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Dia Mundial da Água: evento destaca importância da promoção da equidade de gênero na gestão dos recursos hídricos

  • há 4 dias
  • 4 min de leitura

Na Semana em que é celebrado o Dia Mundial da Água (22 de março), o Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Itapocu e Bacias Contíguas participou de evento que destacou a importância de promover a liderança das mulheres nos espaços de tomada de decisão sobre recursos hídricos. A atividade foi realizada pelo Fórum Catarinense de Comitês de Bacias Hidrográficas (FCCBH) em parceria com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde (SEMAE) e o Programa SC Águas da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). A presidente do Comitê, Karine Rosilene Holler (AMVALI) e a secretária-executiva, Jéssica Michalak Besen (PMS), acompanharam o evento.


O evento seguiu o tema definido pela ONU para o Dia Mundial da Água de 2026: Água e Gênero, e teve como objetivo promover o debate sobre água, desigualdades e a equidade de gênero nas tomadas de decisões referentes ao gerenciamento hídrico.


Com a mediação da presidente do Comitê Araranguá e afluentes do Mampituba e vice-coordenadora do Fórum Catarinense de Comitês de Bacias Hidrográficas (FCCBH), Eliandra Gomes Marques, o evento promoveu um importante espaço de troca de saberes para avançar na ampliação da participação, da escuta e do reconhecimento de todos na governança dos recursos hídricos. “A água é um bem comum, essencial à vida, mas sua gestão ainda reflete desigualdades de gênero que precisam ser enfrentadas. Promover a equidade de gênero na governança das águas é, portanto, fortalecer a justiça social, ambiental e climática. Nossas palestrantes e nosso palestrante foram fundamentais para qualificar este momento, trazendo reflexões potentes, experiências inspiradoras e diferentes perspectivas sobre a relação entre gênero e água", comentou Eliandra Gomes Marques.


A primeira palestrante da tarde, Renata Maranhão (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico — ANA), destacou que há uma diferença entre quem vive os impactos relacionados a mudanças climáticas e acesso à água e quem decide sobre o recurso hoje. De acordo com a especialista em Gestão Pública e Direito Ambiental, nos comitês estaduais e federais, a composição é de 30% de mulheres e 70% homens. “Existe um abismo no acesso à água potável. Com as mudanças climáticas, exclusão e desigualdades, o peso recai sobre as mulheres, que assumem quase integralmente a coleta de água e cuidados no lar. É necessário incentivar participação qualificada, com escuta e acolhimento. Integrar gênero como eixo estruturante, não acessório, exige políticas robustas. Ampliar a participação feminina significa desenvolver políticas que facilitem e legitime a fala e participação efetiva nos espaços de decisão", explicou Renata em sua palestra.


O pesquisador associado ao Observatório das Águas (OGA), Samuel Roiphe Barrêto, seguiu o evento defendendo a adoção de metas objetivas para promover a inclusão de gênero nas instituições e espaços de gestão das águas: “A gente precisa trazer a lente de gênero para a governança, com dados, monitoramento e metas claras para reduzir essas desigualdades. Também é fundamental ampliar a participação das mulheres nos espaços técnicos e de liderança, porque elas fazem parte da solução".


Em sua participação, a professora da UDESC e presidente do Comitê Babitonga, Virgínia Grace Barros, destacou o papel da ciência no gerenciamento das bacias hidrográficas. “A gente precisa integrar ciência e governança, trazendo dados, conhecimento técnico e também o saber do território para dentro das decisões. É fundamental ampliar e qualificar a participação social, especialmente das mulheres, reduzindo as assimetrias de poder. Os comitês de bacia têm um papel central nisso, mas precisam de informação, capacitação e estrutura. E, principalmente, decisões baseadas em evidências para garantir uma gestão mais eficiente e inclusiva".


Já a pesquisadora Andréa Paula de Carestiato Costa, pontuou que a falta de dados produzidos sobre quem ocupa os espaços de decisão produz uma invisibilidade sobre a desigualdade de gênero nestes locais. “Existe um paradoxo. A mulher é quem sustenta o uso cotidiano da água — no cuidado, no doméstico, na vida — mas não quem ocupa os espaços de decisão. Hoje, não conseguimos acessar facilmente informações básicas sobre quem ocupa esses espaços. Como transformar algo que nem conseguimos medir?", questionou a bióloga e consultora especialista em recursos hídricos durante o evento.


A SEMAE avaliou que a atividade demonstrou um engajamento qualificado e relevante, com o público presente altamente interessado e participativo. “Ao focar na temática Gênero e Liderança, o evento ataca uma lacuna histórica, visando o fortalecimento da intersecção de gênero na governança das águas. Somar a perspectiva da Mulher na tomada de decisão torna a gestão dos recursos hídricos mais inclusiva e representativa. Discutir o Futuro da Água sob a ótica da diversidade de liderança posiciona o Estado na vanguarda das discussões globais, como as de Governança Ambiental e Social inclusivas ante cenários climaticamente alterados", explicou a pesquisadora em recursos hídricos, Luciana Guzella, que junto à Milene Priscila Lima de Oliveira (SEMAE) compôs a organização do evento.


Para o coordenador-geral do Fórum Catarinense de Comitês de Bacias Hidrográficas (FCCBH), Eduardo Marques Martins, o evento dá um passo importante na conscientização pela equidade de gênero na gestão dos recursos hídricos. "A atividade dá mais um passo na direção da equidade. Agradeço a todas e todos que o fizeram possível e aos que participaram. Sabemos que o percurso é longo, pois a desigualdade é grande. Mas agora é a nossa hora: transformar o que aprendemos no evento em cidadania e em práticas diárias", afirmou Eduardo.


O Programa SC Águas (UDESC) também contribuiu com a organização do evento. Para o coordenador-geral da Entidade Executiva, João Marcos Bosi Mendonça de Moura, a iniciativa representou um espaço qualificado de reflexão. “Foi uma satisfação participar da organização deste evento. Esta iniciativa é uma oportunidade de fomentar ações institucionais que avancem de forma estruturada na promoção da equidade de gênero e amplie a participação qualificada nas decisões na gestão de recursos hídricos, especialmente no âmbito dos comitês de bacia", concluiu João Marcos.


Para quem não pôde acompanhar ao vivo ou deseja revisitar as reflexões apresentadas, a gravação completa do evento está disponível e reúne contribuições fundamentais para o debate sobre gênero e gestão das águas. Assista aqui as palestras.


Fonte: SEMAE-SC

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