Sumário da água

Blog da REBOB

Caminhos que se encontram por um sonho em comum: É tempo de plantar!


Autora: Mirian Regina Patzlaff


Quando eu era criança no interior do Paraná sempre gostei muito de árvores, bichos, banho de rio. Nasci em Marmeleiro – PR, no distrito de Manduri. Filha de agricultores, lembro bem de subir até o topo das árvores, comendo figo, araticum, ameixinha e laranja umbigo. Tinha claro um cachorro que era meu anjo da guarda e me seguia por toda a parte. Gostava de brincar com os girinos da sanguinha. Tive uma vaca de estimação que só deixava tirar leite se eu estivesse por perto. Meu pai me levava para o açude em seus ombros e colocava os peixinhos no tanque de pedra para eu brincar. Levei um susto uma vez voltando para casa quando encontrei uma cobra gigante esticada (não dava para ver a cabeça ou o fim do rabo) no caminho para casa. Comi muita couve direto do pé... cenoura fresquinha retirada da terra. Lá na roça, um dia ao ouvir os gritos de desespero de um porquinho decidi que ia buscar uma dieta mais vegana.


Aos 6 anos, decidi que iria lutar pela paz no mundo e seria diplomata e moraria em Brasília ou seria uma executiva de uma grande empresa multinacional. O que eu sonhava era cuidar e fazer a diferença na vida das pessoas com as quais eu tivesse influência. Vivi lá até os 7 anos quando foi preciso mudar para a cidade onde meus pais plantaram uma floresta para eu não sentir tanta saudade. Em Pato Branco era atuante no grupo de Jovens da Igreja Luterana e até participei de uma manifestação local para proteger uma área verde de mata nativa e nascente. Depois disso, na escola sempre estive focada em reciclagem, de todo o tipo. Muitas mães de coleguinhas passaram a reciclar por minha causa. Hoje a cidade é referência em separação de resíduos.


A vida passou, fiz faculdade, comecei a trabalhar e morei em muitas cidades. E no Banco do Brasil (BB), o sonho de menina começou a se tornar realidade. Depois de dois anos de empresa, me mudei para Brasília, era outubro de 2002. Em 2016 tive uma perda dolorosa e então resolvi me dedicar ao Voluntariado para transformar a dor em amor. Desde janeiro de 2017, vivíamos uma crise hídrica no DF que se estendeu até junho de 2018. Mas no que eu queria me envolver? Tivemos Miniolimpíadas e coordenei a modalidade Voluntariado (doação em dinheiro, tempo e itens) com toda a Diretoria de Tecnologia e da Unidade de Governança em TI do BB. Resolvi plantar árvores. Fiz uma campanha interna grande para incentivar o pessoal a participar da ação do Instituto de Permacultura Ipoema, no Paranoá! Não tive muito sucesso, mas fui eu mesma e mais uma amiga! Foi lindo conhecer o Cláudio Jacintho e o trabalho deles na Asa Branca e no resgate do Rio São Bartolomeu. Depois, soube que a Fundação Banco do Brasil ajudou na destinação de recursos para o Rio São Bartolomeu Vivo. Foi meu primeiro plantio em Brasília. Na época o Banco do Brasil fazia parte do programa Águas Brasil.



Figura 1: Plantio de árvores no Ipoema, como voluntária BB, parceiros e amigos

As Miniolimpíadas da VITEC (Vice-Presidência de Tecnologia do Banco do Brasil) deram visibilidade ao trabalho de todos os voluntários numa área de quase 4.000 funcionários BB, mostraram que podemos doar trabalho e tempo e que plantadores de árvores também são voluntários. A partir da minha iniciativa outras pessoas do meu trabalho começaram a se conectar. Então, ainda em 2017, as ações já se espalharam desde a Tecnologia do BB e juntamos voluntários de várias áreas do Banco do Brasil, para participar de uma ação de amarração de mudas no Paraíso na Terra, no interior de Brazlândia, chácara da Sociedade Teosófica, totalmente vegano onde não entra nenhum tipo de bebida ou droga e onde também fiz muito amigos. Mais da metade do grupo de voluntários era de funcionários BB com seus filhos e amigos. Todos adoraram o lugar e tomamos um maravilhoso banho de cachoeira depois! Algumas semanas depois um incêndio avassalador em Brazlândia destruiu muito do trabalho, em especial o sistema de irrigação.


Eu sempre gostei de visitar os parques do Brasil, adoro a natureza, as praias, os rios e as cachoeira e em 2016 inicia um envolvimento mais intenso no turismo ecológico e em 2017 a partir da operadora Calangos do Cerrado em Mambaí, onde conheci os amigos do grupo Aventureiros e por meio de quem conheci Janna das Cachoeiras. E esses amigos de trilha também se tornaram parceiros nas ações de plantio...


Depois disso, em 2018, participei de vários eventos realizados em Brasília. O primeiro foi o Seminário Internacional Águas pela Paz, em janeiro, que propunha uma aliança mundial para a preservação dos recursos hídricos. Em março, particei do 8º Fórum Mundial da Água (FMA) e do Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), nos quais pude interagir com os dois grupos.


Conseguimos que voluntários do Banco do Brasil (BB) participassem do 8º Fórum Mundial da Água e ajudassem a compartilhar conhecimentos sobre o que aprenderam durante o evento. O Glauco, por exemplo, fez uma apresentação no Rotary Taguatinga, onde participaram os colegas José Aparecido e Sebastião, também voluntários BB e assim fomos trazendo os colegas do BB que eram do Rotary para mais perto das questões relacionadas à água.


Eu acompanhei mais de perto as ações do FAMA que era o grupo das pessoas comuns: ribeirinhos, pequenos agricultores, as pessoas mais afetadas pela escassez e poluição das águas. No Fama eu conheci o Thiago Ávila numa ação de tour interreligioso que visitou o Assentamento Canaã com cisternas para coletar água da chuva e agrofloresta para recuperar a região do Descoberto. Em virtude da grave crise hídrica no DF as pessoas passaram a se preocupar com as questões da água, plantio de árvores e proteção de nascentes. Pelo FAMA fiquei sabendo de uma ação de plantio no Lago Norte próximo ao hospital Sarah Kubischek e plantei com os escoteiros e com um grupo de motociclistas que queria zerar suas emissões de carbono.


Dentro da programação do 8º Fórum Mundial da Água, uma atividade em especial chamou a minha atenção, a Academia de Formação de Embaixadoras da Água do Projeto Plante Água. O sonho de ser diplomata foi reavivado! De ser uma voz, dentro do corpo de Voluntariado BB, em defesa da natureza e da vida. E assim, me inscrevi, na esperança de me tornar uma embaixadora em defesa da água. Ao participar da Academia conheci a Yara, a Mara, a Sônia Lovara e outras embaixadoras.


Em maio, Brasília recebia o Evento Internacional do Lixo Zero. Não pude participar, mas hospedei uma amiga de Goiânia, a Danhara que me apresentou o Rodrigo Sabatini do Instituto Lixo Zero e as ações fantásticas realizadas pelos parceiros do DF, como o Ecozinha e o Mercado Evolua onde sempre levo meus resíduos recicláveis.


Em novembro de 2018, soube de um plantio no Lago Norte, numa área que o pessoal queria transformar em área de convivência e reflorestar e fui num plantio organizado pelo então administrador Marcos Wortmann. Fabíola, minha colega do BB, foi junto, e lá ela conheceu o Diego Vega da OAB Plantadores. Nesse dia ganhamos uma camiseta e começamos a participar do grupo. O Diego e o Marcos fazem parte dos pioneiros do Viveiro do Lago Norte e são voluntários por lá...


Sabendo da minha atuação, um dia um colega do Banco do Brasil me falou do Éder que fazia um super trabalho no Parque Águas Claras, e resolvi que ia apoiar o trabalho dele, já que temos muitos funcionários do BB morando em Águas Claras. Resolvemos usar o portal do Voluntariado em 2017 e 2018 para divulgar o trabalho dele que atua lá quase que diariamente, faça sol ou chuva. No portal, muitas pessoas se interessaram, mas poucos apareceram para ajudar nas ações presenciais. Em dezembro eu e o Diego Vega, da OAB Plantadores fomos plantar com o Eder. Só nós três. O Parque era imenso e os recursos escassos, mas plantamos umas mudinhas. Fiquei comprometida em ajudar o Éder a conseguir mais voluntários. A atuação conjunta dos voluntários BB: Mirian, Fabíola e Éder rendeu uma menção honrosa da Comissão de Meio-Ambiente da OAB Taguatinga DF.


Paralelo a isso, ia tocando as atividades do Voluntariado BB dentro da Ditec. Participando de eventos de empreendedorismo, tecnologia e de reinvenção organizacional, fui fazer um curso de Sociocracia no Paraíso na Terra conheci o César Araújo que foi o administrador do Rio São Bartolomeu Vivo e que também trabalhava com Dragon Dreaming como ferramenta para o Design de Projetos Regenerativos.


No final de 2018 tomei a decisão de trabalhar 6h. Também tive uma oportunidade incrível de participar de um café com o Presidente do Banco do Brasil, Marcelo Labuto, e os vice-presidentes da empresa. Fui como representante do Voluntariado de Brasília. A Ditec e a UAN batalharam e conseguiram pela primeira vez na sua história alcançar a metas relacionadas ao voluntariado sob a minha coordenação. Foram centenas de ações contabilizadas. E tive a oportunidade de ressaltar a relevância dos funcionários do Banco do Brasil em sua ação voluntária no aspecto de solidadariedade e desenvolvimento dos nossos municípios.


Em março comecei a ouvir sobre um curso de Design para Sustentabilidade da Gaia Education mas não consegui conciliar a agenda. Então ouvi falar de um curso de Ecologia Profunda da UNB. Isso tudo em conversas no Paraíso na Terra e na Escola da Natureza. Bem, eu já conhecia o Paulo César Araújo e aí ele falou de um movimento chamado Tempo de Plantar. Nesse período, a Amazônia queimava e a Greta começou com as Sextas pelo Clima. No mesmo espírito de fazer algo em prol da natureza, pela sobrevivência da humanidadem me inseri no Movimento Regenerativo Tempo de Plantar. Então convidei colegas do BB a formarmos um Comitê, e eu e a Mila criamos o Comitê BB em Ação Plantando Água no espírito Tempo de Plantar dentro do Hospital Santa Lúcia onde a ultima vez que eu tinha pisado em 2016 tinha sido para receber a notícia da morte de uma pessoa muito querida... O ciclo de dor se fecha! O Voluntariado BB se engaja no Movimento e começamos a participar de inúmeras oficinas de educação ambiental voltadas para a regenereação do Bioma Cerrado. Os voluntários BB participam também de oficinas de Dragon Dreaming que tinham o objetivo de mobilizar as pessoas a sonharem e partilharem seus sonhos de forma coletiva. Plantamos, doamos recursos, amor e tempo, colhemos resultados e amizades!


No dia 08 de dezembro milhares de pessoas saíram de suas casas para plantar árvores! Como resultado, em 2019 plantamos cerca de 22.000 mudas no DF e eu é claro, plantei em varios lugares e conheci muita gente! E em 2020 veio a pandemia... e mudou tudo que planejamos.... Mas a história continua! Que nunca nos falte nem a coragem, nem a inspiração e nem a esperança! Porque importar-se é o verdadeiro amor que salva e a nossa maior alegria é realizarmos nossos sonhos juntos!



Figura 2: Encontro dos integrantes do Tempo de Plantar na Escola da Natureza

Mirian Regina Patzlaff, é Analista de TI Sênior na Vice-Presidência de Tecnologia do Banco do Brasil, funcionária desde os anos 2000, voluntária em diversas atividades. Tecnóloga em Processamento de Dados (UTFP); Corretora de Seguros (Funenseg), fez MBA em Estratégias e Negociações Comerciais Internacionais (UNB) e MBA em Comunicação Empresarial e Mídias Digitais (IPOG)


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