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Reservatórios de Furnas e Mascarenhas de Moraes (MG) passam de 55% de seu armazenamento

Reservatórios de Furnas e Mascarenhas de Moraes (MG) passam de 55% de seu armazenamento com regras operativas da ANA e chuvas acima da média


Hidrelétrica de Furnas (MG) - Foto: Raylton Alves / Banco de Imagens ANA
Hidrelétrica de Furnas (MG) - Foto: Raylton Alves / Banco de Imagens ANA

Desde o início da vigência da Resolução ANA nº 110/2021, em 1º de dezembro, o armazenamento de furnas mais que dobrou e o de Mascarenhas de Moraes mais que triplicou. Chuvas de janeiro na Bacia do Rio Grande contribuíram para melhora do quadro.


Entre 1º de dezembro, quando começaram a valer as regras da Resolução ANA nº 110/2021, e 31 de janeiro, Furnas teve um aumento de 2,5 vezes de seu volume útil, passando de 21,51% para 55,82%. Já Mascarenhas de Moraes mais que triplicou seu armazenamento de água, que saltou de 18,2% para 56,48% no período. As regras excepcionais de operação definidas pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) mantiveram uma liberação de água reduzida nos dois reservatórios para recuperar seu armazenamento e melhorar as condições para que os usos múltiplos da água na bacia do rio Grande possam ser atendidos em 2022 e nos anos seguintes.


Além das regras operativas definidas pela ANA em caráter excepcional, as chuvas acima da média ocorridas na bacia do rio Grande em janeiro contribuíram para a melhora do quadro. Com isso, o volume útil registrado em Furnas em 2022 foi o maior para o dia 31 de janeiro nos últimos dez anos, superando os 50,14% medidos em 31 de janeiro de 2016. Com isso, Furnas chegou à cota de 762m acima do nível do mar em 31 de janeiro deste ano, sendo que essa cota é um importante marco para os usuários do lago de Furnas e para a população local. No caso de Mascarenhas de Moraes, o armazenamento foi o maior dos últimos cinco anos, sendo superado pelos 77,5% medidos em 31 de janeiro de 2017.


Histórico do volume útil de Furnas em 31 de janeiro de 2013 a 2022
Histórico do volume útil de Furnas em 31 de janeiro de 2013 a 2022

Histórico do volume útil de Mascarenhas de Moraes em 31 de janeiro de 2013 a 2022
Histórico do volume útil de Mascarenhas de Moraes em 31 de janeiro de 2013 a 2022

Segundo a Resolução ANA nº 110/2021, a vazão média liberada pela hidrelétrica de Furnas não pode ser maior do que 300 metros cúbicos por segundo entre 1º de dezembro de 2021 e 30 de abril de 2022. Além disso, o documento estabelece o limite de 400m³/s como a maior vazão média semanal que pode ser liberada pela hidrelétrica. Caso o reservatório ultrapasse 70% de seu volume útil ou entre na operação para controle de cheias, ambos os limites serão suspensos.


Para o reservatório da hidrelétrica Marechal Mascarenhas de Moraes, a defluência (liberação) média no período de vigência da resolução deverá ser de até 300m³/s e a máxima vazão média semanal liberada pela usina deverá ser de 370m³/s entre dezembro e abril. Ambos os limites também serão suspensos se o reservatório ultrapassar o armazenamento de 70% ou entrar em operação para controle de cheias.

Para os dois reservatórios, os limites para as vazões liberadas têm uma tolerância de 5% para mais ou para menos e a semana operativa é considerada de sábado até sexta-feira da semana seguinte.


Tanto Furnas quanto Mascarenhas de Moraes foram incluídos no Plano de Contingência aprovado pela Diretoria Colegiada da ANA em 18 de outubro de 2021, devido ao seu papel para a segurança hídrica da bacia do rio Grande, para os usos múltiplos da água e para a geração de energia.


Tal Plano abrange o período chuvoso na região central do País, de dezembro de 2021 a abril de 2022, e tem como objetivo melhorar as condições para a máxima recuperação do armazenamento dos reservatórios mais relevantes em termos de segurança hídrica para suas respectivas bacias e que fazem parte do Sistema Interligado Nacional (SIN), responsável pela geração e distribuição de energia por todo o Brasil.


As hidrelétricas


A hidrelétrica de Furnas entrou em operação em 1963 e possui uma potência instalada de 1.216 megawatts (MW). Instalada entre os municípios mineiros de São José da Barra e São João Batista do Glória, possui reservatório com volume total de 22,95 trilhões de litros e volume útil de 17,217 trilhões de litros. Esse que é o maior reservatório da bacia do rio Grande, possui, ainda, uma área inundada de 1.440 quilômetros quadrados, quase do tamanho da cidade de São Paulo.


Já a hidrelétrica Marechal Mascarenhas de Moraes, também conhecida como Peixoto, entrou em operação em 1957 e possui uma potência instalada de 476MW. Localizada entre os municípios mineiros de Ibiraci e Delfinópolis, a hidrelétrica possui reservatório com 250km² de área inundada, volume total de 4,04 trilhões de litros e volume útil de 2,5 trilhões de litros. Na bacia do rio Grande, Mascarenhas de Moraes fica numa região a jusante (abaixo) de Furnas, recebendo água desta hidrelétrica.


A bacia do rio Grande


Com mais de 143 mil km² de área de drenagem, a bacia hidrográfica do rio Grande fica na Região Hidrográfica do Paraná e tem 60,2% de sua área em Minas Gerais e 39,8% em São Paulo. Nos 393 municípios da bacia vivem cerca de 9 milhões de habitantes e a região é marcada por trechos de Cerrado e Mata Atlântica. Na bacia do Grande há 12,37% de recursos hídricos de domínio da União (neste caso, os interestaduais), 51,4% de Minas Gerais e 36,23% de São Paulo. O rio Grande nasce na Serra da Mantiqueira, em Bocaina de Minas (MG), numa altitude de 1980 metros, e forma o rio Paraná ao se encontrar com o rio Paranaíba na divisa entre Santa Clara do Oeste (SP) e Carneirinho (MG).


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