Programa Sisema ComCiência destaca protagonismo feminino e gestão da água em palestra sobre Cátedra da Unesco
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Iniciativa reforça a atuação de mulheres na gestão hídrica e a integração entre ciência, educação e comunidades
O programa Sisema ComCiência promoveu mais uma edição dedicada ao debate sobre sustentabilidade e gestão dos recursos hídricos, com destaque para o protagonismo feminino. O encontro contou com a participação das professoras Vera Lúcia de Miranda Guarda e Adivane Terezinha Costa, da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), que apresentaram o tema “A Cátedra Unesco Água, Mulheres e Desenvolvimento da UFOP: pioneirismo, pesquisa e extensão no Brasil”.
Durante a palestra, foi destacada a trajetória da Cátedra Unesco “Água, Mulheres e Desenvolvimento”, reconhecida internacionalmente por promover sustentabilidade, equidade de gênero e gestão integrada dos recursos hídricos. A iniciativa surgiu em 2005, durante simpósio em Cannes (França), e foi formalizada em 2006 por meio de acordo entre a Unesco e a Ufop, no âmbito da rede UNITWIN.
Nos primeiros anos, entre 2006 e 2008, a Cátedra atuou principalmente com ações de extensão em Ouro Preto. Com o tempo, passou a investir em capacitação e geração de oportunidades, sobretudo para mulheres. Um dos marcos foi o Programa de Capacitação Permanente, com cursos de 100 horas em áreas como educação ambiental, psicologia organizacional e formação técnica, contribuindo para a inserção no mercado de trabalho.
A partir de 2008, o projeto ampliou sua atuação com cursos de produção artesanal, formação de cuidadores, capacitação em tratamento de água e ações de reciclagem, como a produção de sabão a partir de óleo usado. Em 2012, a criação do Núcleo da Cátedra (NuCat) consolidou institucionalmente a iniciativa, fortalecendo a integração entre ensino, pesquisa e extensão. No mesmo ano, o trabalho foi reconhecido com o Prêmio Santander Universidade Solidária.
Atualmente, a Cátedra reúne equipe interdisciplinar e integra o grupo de trabalho de Educação e Cultura da Água do Programa Hidrológico Intergovernamental para a América Latina e Caribe (PHI-LAC). Desde 2024, também passou a compor a rede global da UNESCO voltada à equidade de gênero.
Entre as principais ações está o Monitoramento Hídrico Participativo (MHP), que capacita mulheres como agentes comunitárias para monitorar a qualidade da água. A iniciativa já alcançou 13 comunidades em Minas Gerais, fortalecendo a preservação ambiental e a participação feminina em espaços de decisão. Estudos apontaram, em alguns casos, concentrações de ferro e manganês acima dos limites, evidenciando a importância do monitoramento contínuo.
A Cátedra também atua em contextos de desastres ambientais, como na bacia do Rio Doce, além de desenvolver pesquisas sobre os impactos da mineração em regiões históricas, com foco na segurança hídrica e nos conflitos sociais. Na educação, promove cursos e projetos voltados a comunidades, priorizando mulheres e jovens lideranças. Durante a pandemia, as ações foram ampliadas para o formato remoto, alcançando participantes de diversos países.
Com quase duas décadas de atuação, a Cátedra se consolida como referência na articulação entre ciência, políticas públicas e participação social.
Sisema ComCiência
Criado em 2020, o Sisema ComCiência é uma iniciativa do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais, voltada à divulgação de pesquisas e debates ambientais em Minas Gerais. O programa é mediado por Alexandre Magrineli, do Instituto Mineiro de Gestão das Águas, e promove a interação entre especialistas e o público.
Fonte: IGAM



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