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Sala de situação apresenta informações sobre condição de cheia na bacia do São Francisco

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) realizou, na quarta-feira (12/01), a primeira reunião da sala de acompanhamento do sistema hídrico do Rio São Francisco, de forma virtual. Com os grandes volumes das chuvas em toda a bacia, a reunião abriu o espaço para apresentações dos cenários atuais e previsões até o final do período úmido, além das medidas de mitigação das cheias adotadas.


O superintendente de Operações e Eventos Críticos da ANA, Joaquim Gondim, destacou que a bacia do rio São Francisco tem um plano de controle, o que torna possível previsões e antecipação de situações provocadas pelas cheias. “Diferente do que aconteceu na Bahia e em Minas, nós estamos falando de um rio de grande porte que tem previsibilidade. Então, a cheia será acompanhada e, com isso, se espera que não ocorra aqueles eventos de pessoas saírem de suas casas sem levar nem os documentos, pois os órgãos encarregados de assistências às comunidades terão todas as informações disponíveis para atuar com antecedência”, afirmou.

De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), nos últimos 60 dias toda a bacia do São Francisco registrou chuvas acima da média. O fato se deve a combinação de diferentes fatores como a ocorrência do La Niña, o aumento da temperatura dos oceanos – fenômeno que contribuiu para o aumento das chuvas no Nordeste no final de dezembro e início de janeiro, além da presença da Zona de Convergência do Atlântico Sul que teve, também, intensidade acima da média. Já a partir dos próximos sete dias, a tendência é de redução das chuvas que devem ficar abaixo da média.

Com isso, os reservatórios da bacia do São Francisco já estão recebendo grandes volumes de água. A usina hidrelétrica de Três Marias, de acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), está recebendo em torno de 9.000 m³/s. A Usina armazena 77,96% de volume útil, com tendência de aumento. Por isso, na próxima sexta-feira (14), a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) informou que iniciará a abertura do vertedouro com incremento ao longo dos dias seguintes. As usinas de Sobradinho e Xingó já aumentaram as vazões de defluência e chegarão a 4.000 m³/s, até o dia 24 de janeiro, quando a situação será reavaliada.

Dados de monitoramento do ciclo hidrológico da região ajudam no acompanhamento das cheias
Dados de monitoramento do ciclo hidrológico da região ajudam no acompanhamento das cheias

O ONS informou que considerando a elevação das vazões naturais afluentes da usina hidrelétrica de Três Marias, no final de dezembro de 2021 e início de 2022, foi emitida correspondência CTA-ONS DGL 0053/2022. De acordo com o documento, a bacia do rio São Francisco se encontra em situação de cheia e as condições de operação dos reservatórios do sistema hídrico do rio São Francisco passam a seguir as regras de controle de cheias estabelecidas pelo ONS conforme artigo 19 da resolução 2081/2017. Além disso, desde o dia 11 de janeiro, o ONS emite informes de acompanhamento do período de cheias em que são apresentadas informações das condições hidrometeorológicas e operativas das usinas. Os informes são disponibilizados no SINtegre.

Monitoramento

Acompanhando de perto a situação da bacia, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) emitiu, na última terça-feira (11/01), nota pública alertando a população ribeirinha sobre a possibilidade de cheias no decorrer dos próximos dias. A nota, assinada pelo presidente do CBHSF, Maciel Nunes de Oliveira, orienta a população a não ocupar o leito do rio e indica ações a serem adotadas pelos municípios localizados nas regiões do Submédio e do Baixo São Francisco.

O coordenador da Câmara Consultiva Regional (CCR) do Baixo São Francisco, Anivaldo Miranda, participou da reunião representando o CBHSF e ressaltou a importância da política de comunicação entre os órgãos responsáveis pelo controle de cheias em conectividade com as prefeituras e defesa civil junto às comunidades sobre a detecção dos pontos de maior vulnerabilidade. “O Comitê também tem comunicado às comunidades sobre a possibilidade de cheias para que as populações ribeirinhas adotem os cuidados necessários”.

Ainda em 2018, o CBHSF realizou uma série de audiências públicas para alertar a população ribeirinha e o poder público sobre as suas responsabilidades e os riscos da ocupação irregular do solo às margens do São Francisco, fato que pode acarretar danos em situação como as atuais de elevação do nível das águas. Assessoria de Comunicação CBHSF: TantoExpresso Comunicação e Mobilização Social *Texto: Juciana Cavalcante *Fotos: Léo Boi – Arquivo; ANA Divulgação

Fonte: CBHSF

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