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Pagamento por serviços ambientais e valoração da água são tema de webinar na Semana da Água 2022


Ronaldo Magalhães abordou a valoração dos serviços ambientais em unidades de conservação
Ronaldo Magalhães abordou a valoração dos serviços ambientais em unidades de conservação

Valoração da água e pagamento por serviços ambientais foram assuntos abordados na Mesa Redonda “Práticas de Educação Ambiental em Gestão e Conservação da Água”. A atividade foi realizada na quarta-feira (23/03), como parte da programação da Semana da Água de 2022, promovida pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam).


Realizado de forma online, o evento foi transmitido pelo Meio Ambiente e teve o apoio da Diretoria de Educação Ambiental e Relações Interinstitucionais da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e da Comissão Interinstitucional de Educação Ambiental (CIEA).


O supervisor da Unidade Regional de Florestas e Biodiversidade (URFBio) Metropolitana do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Ronaldo José Ferreira Magalhães, abriu as apresentações com a palestra “Valoração do serviço de proteção de mananciais prestado por unidade de conservação”.


Ele explicou que o tema da palestra, abordado em seu mestrado, surgiu da necessidade de buscar a valoração dos serviços prestados pelas Unidades de Conservação (UCs). “O objetivo é retirar a subjetividade”, observou. Uma das motivações foi dada pelo Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) que estabelece que as UCs que gerem recurso hídrico possam cobrar pelo recurso.


Segundo Magalhães, um dos modelos analisados foi o projeto Oásis, usado para proteger mananciais da cidade de São Paulo. Em Minas Gerais, o exemplo é o Parque Estadual da Serra do Rola-Moça com mananciais protegidos que abastecem parte da Região Metropolitana de Belo Horizonte.


Ele explicou que, em seu mestrado, foi feita uma pesquisa de valoração do serviço de proteção de mananciais. “O serviço foi dividido em três parâmetros: manutenção da qualidade, quantidade e a garantia de proteção”, destacou. A Companhia de Saneamento Básico de Minas Gerais (Copasa), que utiliza os mananciais do Parque Estadual da Serra da Rola-Moça, participou, cedendo dados.


“Para valorar foram utilizados parâmetros como os custos evitados e quanto custa tratar uma água de menor qualidade”, afirmou Ronaldo Magalhães. “Os custos de tratamento podem variar até 100 vezes em função da cobertura vegetal”, completou.


Perobas


A gerente de Sustentabilidade da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg), Mariana Ramos, apresentou o projeto Perobas, desenvolvido no município de Doresópolis, no Alto São Francisco. O trabalho observa o aumento da qualidade e quantidade das águas do Córrego Perobas que abastece a cidade e deságua no Rio São Francisco.


De acordo com Mariana Ramos, Doresópolis cidade possui cerca de 1,5 mil habitantes e, apesar da riqueza e da importância ambiental da região, “a falta de cuidados e de consciência contribuiu para a degradação, inclusive, do Córrego Perobas”. A ação surgiu da necessidade de unir esforços de entidades do poder público e da sociedade civil.


O projeto foi aprovado em 2014 no Edital de Chamamento da Agência Nacional das Águas e Saneamento (ANA) e recebeu recursos de R$ 700 mil. O objetivo é promover a melhoria da qualidade ambiental da bacia, por ações de conservação de solo e da água, recuperação e proteção de Áreas de Preservação Permanente e reservas florestais, além da revitalização do sistema de coleta e tratamento de esgoto e implantação do Pagamento por Serviços Ambientais, todas as atividades inseridas no programa Produtor de Água.


Segundo Mariana Ramos, a educação ambiental está presente em todas as fases do projeto sendo realizados cursos com os produtores rurais locais com temas como recuperação de áreas degradadas, de nascentes e de cercamento. “O produtor se sente mais confortável em participar, conhecendo o que é executado”, destacou.


Germinar


A analista de Desenvolvimento Ambiental da Gerdau, Fernanda Montebrune, apresentou ações da empresa, como um olhar do setor privado. Ela apresentou o Programa Germinar, criado em 1990 por uma demanda espontânea da comunidade local com foco na contribuição para a sensibilização ambiental, buscando a mobilização.

O trabalho é feito observando o tripé cidadania, educação e ambiente, e segue os fundamentos de adaptação da realidade, pesquisa científica, alinhamento com o currículo escolar e atualização de conteúdos. “Além das escolas, com o tempo, tivemos a adesão de associações comunitárias e de Organizações não Governamentais (ONGs) ”, observou Fernanda.


“Os benefícios são o aumento da percepção e da sensibilização ambiental nas crianças, jovens e adultos nas comunidades vizinhas da empresa”, disse. Ela destacou que, nesses 32 anos do programa, foram envolvidos nas atividades 152.623 alunos das cidades de Ouro Branco, Itabirito, Congonhas, Conselheiro Lafaiete, Moeda e Ouro Preto. Além disso, foram capacitadas 27.696 pessoas, 19.006 alunos foram atendidos em projetos socioambientais nas escolas e comunidade, além das 19.719 pessoas que participaram do prêmio Gerdau Germinar.


Ciência-cidadã


A professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Juliana França, desenvolve atividades com a Gerdau e explicou, durante o webinar, as grandes possibilidades da ciência-cidadã ­— uma ferramenta da educação ambiental usada para aproximar a sociedade da ciência. "São projetos em que amadores fornecem dados para cientistas que, em troca, oferecem conhecimentos científicos”, destacou.


Segundo ela, está em curso atualmente um projeto em 12 municípios da região das bacias do Alto Paraopeba e Velhas, incluindo as seis cidades onde a Gerdau desenvolve projetos. O objetivo é realizar um monitoramento ambiental participativo de bacias hidrográficas urbanas.


Até o momento, foram incluídas no trabalho 54 escolas de ensino básico, 155 professores e 1.810 estudantes. “A primeira etapa é o treinamento de educadores e alunos, demonstrando o monitoramento participativo. Os resultados são apresentados em seminário”.


Encerrando a mesa-redonda, Juliana França apresentou o livro de sua autoria em parceria com Marcos Callisto: “Monitoramento Participativo de Rios Urbanos”. A publicação traz em detalhes o trabalho desenvolvido pela UFMG e será distribuído pela Gerdau.


Semana da Água 2022


A íntegra da mesa redonda “Práticas de Educação Ambiental em Gestão e Conservação da Água” pode ser vista pelo YouTube do Sisema, clicando aqui.


A Semana da Água 2022 vai até o dia 25 de março. Os interessados em participar dos webinários, capacitações e cursos devem realizar inscrição prévia. Clique aquii para acessar a programação completa e realizar a inscrição.

Emerson Gomes

Ascom/Sisema

Fonte: Portal do Meio Ambiente MG

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