Sumário da água

Blog da REBOB

Comunicação interna: Alicerce para a gestão dos recursos hídricos

Priscila Rocha

O ato de comunicar é intrínseco a todos os seres humanos.

Por necessidade ou não, todo mundo se comunica. As organizações, sejam privadas ou públicas, com fins lucrativos ou não, também comunicam o tempo todo. Contudo, não significa que todos conseguem passar a mensagem que gostariam ou que a intuição no ato de comunicar é suficiente para se fazer entender.

A Comunicação Institucional comumente é associada ao objetivo de se dar visibilidade à entidade ou organização. Porém, a comunicação vai além e pode ser instrumento para concretizar ações e gerar resultados nas mais diversas áreas. Na gestão de recursos hídricos não é diferente, ao contrário, a comunicação se faz tão necessária quanto à Política que a rege. A Lei das Águas prega uma gestão descentralizada e participativa, missão impossível de se concretizar sem a comunicação. Para este quesito em específico, a comunicação atua em três dimensões: dar conhecimento, gerar valor e fomentar engajamento.

Vamos lá!

É papel da comunicação, levar à sociedade a informação do que é a gestão de recursos hídricos, como ela é feita e como se pode participar. Também é a comunicação, por meio da mensagem, que agregará valor a essa participação, cabe a ela mostrar a importância da gestão. Também é papel da comunicação envolver e cativar o público para que de fato participem da gestão de recursos hídricos.

Dentro da complexa Gestão de Recursos Hídricos e todos os atores que participam, após anos de participação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, nota-se a oportunidade de se utilizar da comunicação para se ter melhores resultados. O principal ponto é a comunicação interna. É necessário estar claro para todos os entes e seus participantes a sua competência e a relação com os demais atores da Gestão.

Para isso, é preciso atuar em três vertentes: consolidar a identidade institucional, padronizar a comunicação visual e capacitar o público interno. A comunicação sempre deve ser feita de dentro para fora. Após esse processo, ficarão delineados os objetivos institucionais deste ente. Neste sentido, a comunicação irá apoiar as demais áreas para atingi-lo. Mais que aumentar o alcance das publicações e a visibilidade, a comunicação atua diretamente na missão institucional.

Dentro do Singreh, por exemplo, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranapanema (CBH Paranapanema) desenvolveu um trabalho de comunicação que buscou, prioritariamente, apoiar a implementação do Plano Integrado de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica, mesmo sem ter recursos próprios para a execução das ações.

Em 2018, o CBH Paranapanema se propôs a realizar uma grande ação de comunicação inédita durante o 8º Fórum Mundial da Água, sediado no Brasil – o objetivo: levar os membros dos Comitês que fazem parte da Bacia Hidrográfica do Rio Paranapanema ao evento, por meio dos canais digitais. A ideia principal era utilizar de um evento internacional para iniciar o despertar dos membros (público interno) do Comitê para a comunicação.

Diariamente, material exclusivo sobre a gestão dos recursos hídricos eram disponibilizados nas mídias sociais do Comitê para os membros e demais interessados. As pautas trabalhadas sempre eram vinculadas aos temas de interesses do Comitê do Rio Paranapanema. Nesta ação, vários formatos foram utilizados, para identificar o hábito de consumo de informação do público do CBH.

Após este start o Plano de Comunicação do Comitê começou a ser desenvolvido, para isso, um profundo diagnóstico do CBH e do cenário em que ele está inserido foi feito. Todo o processo contou com a participação dos membros dos sete comitês de bacias hidrográficas presentes no Paranapanema. A interação do público interno foi fundamental para o comprometimento com os resultados esperados com a implementação do Plano de Comunicação

Seguindo o preceito de comunicação de dentro para fora, o primeiro ano foi dedicado ao público interno. O comitê solidificou seu papel institucional, modernizou e padronizou a sua comunicação. Outro ponto importante foi a valorização dos membros. A comunicação mostrou a importância da atuação dos membros e como cada um deles podia contribuir com a gestão.

Em um ambiente com interesses múltiplos e legítimos, o diálogo é a grande ferramenta para se chegar a um lugar comum para todos. Neste sentido, a comunicação precisava construir dois caminhos: lembrar os membros que a competência principal do Comitê é a gestão das águas do Rio Paranapanema e integrá-los a essa causa. Neste sentido, um grande evento de integração foi planejado, de forma que todos convivessem e dialogassem à beira do Rio Paranapanema, quebrando o formalismo das reuniões e a seriedade das deliberações.

Paralelamente diversas ações de comunicação foram sendo construídas, resultado: fortalecimento da gestão dos recursos hídricos, criando laços afetivos e de corresponsabilidade na gestão das águas da Bacia Hidrográfica do Rio Paranapanema.

Identidade institucional clara, comunicação visual padronizada, público interno motivado e capacitado: o Comitê está pronto para transcender a sua comunicação e atingir toda a sociedade com a garantia de que a mensagem será o reflexo de seu trabalho, que é condizente à sua missão. Só é possível fazer uma comunicação externa efetiva e com menor ruído, quando internamente se sabe o que significa fazer parte, como, por exemplo, dizer #EuSouParanapanema.

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