Sumário da água

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Recursos Hídricos na Região Centro-Oeste

Escrito por Bruna Soldera



A região Centro-Oeste é composta pelos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal, é a segunda maior região em extensão territorial do Brasil, porém a menos populosa. "É nesta região que se encontra a maior planície alagada do mundo: o Pantanal. Além dela, a vegetação que predomina é o Cerrado, que se caracteriza pela presença de árvores baixas, espaçadas com tronco e galhos retorcidos. Já o norte de Mato Grosso é caracterizado pela Floresta Amazônica” (EMBRAPA). Além disso, a região Centro-Oeste abrange três importantes bacias hidrográficas: Amazônica, Tocantins-Araguaia e Platina. Estão concentradas nascentes de rios importantes do país, e é conhecida como “berço das águas” devido a presença do Cerrado, bioma que ocupa mais de 20% do território (UNIVERSIDADE DE JUIZ DE FORA, 2018; MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL, 2021).

O Cerrado

O bioma que é considerado o “berço das águas” possui grande importância estratégica para a manutenção de uma vasta diversidade, com grandes reservas de águas subterrâneas faz conexão com o norte – Amazônia, nordeste – Caatinga, sudoeste – Pantanal, sudeste – Mata Atlântica, assim é evidente a sua importância para todas as regiões do país (CORREIO BRAZILIENSE, 2020). O cerrado é a segunda maior formação natural da América do Sul e é a savana mais rica do mundo!

“O cerrado possui 19.864 nascentes, 23,6% de todas as nascentes brasileiras, além de três grandes aquíferos: Guarani, Bambuí e Urucuia. Mas, a riqueza hídrica requer mais cuidados: uma vez que distribui água por todo o país, a escassez na região afeta o Brasil (CORREIO BRAZILIENSE, 2020).

De acordo com o Professor Altair Sales Barbos (Universidade Católica de Goiás) em entrevista a Agência Brasil (2015), o desmatamento e a diminuição da vegetação nativa as recargas dos aquíferos ficam prejudicadas e em consequência as nascentes são afetadas.


Mais da metade deste bioma foi eliminada e menos de 3% está efetivamente protegida. O berço das águas, ligado ao nascimento dessas águas, não pode morrer (AGÊNCIA BRASIL, 2015).



Crise hídrica


A crise hídrica tem se agravado em diversas partes do Brasil e não foi diferente para a região Centro-Oeste, a escassez de chuva diminuiu os níveis dos rios e em certos lugares afetou a navegação.


Segundo o Jornal Correio do Estado (2021) o nível das chuvas de 2021 registrou o pior índice dos últimos 10 anos, e isso afetou mais de 80% das propriedades na região do Pantanal, seja em menor ou maior intensidade. Um outro dado importante registrado em 2021 foi que o nível do rio Paraguai (que drena o bioma do Pantanal) baixou quase 20 cm, diminuindo cerca de 2 cm por dia em Ladário no Mato Grosso do Sul (SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL, 2021).


Segundo Cássio Bernardino, analista de conservação do WWF-Brasil em entrevista ao Eco Debate (2021) “mesmo que o regime de precipitação se normalize, é pouco provável que o Rio Paraguai e o Pantanal tenham cheias significativas, mantendo-se em níveis historicamente baixos. Além disso, o fogo e as mudanças no uso do solo tendem a afetar a própria precipitação na região. Com a diminuição da cobertura vegetal, a tendência é que haja menor evapotranspiração, menor umidade no ar, e, logo, menor índice de chuvas. Temos um cenário de mudanças climáticas aliado à falta de controle ambiental e infraestrutura para combate a incêndios, isso traz sérias ameaças à biodiversidade do Pantanal, assim como a segurança hídrica da região”.


É preciso que todos saibam que a crise climática e a crise hídrica estão intimamente conectadas e isso tem se agravado ao longo dos anos. É preciso planos para mitigar e conter os prejuízos, é importante saber que por mais grave que as mudanças climáticas possam ser e são, a humanidade poderá sobreviver com o aquecimento, sem água não!


Fontes: Instituto Água Sustentável IAS


Agência Brasil, 2015

CORREIO BRAZILIENSE, 2020

Eco Debate; 2021

EMBRAPA

Jornal Correio do Estado; 2021

MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL, 2021

SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL, 2021

UNIVERSIDADE DE JUIZ DE FORA, 2018

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