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Segurança Hídrica: Casan busca água nas profundezas do Aquífero Guarani

Atualizado: Mar 21

Já chega a 300 metros de profundidade o poço profundo que está sendo perfurado pela CASAN em São Joaquim, na Serra Catarinense.



Seguindo a meta do Governo de Santa Catarina e da Companhia de priorizar a segurança hídrica no Estado, o objetivo é reforçar o Sistema de Abastecimento da região, obtendo uma vazão de 150 mil litros de água por hora, entre 500 e 850 metros de profundidade, no Aquífero Guarani.

Para atingir essa profundidade, perfurando o Basalto Serra Geral (a chamada rocha ferro), a Companhia contratou uma empresa especializada, que usa tecnologia semelhante à extração de petróleo.

Déficit de Chuvas


O investimento é de aproximadamente R$ 5 milhões nesta força-tarefa para enfrentar a fragilidade dos mananciais superficiais da região e a possibilidade de novo déficit de chuvas, que no ano passado praticamente secou o Rio Antonina.


Em 2020, diante de uma das maiores estiagens dos últimos 60 anos em São Joaquim, a CASAN manteve o abastecimento com ações de contingenciamento como perfurações de poços artesianos, transposição de reservatórios existentes dentro e fora da Bacia do Rio Antonina.

Foi também necessário o transporte de água do Rio Lavatudo, na divisa com o municípios de Painel e Lages, distante mais de 30 km da cidade de São Joaquim. Com carretas-tanques, a água foi transportada e despejada próximo da captação do Rio Antonina.

“É neste cenário extremamente crítico que a CASAN avaliou o poço tubular profundo como a melhor alternativa para segurança hídrica, garantindo a continuidade do abastecimento para a população de São Joaquim mesmo em eventos extremos de estiagem”, ressalta o chefe da agência local, Luiz Carlos do Amaral.


O investimento é possível pois o município possui Contrato de Programa com a CASAN, o que permite que ações de médio e longo prazo sejam antecipadas diante das urgências da cidade.


Equipamento romeno De fabricação romena, antes de ser trazida para a Serra catarinense, a sonda usada na perfuração do poço profundo de São Joaquim estava em Sergipe, em trabalho para um poço de petróleo.

No canteiro de obras, estruturado próximo à captação de água da CASAN no Rio Antonina, a sonda está içada em uma plataforma de 38 metros de altura.


Além desse equipamento, tanques de rejeitos de lama, bombas e motores compõem a força-tarefa na busca de água.


Na etapa atual, o diâmetro de 12 polegadas, perfurado até 300 metros, está sendo ampliado para 17 polegadas (30,48 cm), que será a circunferência final do poço tubular profundo.

SAIBA MAIS


Desafios da geologia da região


O Aquífero Serra Geral


Na região de São Joaquim existem dois aquíferos, formando um sistema integrado. As rochas que ocorrem na superfície são vulcânicas, predominantemente basálticas, do Grupo Serra Geral.

Essas rochas têm origem em um evento relacionado à abertura do Oceano Atlântico (ruptura do Super Continente Gondwana) e datam de aproximadamente 130 milhões de anos atrás. Devido à sua origem e evolução geológica, apresentam-se bastante fraturadas, sendo nestas fissuras que corre a água explorável em poços mais comuns.

Entretanto, a vazão de poços nesse aquífero não é suficiente para a demanda populacional da região de São Joaquim. Poços nesse tipo de aquífero não passam de 30 m³/hora na região (equivalente a 30.000 litros/hora).

O Aquífero Guarani


Por esse motivo, a equipe de engenheiros e geólogos da CASAN decidiu investir em um poço profundo para atingir o Aquífero Guarani (que fica abaixo do Aquífero Serra Geral).

Na região, a rocha que compõe o Aquífero Guarani é o arenito Botucatu, formado essencialmente por areias de antigas dunas continentais, sobre as quais se sobrepuseram os derrames de lava que formaram o Grupo Serra Geral (basaltos).


Por sua composição e condições de formação, os arenitos mantiveram parte de sua porosidade, constituindo assim um imenso reservatório natural de água: o Aquífero Guarani. No local do poço de São Joaquim, o Aquífero Guarani ocorre a uma profundidade estimada de 500 a 600 metros, com potencial de fornecer uma vazão de 150 m³/hora (150.000 litros/hora).


Fonte: Casan

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