O uso da Tecnologia no combate às perdas hídricas
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Encontro do Consórcio PCJ, realizado em Limeira (SP), trouxe empresas do setor para debater novas tecnologias, softwares de monitoramento, uso de IA e IoT
O Grupo de Combate às Perdas Hídricas do Consórcio PCJ promoveu novo encontro na última quinta-feira (02), no auditório da Faculdade de Tecnologia da Universidade Estadual de Campinas (FT/UNICAMP), no campus de Limeira (SP), no qual foi destacado o uso de tecnologias no enfrentamento das perdas de água nas redes de abastecimento. Mais de 100 pessoas estiveram presentes na capacitação técnica.
As apresentações foram realizadas pela tecnóloga em saneamento ambiental e coordenadora de gestão de perdas da BRK Ambiental, Gabriela Ribeiro Alves; o engenheiro civil, especialista em Sistemas de Abastecimento de Água e representante da empresa Baseform, Eliseu Dias; e pelo mestre em Engenharia Elétrica, IoT (Internet das Coisas), Saneamento 4.0 e representante da empresa SWTech, Alexandre Magno Parente da Rocha.
Gabriela apresentou os resultados de um piloto de mapeamento de vazamentos na cidade de Limeira, em que foi usado Inteligência Artificial (IA) para a sua identificação. Por essa técnica, uma haste capta ruídos por 10 segundos. Depois, um software com IA faz a análise desse som comparando-o com um banco de dados de modelos acústicos, indicando se há possibilidade de vazamentos na rede inspecionada. A confirmação vem depois com o técnico geofônico para fazer a localização exata do vazamento.
Segundo a representante da BRK, essa tecnologia aumenta a eficiência e precisão da identificação dos vazamentos. “O uso da IA possibilita maior precisão no número de coletas e distância percorrida para o mapeamento de pontos suspeitos de vazamentos, além dessa técnica melhorar o gerenciamento da pressão nas redes”, atentou Gabriela.
A empresa Baseform expôs o seu software de gestão de dados, que permite trabalhar melhor o planejamento. “Menos de 1% dos dados coletados pelos serviços de água são efetivamente utilizados e nesse campo que atua a Baseform, nós compilamos os indicadores num lugar só e otimizamos a sua utilização de forma mais inteligente, com uma análise mais rápida e eficiente”, comentou Dias.
O programa é dividido em quatro análises: Monitor, dedicado às perdas reais; o Billing, para as perdas aparentes; Predict, responsável por modelos ativos; e o City, que é o módulo para os indicadores de performance.
A SWTech trouxe as novidades em sensores e dataloggers, exclusivos para a detectação de vazamentos. Segundo o representante da empresa, algumas tecnologias tiveram seus custos reduzidos nos últimos anos. “A SWTech trabalha com tecnologias de ponta, de IoT, em que se utiliza de comunicação sem fio; a parte de microprocessamento interno, de memória, barateou muito ao longo dos anos e, ao mesmo tempo, com protocolos de comunicação abertos, fazendo que se possa ter uma interação maior entre diversos tipos de sistemas, como o Giswater e os de gestão comercial, para a partir daí ter o modelo de saneamento 4.0, a transformação digital do saneamento”, sublinhou Rocha.
Durante o encontro, o secretário executivo do Consórcio PCJ, Francisco Lahóz, chamou a atenção para a busca pela sustentabilidade financeira dos serviços de abastecimento, uma vez que a gestão do saneamento envolve investimentos de grande monta. Já o coordenador de projetos do Consórcio PCJ e responsável pelo Programa de Saneamento e Resíduos, destacou que no segundo semestre haverá dois novos encontros do Grupo de Perdas, sendo um deles com participações internacionais.
As perdas hídricas são um enorme desafio no Brasil. Segundo o estudo Perdas de Água 2026, realizado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com GO Associados, o país perde 39,5% de água potável nos sistemas de abastecimento. A meta é que esse índice fique em 25% até 2033, o que representará um acréscimo na disponibilidade hídrica de 2,8 Bilhões de metros cúbicos por ano, água suficiente para abastecer 48 milhões de pessoas.
Nas Bacias PCJ, segundo a Fundação Agência das Bacias PCJ, atualmente a região apresenta 35% de perdas hídricas. Na década de 1980, esse valor era muito maior, quando mais da metade da água se perdia em vazamentos pelas redes. A meta, segundo o Plano das Bacias PCJ 2020-2035, é reduzir esse número para um índice entre 23 e 26% até 2035.
SOBRE O GRUPO REGIONAL DE COMBATE ÀS PERDAS HÍDRICAS
O Grupo de Perdas é uma iniciativa do Consórcio PCJ voltado a técnicos, gestores e profissionais das áreas de saneamento e recursos hídricos, com o objetivo de promover trocas de experiências entre os municípios e os serviços de abastecimento, tendo como meta reduzir o índice de perdas nas Bacias PCJ. Periodicamente, ocorrem encontros técnicos que buscam promover integração, atualização e fortalecimento das ações regionais sobre esse importante tema, com impactos à sustentabilidade e segurança hídrica.
Fonte: Consórcio PCJ



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