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Minas Gerais avança na segurança hídrica com base inédita de dados sobre barragens

  • há 4 dias
  • 3 min de leitura

Minas Gerais deu um passo decisivo para fortalecer a segurança hídrica com a criação de uma base geoespacial integrada que reúne, de forma inédita, dados detalhados sobre massas d’água, estruturas de barramento e ocupação humana no território. Desenvolvida pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), a plataforma consolida informações antes dispersas e amplia a capacidade de monitoramento, fiscalização e planejamento no estado.


A ferramenta foi apresentada nesta terça-feira (24/3), durante webinar da Semana da Água, pelo geógrafo e especialista em geoprocessamento do Igam, Robson Morato. Segundo ele, o trabalho representa um avanço institucional na consolidação de inteligência territorial voltada à prevenção de riscos. “Ao reunir informações estratégicas sobre estruturas hídricas, hidrografia e ocupação humana, ampliamos a capacidade do Estado de qualificar a fiscalização e orientar decisões com base em evidências”, afirmou.


Integração de dados amplia controle e planejamento


A iniciativa atende às exigências da legislação federal de segurança de barragens e resolve um desafio histórico: a fragmentação de dados. O sistema transforma bases isoladas em uma plataforma única e consistente para subsidiar decisões estratégicas.


A estrutura está organizada em três frentes principais: mapeamento atualizado de barragens e massas d’água, espacialização de unidades habitacionais e modelagem da densidade populacional por malha padronizada.


Com isso, Minas passa a contar com um inventário ampliado que identifica mais de 41 mil massas d’água e cerca de 2,1 mil barragens cadastradas. A integração permite cruzamentos inéditos entre características das estruturas, ocupação humana e pressão territorial.


Um dos principais avanços é a incorporação de cerca de 12 milhões de unidades habitacionais georreferenciadas, com base no Censo 2022. As informações permitem identificar com maior precisão a população potencialmente exposta em caso de incidentes, especialmente em áreas situadas a jusante das barragens.


Outro diferencial é o uso da modelagem espacial em hexágonos (H3), metodologia que padroniza a análise da densidade demográfica e elimina distorções causadas por limites administrativos, possibilitando comparações mais consistentes entre regiões.


A combinação das bases gera um índice de risco por barragem, considerando três fatores principais: características estruturais, número de pessoas potencialmente expostas e densidade populacional. Em situações de emergência, como rompimentos ou eventos extremos, o sistema permite estimar rapidamente impactos e definir prioridades de resposta.


A nova base traz ganhos operacionais diretos para órgãos de resposta, como Defesa Civil de Minas Gerais, Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e Polícia Militar de Minas Gerais.


Entre as aplicações estão a definição de rotas de evacuação por bacia hidrográfica — e não apenas por limites municipais — e a criação de protocolos de acionamento escalonados conforme o nível de risco.


O sistema também orienta estratégias de monitoramento: em áreas pouco povoadas, o acompanhamento pode ser remoto; em regiões densamente habitadas, permite o acionamento imediato de equipes e a ativação de planos de contingência.


Outra funcionalidade é a criação de painéis operacionais para salas de situação, integrando dados em tempo real e apoiando decisões durante eventos críticos, como períodos de chuvas intensas.


Desafios e próximos passos


Apesar dos avanços, a iniciativa ainda enfrenta desafios relacionados à padronização de bases de dados de diferentes fontes e à atualização contínua das informações. A sustentabilidade do projeto depende da integração entre instituições e de fluxos permanentes de governança.


Entre os próximos passos estão a disponibilização da base na Infraestrutura de Dados Espaciais do Sisema e a institucionalização de processos de atualização periódica. A longo prazo, a expectativa é incorporar monitoramento em tempo real por sensores e imagens de satélite.


Com a nova plataforma, o Igam amplia seu papel estratégico e se consolida como centro de inteligência territorial voltado à gestão hídrica. A ferramenta deve fortalecer a prevenção de riscos, aumentar a eficiência da fiscalização e apoiar ações de proteção à população.


A iniciativa marca uma mudança de paradigma na gestão pública: da cartografia isolada para uma atuação integrada, orientada por dados e evidências — eixo central dos debates promovidos durante a Semana da Água.


Semana da Água


Durante toda esta semana, especialistas e representantes do setor vão discutir os desafios da gestão dos recursos hídricos no estado.

A programação completa das atividades da Semana da Água 2026 pode ser acessada neste link.


Fonte: IGAM


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