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Sumário da água

Blog da REBOB

CBHSF, comitês afluentes e órgãos gestores firmam manifesto por plano integrado para a bacia do São Francisco

  • 6 de abr.
  • 5 min de leitura

Com ampla participação dos comitês afluentes, foi realizado, na última sexta-feira (27), em Belo Horizonte, o VII Encontro de Comitês Afluentes do Rio São Francisco. Com o tema “Juntos pelo PIRH-SF”, o evento, promovido pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, reuniu representantes de diferentes regiões para fortalecer a atuação integrada e ampliar a participação na construção do Plano Integrado de Recursos Hídricos da Bacia.


A programação reuniu representantes da bacia e de instituições públicas, como a Agência Nacional de Águas e Saneamento, a Agência Peixe Vivo, além de secretários e outros representantes do poder público, consolidando o encontro como um espaço de diálogo, articulação institucional e construção coletiva. A iniciativa reforça o papel estratégico dos comitês afluentes na gestão descentralizada e integrada dos recursos hídricos, ao mesmo tempo em que amplia a escuta e a cooperação entre os diferentes territórios.


Integração e governança na gestão das águas


O Plano Integrado de Recursos Hídricos da Bacia do Rio São Francisco se consolida como um instrumento estratégico para articular políticas, ações e investimentos em uma das bacias mais importantes e complexas do país. Estruturado a partir da integração entre diferentes níveis de planejamento, o plano busca alinhar diretrizes e construir um diagnóstico abrangente, considerando o território de forma ampla e conectada.


Durante apresentação, o especialista da Agência Nacional de Águas e Saneamento, Erik Cavalcanti e Silva, destacou que a diversidade da bacia, que se estende das regiões mais chuvosas de Minas Gerais ao semiárido, até a foz entre Alagoas e Sergipe, exige diálogo, articulação e pactuação. Segundo ele, a construção de um plano integrado desde o início depende diretamente da participação dos diversos atores envolvidos.


Nesse contexto, o PIRH-SF propõe uma construção coletiva, incorporando as especificidades locais por meio da atuação dos comitês afluentes. A proposta é integrar diagnósticos e prognósticos locais a uma visão global da bacia, resultando em um plano de ações compartilhadas, com responsabilidades, prazos e fontes de financiamento definidos, além de fortalecer a governança do sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos.


Para Marcelo da Fonseca, do Instituto Mineiro de Gestão das Águas, o desafio de integrar os comitês evidencia a complexidade da gestão do São Francisco, mas também seu potencial. Ele destaca que momentos de convergência, como os encontros entre comitês, ampliam a compreensão do território e permitem avanços significativos. Segundo ele, o principal ganho ocorre quando se consegue enxergar a bacia de forma integrada, compreendendo os impactos das intervenções desde as nascentes até a foz.


Marcelo também ressaltou a necessidade de superar a fragmentação na gestão dos recursos hídricos, reconhecendo a bacia como uma unidade. Nesse sentido, o plano integrado surge como uma oportunidade de alinhar o planejamento ao território real, articulando instrumentos de gestão e promovendo maior harmonia entre os estados.


A secretária de Estado do Meio Ambiente de Sergipe, Deborah Menezes Dias, reforçou a importância da integração entre os estados como caminho para fortalecer a gestão das águas. Segundo ela, esse movimento já está em curso entre os comitês e tende a se intensificar com o plano integrado, potencializando ações locais de forma articulada. Deborah também destacou desafios relacionados a recursos, mas enfatizou a capacidade de mobilização dos estados e a importância de envolver a população na construção de soluções duradouras.


Durante a programação, representantes dos órgãos gestores de Minas Gerais, da Bahia e de outros estados, assim como integrantes de comitês de diferentes unidades da federação, também se manifestaram, apontando desafios e caminhos para o fortalecimento da integração na bacia.


Realidades regionais


Do Médio ao Baixo São Francisco, as diferentes realidades da bacia evidenciam a complexidade da gestão e reforçam a importância da integração entre os comitês. A diversidade territorial, ambiental e socioeconômica exige um planejamento que considere as especificidades locais, sem perder de vista a unidade da bacia. Nesse contexto, os coordenadores apresentaram avaliações a partir de uma visão integrada do território.


Para Cláudio Pereira, da Câmara Consultiva Regional do Médio São Francisco, essa integração é essencial para garantir a sustentabilidade do rio, já que a qualidade e a quantidade de água dependem diretamente das condições dos afluentes.


Já Maciel de Oliveira, da Câmara Consultiva Regional do Baixo São Francisco, destacou que o encontro aproximou diferentes realidades e evidenciou desafios específicos da região, como a ausência de cobrança pelo uso da água e a desatualização de planos, apontando o PIRH-SF como uma oportunidade concreta de avanço.



Avaliação positiva e foco na escuta dos comitês


O presidente do CBHSF, Cláudio Ademar, avaliou o encontro de forma bastante positiva, destacando-o como um marco inicial para o fortalecimento do diálogo entre os diferentes atores da bacia do São Francisco. Segundo ele, a reunião promoveu a aproximação entre comitês afluentes, órgãos gestores, estados e a Agência Nacional de Águas, criando um ambiente propício para escuta, troca de experiências e esclarecimento de dúvidas. Para Cláudio, esse primeiro momento representa um avanço relevante ao assegurar espaço para que todos pudessem se manifestar, apresentar preocupações e contribuir tecnicamente. Ele ressaltou ainda que a construção do plano integrado está em fase inicial e seguirá de forma participativa, com envolvimento direto dos comitês, da sociedade civil, dos usuários e do poder público, tendo o diálogo como eixo central.


Para Altino Rodrigues, vice-presidente do CBHSF, o encontro teve saldo positivo ao evidenciar caminhos concretos para a integração da bacia. Ele destacou que, além das contribuições técnicas, o principal ganho foi o espaço de escuta dos comitês, onde foram apresentados anseios, expectativas e propostas, reforçando a importância da construção coletiva. Segundo Altino, o próximo passo é aprofundar esse processo, essencial para legitimar o plano integrado e garantir sua efetividade, com atuação conjunta entre comitês, órgãos gestores, municípios e sociedade.


Na mesma linha, João Paulo Coimbra, coordenador técnico da Agência Peixe Vivo, avaliou que o encontro marcou um momento decisivo ao reforçar a compreensão de que o rio São Francisco está diretamente conectado às suas bacias afluentes, evidenciando a centralidade da integração na gestão. Para ele, o evento inaugura uma jornada estratégica pautada pelo compromisso dos atores do sistema, na qual escuta, colaboração e respeito às especificidades territoriais se consolidam como bases para a construção de um plano participativo, plural e alinhado aos desafios e potencialidades da bacia.


Manifesto pela integração da bacia


Durante o encontro, foi apresentada a Carta Manifesto pela Integração e Cooperação na elaboração do PIRH-SF, reafirmando o compromisso dos comitês afluentes, do CBHSF, da Agência Nacional de Águas e Saneamento e dos órgãos gestores com uma atuação articulada, transparente e colaborativa ao longo de todo o processo. O documento reconhece a bacia do Rio São Francisco como um território diverso e interdependente, que exige coordenação entre diferentes esferas e o fortalecimento da governança no âmbito do sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos.


O manifesto destaca o PIRH-SF como uma oportunidade estratégica para alinhar os instrumentos de planejamento entre a calha do rio e suas bacias afluentes, integrar dados e conhecimentos técnicos, fortalecer processos participativos e ampliar a segurança hídrica frente aos desafios climáticos. Também reforça o compromisso político com o aprimoramento da gestão hídrica entre os estados da bacia, além de apontar a necessidade de promover justiça socioambiental e desenvolvimento sustentável por meio de soluções construídas de forma cooperativa.


Para o presidente do CBHSF, Cláudio Ademar, o manifesto simboliza uma manifestação voluntária de interesse dos atores em participar da construção do plano integrado, evidenciando o avanço na articulação institucional e o engajamento em torno do processo. Ele ressaltou que a iniciativa é transparente e não impositiva, aberta a todos que desejarem contribuir. Nesse sentido, reforçou que a integração da bacia, envolvendo a calha principal e seus afluentes, depende da participação conjunta da sociedade civil, do poder público e dos usuários, consolidando um caminho mais eficiente e colaborativo para a gestão das águas.

Ao formalizar esse compromisso, os signatários reafirmam que a integração vai além de uma diretriz técnica, consolidando-se como um pacto político e institucional em favor do futuro da bacia do São Francisco e das populações que dela dependem.


 

Fonte: 

Assessoria de Comunicação do CBHSF:TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social*Texto: João Alves*Fotos: João Alves]


APAC

1 comentário


steelheart
steelheart
16 de abr.

Post interessante, esse tipo de iniciativa mostra como a gestão integrada dos recursos hídricos é essencial, principalmente em uma bacia tão grande e diversa como a do São Francisco. A articulação entre comitês e órgãos gestores ajuda a melhorar a coordenação e fortalecer a governança, algo cada vez mais necessário diante dos desafios ambientais ()

No meio de tantos temas que aparecem online, às vezes surgem coisas bem diferentes como jonbet, mas esse tipo de conteúdo aqui é o que realmente agrega e faz pensar.


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