Seminário de Águas Subterrâneas reúne especialistas e destaca avanços em estudos de aquíferos do Ceará
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Nesta quinta-feira (26), a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) realizou, em Fortaleza, a segunda edição do Seminário Águas Subterrâneas, reunindo pesquisadores, técnicos e gestores para apresentar resultados de estudos desenvolvidos nos principais aquíferos do Ceará.
O projeto iniciou em 2022, em convênio firmado com a Universidade Estadual Paulista (Unesp), com investimento de cerca de R$ 1 milhão. O foco é analisar, através de isótopos ambientais, a recarga e a idade de aquíferos estratégicos.

O evento ocorreu no auditório da Secretaria do Planejamento e Gestão do Ceará e teve como foco as pesquisas conduzidas nas regiões do Cariri e da Chapada do Apodi, próximo à divisa com o Rio Grande do Norte. Na ultima terça-feira (24) a Cogerh esteve no Crato apresentando o estudos na região.
Durante a abertura, o diretor de Planejamento da Cogerh, Denilson Fidelis, destacou a importância estratégica do seminário para a segurança hídrica do Estado. Já a Gerente de Estudos e Projetos, Zulene Almada, ressaltou o compromisso da Companhia com o avanço científico e o monitoramento contínuo das águas subterrâneas.
“Hoje estamos aqui tratando dos principais aquíferos do Ceará, especialmente a partir de estudos realizados na região do Cariri e do Apodi, utilizando técnicas inovadoras como isótopos ambientais e a datação por Carbono 14, além de um monitoramento realizado ao longo de três anos para traçar o caminho dessas águas”, ressaltou Zulene.
Durante o encontro, a gerente de projetos da Cogerh, Zulene Almada, destacou que, hoje, cerca de 50 municípios cearenses são abastecidos exclusivamente por meio de poços. Em cenários de seca extrema, esse número pode chegar a aproximadamente 100 municípios atendidos por sistemas baseados em poços, reforçando o papel dos aquíferos como fonte complementar e, em alguns casos, principal alternativa de abastecimento.
Os estudos apresentados reforçam que a gestão sustentável das águas subterrâneas passa pelo controle das captações, pelo monitoramento contínuo (quantitativo e qualitativo) e pela ampliação das ações de proteção das áreas de recarga, especialmente em regiões estratégicas como o Cariri e a Chapada do Apodi.
O que são isótopos ambientais e Carbono 14?
Os isótopos ambientais são variações naturais de elementos químicos presentes na água, que funcionam como “marcadores” capazes de indicar a origem, o tempo de permanência e o percurso da água no subsolo.
Já o Carbono 14 é utilizado para estimar a idade da água subterrânea, permitindo identificar se ela foi recarregada recentemente ou há milhares de anos. Essas técnicas possibilitam compreender melhor a dinâmica dos aquíferos, subsidiando decisões mais seguras para o uso sustentável dos recursos hídricos.
Além do projeto desenvolvido em parceria com a Unesp, a Cogerh apresentou outros trabalhos realizados ao longo dos anos. Desde 2005, a Companhia vem ampliando o conhecimento sobre os principais sistemas aquíferos do Estado, com estudos qualitativos e quantitativos. A partir desses levantamentos, são definidos pontos estratégicos para continuidade do monitoramento, especialmente nas regiões do Cariri e da Chapada do Apodi.
Programação técnica
A programação do seminário contemplou diferentes abordagens sobre gestão, monitoramento e qualidade das águas subterrâneas e também trouxe um olhar para as águas superficiais.
No período da manhã, foram apresentados os “Projetos em Águas Subterrâneas no Ceará”, com a gerente de Estudos e Projetos da Cogerh, Zulene Almada Teixeira; o “Monitoramento com Isótopos Ambientais nas Bacias do Araripe/CE”, ministrado por Didier Gastmans; e a palestra “A importância das águas subterrâneas nos mananciais operados pela Caern”, com Marcelo Augusto de Queiroz, hidrólogo da Companhia de Águas e Esgoto do Rio Grande do Norte.
À tarde, o seminário abordou temas como “A contaminação do Aquífero Dunas Barreiras por derivados de petróleo”, apresentado por Raoni Batista dos Anjos; “Qualidade das águas dos açudes cearenses”, com o gerente de Monitoramento Qualitativo e Quantitativo da Cogerh, Walt Disney Paulino; “Eutrofização dos açudes cearenses: processos, causas e implicações ecológicas”, com Mário Ubirajara Gonçalves Barros; e “Rede Rimas – Monitoramento dos sistemas aquíferos das bacias Araripe e Potiguar”, ministrado por Robério Boto de Aguiar.
Fonte: COGERH



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