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Estiagem pode afetar a disponibilidade hídrica nas Bacias PCJ nos próximos meses

Nota de Alerta 01/2022

Intensificação da estiagem, com redução das chuvas, indica possíveis dificuldades de abastecimento nas Bacias PCJ para os próximos meses

A redução da disponibilidade hídrica nos principais mananciais das Bacias PCJ, provocada pelo início da estiagem e somada a baixa incidência de chuvas para o ano de 2022, apontam para situação de ALERTA quanto ao início de processo climático extremo de seca na região.


Conforme já alertado previamente pelo Consórcio PCJ, em seus Boletins Mensais (https://bityli.com/KDPsK), a estiagem de 2022 vem se apresentando bastante severa e isso reforça o posicionamento da Entidade sobre a constatação de que os eventos climáticos extremos atrelados à incidência de poucas chuvas trarão reflexos de significativa redução da disponibilidade hídrica para os próximos meses.


A gravidade da situação é constatada nos números observados pelo monitoramento dos dados climatológicos e hidrológicos. Desde 2017, as chuvas estão ocorrendo 20% abaixo do esperado nas regiões de cabeceira das Bacias PCJ. Apesar das fortes chuvas registradas em janeiro de 2022, que ficaram 22% acima do esperado para o período, os meses seguintes de fevereiro a junho registraram chuvas bem abaixo das previsões, na ordem de 48% menor, o que acarretou de modo insatisfatório a recuperação dos principais mananciais. Até o presente momento, o ano de 2022 registrou, no acumulado, 27% menos chuva do que o esperado para o período, fazendo com que o Sistema Cantareira encerrasse o mês de junho com apenas 39,7% de volume armazenado, quando nos anos anteriores foram registrados 45% (2021) e 56,3% (2020).


Outro dado preocupante é o fato de o penúltimo dia do mês de junho (29/06) o Sistema Cantareira saiu da “Faixa 2 de Atenção” e adentrou a “Faixa 3 de ALERTA” para operação do reservatório, ficando abaixo dos 40% de volume útil. Nos últimos anos essa mudança da faixa de operação do sistema ocorreu somente entre os meses de agosto (2021) e outubro (2020). Tanto o volume de chuvas ao longo do ano nas Bacias PCJ e no Sistema Cantareira, quanto as vazões médias nos rios estão em queda, afastando-se das médias históricas.


A previsão nos próximos meses é a continuidade de incidência do La Niña, que indica menos chuvas na região sul e sudeste, podendo ser registradas chuvas entre 20 e 40% abaixo das médias históricas.


Diante desse cenário de agravamento da estiagem, com previsão de significativa redução dos volumes de chuva para os meses de julho a setembro, o Consórcio PCJ vem por meio desta Nota de Alerta recomendar aos seus Associados para que coloquem em prática a criação de Grupos de discussão ou de um Comitê de Crise Hídrica Municipal, formado por membros de diversas secretarias da administração e da sociedade civil, que deve ter como principal objetivo a discussão e a análise de dados, para propor medidas e ações que amenizem os impactos da estiagem no abastecimento de água para a população.


O Consórcio PCJ alerta para o início das medidas de enfrentamento da Estiagem de 2022, com implementação de ações de contingenciamento e resiliência hídrica definidas em uma série de práticas a serem desenvolvidas ou planejadas pelos municípios e serviços de água em cenários de “baixa, média e alta dificuldade” no atendimento de água, orientações essas, contidas no “Ofício SE 040/2022”, que foi encaminhado a todos os Associados.


Dentre elas, recomendam-se ações de contingenciamento e medidas educativas como campanhas de sensibilização sobre o uso consciente da água, combate aos vazamentos, dentre outras práticas para redução do consumo, visto que existem grandes chances de alguns municípios, principalmente os 58 não atendidos diretamente pelas vazões regularizadas pelo Sistema Cantareira, enfrentarem algum tipo de problema de escassez de água nos serviços de abastecimento ou redução da disponibilidade hídrica durante a estiagem deste ano.


O Consórcio PCJ também fomenta a prática de ações para ampliação da disponibilidade hídrica, como o desassoreamento de reservatórios, plantios ciliares, a recarga do lençol freático com as Bacias de Retenção em Zonas Rurais e os piscinões ecológicos nas áreas urbanas, bem como o fomento e implantação de cisternas urbanas e rurais para captação de água de chuva em residências, indústrias e prédios públicos.


Como medidas de médio e longo prazo, que demandam investimentos maiores, é recomendável a contratação de estudos de implantação de reservatórios municipais de água bruta, assim como também devem ser consideradas e avaliadas ações estratégicas de instalação de reservatórios de água tratada em bairros críticos, para garantir maior segurança hídrica.


As ações para minimizar os problemas das estiagens são complementares entre si e envolvem uma série de medidas estruturais e não estruturais que estão associadas. A sensibilização da comunidade e a implementação de políticas públicas eficientes que garantam a resiliência dos mananciais envolve tanto o poder público quanto a ação da sociedade em geral.


Secretaria Executiva do Consórcio PCJ Julho de 2022

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