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O poder da força coletiva para o bem comum


A medida que o conhecimento é difundido e alcança novas pessoas, novas tendências e padrões são estabelecidos, sejam eles bons ou não. E esse fenômeno não seria diferente em relação à temática da sustentabilidade. Além disso, o mercado está sempre atento a esses movimentos de hábitos e mudanças, de modo que conforme as pessoas se interessam e procuram saber mais sobre práticas e iniciativas sustentáveis, o mercado e as empresas se adaptam para se inserirem nessas novas tendências e conseguir lucrar em cima disso. E é neste contexto que o artigo “Práticas Empresariais e o Efeito Greenwash: Uma Análise no Contexto Beauty Care” se desenvolve.


O artigo citado procura desenvolver o tema, a partir do contexto dos cenários competitivos entre empresas que buscam conquistar e fidelizar seus clientes, fazendo enfoque na inovação de desenvolvimento sustentável no setor de beauty care (companhias do setor de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos), que no Brasil representa o quarto maior mercado consumidor do setor em nível mundial. O texto deseja analisar a relação do efeito greenwash que tende ainda a ser fortemente inserido na comunicação das marcas, nessa tentativa de apelar aos consumidores mais conscientes, mas que acaba descredibilizando o movimento para práticas mais sustentáveis e deixando os consumidores desconfiados e decepcionados.


O efeito greenwash refere-se a criação de uma imagem preocupada e consciente em relação a uma postura positiva ambiental atrelada a uma empresa ou marca, mas que na verdade trata-se muito mais de marketing do que práticas reais. Assim, a realidade e os números mostram que os resultados divulgados por essas companhias são ampliados ou ainda pode ocorrer situações de incongruências, em que divulga-se preocupação e investimento em uma causa específica no ambiente externo da empresa, mas os seus colaboradores internos agem de forma contrária, demonstrando que a intenção fica apenas no discurso.


O mercado de beauty care vem se desenvolvendo cada vez mais nos últimos anos e atraindo cada vez mais consumidores, de modo que é possível concluir que os resíduos gerados por esse mercado também estão aumentando. Portanto, é importante que as empresas desse segmento estejam verdadeiramente alinhadas a práticas sustentáveis de modo a reduzir os danos causados por esse tipo de consumo. É imprescindível a implementação de políticas e órgãos reguladores capazes de, entre outras atitudes, implementar o uso de selos que ofereçam garantias de segurança aos consumidores a respeito do controle de qualidade sustentável, além de fiscalizar e estimular que as empresas sigam as regras propostas de sustentabilidade.


Em relação ao artigo “Ação Coletiva como Forma de Ampliar a Educação para a Sustentabilidade: Uma Discussão à luz da Agenda 2030”, o texto propõe refletir acerca da importância da união e do trabalho coletivo para gerar mudanças, além do valor da educação para o desenvolvimento da sustentabilidade. Essas discussões são feitas com base na Agenda 2030 que trata-se de um plano de ação global composto por 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) a serem alcançados até o ano de 2030.

O artigo levanta questões relacionadas ao curto prazo que temos para alcançar tais objetivos que, ainda que fundamentais, podem, também, serem considerados audaciosos se compararmos com o cenário da atual realidade. Além disso, a sinergia necessária entre o trabalho coletivo e as implicações que podem ocorrer das diferenças entre pessoas tão plurais e diferentes é um ponto importante a ser considerado. É necessário que as pessoas envolvidas estejam abertas a escutar e aprender com as diferenças, mantendo seu foco na busca de soluções. Além das ações individuais que cada pessoa deve ter para que os objetivos sejam atingidos, é preciso que ações coletivas entrem em pauta, e para tanto, a educação para sustentabilidade (EpS) é imprescindível. Uma solução para isso, seria a integração entre empresas privadas e a academia. Uma abordagem interessante para desenvolver a EpS, é criar interdisciplinaridade entre diferentes áreas, de maneira a expandir os diálogos, ultrapassando fronteiras de conhecimento.

Diante do exposto, podemos relacionar os dois textos a partir da seguinte perspectiva: o poder da força coletiva para o bem comum está em se educar e valorizar práticas justas, e, portanto, não apoiar ou engajar em práticas desonestas como o greenwashing são atitudes importantes para conseguirmos caminhar para o alcance da Agenda de 2030. Também devemos nos ater a busca de soluções para os atuais problemas enfrentados, ainda que não seja possível alcançar todos os objetivos até o ano de 2030, não podemos desistir e parar de colaborar para um futuro melhor.

Referências bibliográficas SILVA, V. A.; SCHERER, F. L.; PIVETTA, N. P. Práticas Empresariais e o Efeito Greenwash: Uma Análise no Contexto Beauty Care. Revista Brasileira de Marketing, v. 17, n. 4, p. 502-519, 2018. JUNGES, V. C.; TELOCKEN, S. G.; CAMPOS, S. A. P. Ação Coletiva como Forma de Ampliar a Educação para a Sustentabilidade: Uma Discussão à luz da Agenda 2030. Revista de Administração IMED, v. 10, n. 1, p. 106-126, 2020.


Luíza Melo Mascarenhas Ulhôa, graduanda em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais

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