Sumário da água

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Recursos hídricos na região sudeste

Escrito por Bruna Soldera


O Brasil é um país que possui uma vasta riqueza hídrica, 12% da água doce está no território nacional, porém a sua distribuição não é homogênea. Um exemplo é a região Sudeste, com 6% dos mananciais hídricos do país e 89 milhões de habitantes, região mais povoada do país - cerca de 86 habitantes por quilômetro quadrado - e possui grandes centros urbanos, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, Vitória (MUNDO EDUCAÇÃO; SUA PESQUISA).

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A região é caracterizada por ser a região mais rica e industrializada do país, além de possuir áreas de intenso uso agrícola e grandes atrativos turísticos principalmente associados à água. Rios importantes estão localizados nessa região, tais como Rio Tietê, Rio Piracicaba, Rio Paraíba do Sul, Rio Paraná, Rio Paranapanema, entre outros. Aquíferos importantes também estão presentes na região Sudeste, tais como o Aquífero Guarani e o Aquífero Bauru.


Impactos da crise hídrica na região sudeste

Constantemente vemos notícias nas mídias sobre a crise hídrica em diversas partes do Brasil, e na região Sudeste não foi diferente, nos últimos anos mais de 80 milhões de pessoas foram castigadas pela seca, sendo a pior crise hídrica dos últimos 90 anos, sendo o Estado de São Paulo um dos mais afetados com os níveis dos reservatórios despencando (JUNTOS PELA ÁGUA; CLIMA INFO, 2021).

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A título de exemplo, o Sistema Cantareira (um dos principais reservatórios da Grande São Paulo) chegou a operar com 5% da sua capacidade em 2015 e por 19 meses usou o chamado “volume morto" para abastecimento; o Rio de Janeiro também precisou usar seu volume morto da Represa de Paraibuna, sendo que o nível do reservatório chegou a zero pela primeira vez desde 1978; em Belo Horizonte em Minas Gerais o Sistema Paraopeba chegou a operar com 30% da sua capacidade; e no Espírito Santo registrou-se um prejuízo de mais de um bilhão de reais para o setor agropecuário por causa da crise hídrica (JUNTOS PELA ÁGUA).

Muitas cidades no interior dos Estados da região Sudeste também vêm enfrentando essa acentuada crise de água, a Represa de Jurumirim localizada a sudoeste do Estado de São Paulo está com 21% da sua capacidade. O nível d’água baixou tanto que fez com que surgisse uma ilha equivalente a quase cinco campos de futebol no meio da represa. O impacto é enorme, uma vez que a represa banha 7 cidades da região e 4 delas usam o reservatório para atividades turísticas. Além disso, a principal fonte de energia elétrica provém de hidrelétrica e com menos água isso se torna um problema (G1, 2021).

De acordo com Larissa Rodrigues (Gerente de projetos no Instituto Escolhas) em entrevista ao Correio Braziliense, "a seca não é surpresa. Os reservatórios estavam críticos em 2018, pioraram em 2019 e ninguém fez nada. No setor elétrico, por exemplo, as previsões são feitas olhando para o passado. Eles não conseguem ver as crises como efeito das mudanças climáticas. O que precisamos fazer é considerar a seca, as chuvas e as mudanças climáticas no planejamento do setor. Outra coisa é romper com a ideia de que o Brasil tem água abundante. Isso acabou”.


Seriam os aquíferos a solução?

Os aquíferos são os nossos “reservatórios subterrâneos”, armazenam 98% de toda a água doce líquida disponível, e o Brasil tem o privilégio de ter dois dos maiores aquíferos do mundo: Sistema Aquífero Guarani com uma reserva hídrica de aproximadamente 40 mil km³ e o Sistema Aquífero Grande Amazônia com 162 mil km³ (AGÊNCIA BRASIL, 2020).

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É preciso ter em mente que a água que infiltra das chuvas pode não ser suficiente para compensar a quantidade de água retirada do subsolo para suprir as mais variadas demandas. De acordo com o artigo publicado no Jornal O Estado de São Paulo em 2021, Oliveira & Soldera dizem que “precisamos ter um consumo mais econômico de água, sem dúvidas, mas isso não será suficiente. Apesar de todas as formas de economia de água serem muito bem-vindas e necessárias, as estimativas mostram que até 2050 a população mundial deverá estar próxima de 10 bilhões de pessoas, um aumento de 25%. A esperada melhoria de vida das pessoas, algo desejável e motivo pelo qual todos devemos lutar, vai aumentar muito o consumo de água total do planeta. Em resumo, não vamos e não podemos parar de usar água”.

“Precisamos passar a ter uma economia circular do ciclo da água para que possamos armazenar água suficiente nos reservatórios naturais para manter a qualidade da vida e da ecologia. Há tecnologia e conhecimento disponíveis para essa mudança cultural necessária e despercebida pela maioria das pessoas” (JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO, 2021).

É preciso cuidar dos aquíferos e fazer um uso sustentável da água subterrânea, pois sem isso eles não serão as soluções! Lembre-se: o mundo precisa de água!

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