesas Civis na mitigação e enfrentamento do fenômeno. Ele incorpora, ainda, temas conexos, como o saneamento básico, a área ambiental e os eventos extremos naturais ocorridos na bacia, contribuindo para a manutenção e ampliação do atual sistema de alerta.


Apesar dos investimentos em andamento pelos Comitês de Bacia, é imprescindível repensar nossas atitudes e ações, além de buscar investimentos dos órgãos públicos, em nível federal, estadual, municipal e privados, para a melhoria ambiental e hídrica da bacia.


Flamínio Guerra

Presidente do CBH-Doce

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